Susto na água: Salvamento em Torres

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Susto na água: Salvamento em Torres

GAUCHAZH

Seriam apenas umas braçadas no mar cristalino e agitado da praia da Guarita, em Torres, durante o intervalo do trabalho, na tarde de 2 de fevereiro. O garçom Vinícius Oliveira, 23 anos, porém, não imaginava que, nos 40 minutos seguintes, ganharia uma segunda chance de viver, graças à ajuda de dois guarda-vidas. 


Oliveira pulou na água às 15h50minJefferson Botega / Agência RBS

Nativo da cidade, o jovem saltou de um local indicado pela Operação Golfinho como um dos mais perigosos de todo o Litoral Norte gaúcho: as pedras de um dos morros do Parque Estadual da Guarita. Por acaso, a equipe de GaúchaZH fazia uma reportagem na área e flagrou o momento em que ele saltou, às 15h50min. Apesar da temperatura próxima aos 30ºC e do mar lotado de banhistas, o vento estava forte, as ondas com mais de 1m de altura e uma tempestade se aproximava. A bandeira vermelha sinalizava atenção redobrada e, num ponto da vizinha praia da Cal, havia o alerta de bandeira preta. 

Nos cinco minutos seguintes, Oliveira tentou nadar contra o vento, na direção da orla da praia da Guarita. Porém, o agito do mar foi arrastando o jovem cada vez mais para o fundo, afastando-o de qualquer contato com os banhistas. 


Logo após pular na água, o jovem foi sendo arrastado para o fundoJefferson Botega / Agência RBS

Os repórteres de GaúchaZH ficaram acompanhando a tentativa dele de nadar contra as ondas. Por quase três minutos, ele não saiu do mesmo lugar. Começando a dar sinais de cansaço, fez o primeiro gesto de ajuda: gritou “por favor”, tentando erguer o braço. Enquanto do alto do morro os turistas seguiam o trajeto, sem percebê-lo no mar,

a equipe de reportagem começou a gritar por socorro até que os banhistas ainda no início da caminhada pelas escadarias perceberam a situação e acionaram os guarda-vidas, distantes cerca de 300m de onde o jovem começava a perder as forças.  

Imediatamente, Eduardo Hoisler, 32 anos, de Caxias do Sul, três deles atuando na Operação Golfinho, e Armando Zambom, 39 anos, de Santo Ângelo, há sete anos nas temporadas de praia, correram para o mar. Hoisler foi o primeiro a saltar contra a correnteza, do mesmo ponto de onde o garçom pulou. 

Jefferson Botega / Agência RBS
Momento em que o guarda-vidas Eduardo Hoisler se prepara para salvar OliveiraJefferson Botega / Agência RBS

 Em 55 braçadas dadas durante 60 segundos, ele alcançou a vítima, que tentava boiar e já demonstrava os primeiros sinais de preocupação.   

Jefferson Botega / Agência RBS
Em um minuto, Hoisler chegou ao ponto onde estava OliveiraJefferson Botega / Agência RBS

Um minuto depois, com a situação quase controlada, foi a vez de Zambom juntar-se à dupla. No trecho, sem contato com a orla, a profundidade chega a 6m. Do alto do morro, turistas passaram a acompanhar a ação. Com a força do vento na direção da praia da Cal, os guarda-vidas decidiram levar Oliveira até lá. Foi um trajeto de 1km dentro do mar. Mais calmo, Oliveira agarrou-se às boias para ser levado. O resgate foi finalizado 36 minutos depois. Antes de sair da água, o garçom deu um longo abraço em cada um dos seus salvadores. 

Jefferson Botega / Agência RBS
Segundo guarda-vidas chega para auxiliar o salvamentoJefferson Botega / Agência RBS

Em solo, ainda recuperando o fôlego em meio à surpresa com a própria situação, ele reconheceu o erro e agradeceu, mais uma vez.  

Jefferson Botega / Agência RBS
Saída do mar com auxílio dos guarda-vidasJefferson Botega / Agência RBS

– Já tinha pulado várias vezes dali e jurei que ia vencer o mar, mas o mar me carregou para o outro lado, me levou para o fundo. Ia só dar um mergulho e iria morrer. Agradeço a eles (guarda-vidas). Se não fossem eles, minha mãe estaria chorando agora. São salva-vidas mesmo! De verdade! A partir de agora, vou respeitar o mar e ficar sempre ciente da bandeira – declarou, antes de fornecer os próprios dados para o registro da ocorrência, tirar uma foto com a dupla e seguir para o segundo turno de trabalho com fôlego renovado. 

Jefferson Botega / Agência RBS
Eduardo (E) e Armando (D) fizeram o salvamento de OliveiraJefferson Botega / Agência RBS

Número de salvamentos aumentou nesta temporada 

De acordo com o coordenador da Operação Golfinho no Litoral Norte, tenente-coronel Jefferson Ecco, o número de salvamentos entre 15 de dezembro de 2018, data de início dos trabalhos, e 2 de fevereiro de 2019, aumentou nas praias do Litoral Norte. Até agora, foram 341 ações na região, contra 288 no mesmo período do ano passado.  

Torres é a praia campeã em registros. Nesta temporada, até a data, foram 93 resgates. Destes, 37 somente na praia da Guarita, o ponto mais perigoso de todo o Litoral Norte e onde o garçom Vinícius Oliveira foi salvo no sábado.

– Quase a totalidade dos casos de salvamento está relacionado à imprudência, ao excesso de confiança ou ao exibicionismo. São os que morrem fora da temporada da Operação. As pessoas acham que nadar é deslocar-se na água com movimentos descoordenados por 15 ou 20 metros. É por isso que ocorrem os arrastamentos em correntes de retorno e, consequentemente, a intervenção dos salva-vidas – ressalta o coordenador da Operação Golfinho. 

As outras duas praias da região com mais salvamentos são Capão da Canoa, 53 situações, sendo o local mais perigoso na guarita 76, e Arroio do Sal, com 37, com toda a área central exigindo atenção.  

– Por isso, que a gente alerta: água no umbigo, sinal de perigo. Porque no mar, no momento em que a pessoa nada mal ou não sabe nadar, se ela for encoberta, ela vai se afogar – afirma Ecco. 

Fique atento e saia vivo 

  • Evite banhos nas bancadas de pedra, como as regiões das praias da Cal e da Guarita, em Torres. 
  • Respeite a sinalização.
  • Não se coloque em risco em pontos não sinalizados.
  • Acate as orientações dos guarda-vidas.
  • Evite a proximidade com plataformas e barras de rio, como entre Imbé e Tramandaí, porque nestes obstáculos físicos fixos as ações de correntes de retorno são permanentes.
  • Procure guaritas com guarda-vidas.
  • Evite bebidas alcóolicas e comidas pesadas antes de entrar na água.

Fonte: tenente-coronel Jeferson Ecco, coordenador da Operação Golfinho