“Tínhamos que sair da água com vida e com as vítimas”, diz guarda-vida homenageado

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Dois guarda-vidas do Corpo de Bombeiros resgataram dois velejadores em meio à tempestade na Lagoa dos Patos – Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini

Estado: “Nossa recompensa é apertar a mão de quem acabamos de salvar”. A frase foi dita pelos soldados Luis Orlando Moura dos Santos, do Corpo de Bombeiros, e Leandro da Cruz Machado, da Brigada Militar, logo após terem feito um salvamento heroico na Praia do Laranjal, em Pelotas, em 11 de fevereiro. A declaração emocionou ainda mais o pai de um dos dois homens resgatados, que apenas queria agradecer pela sobrevivência do filho, o professor Fábio Amaro da Silveira Duval.

Ele e um amigo, Rodrigo Duque Estrada Campos, estavam velejando na Lagoa dos Patos quando a embarcação teve problemas e parou. Os dois guarda-vidas viram que havia algo errado e entraram na água com dois caiaques. Só que não imaginavam que, além das dificuldades de qualquer salvamento, teriam de enfrentar duas fortes tempestades durante a operação.

A história veio à tona porque o professor Fábio publicou uma carta nas redes sociais (leia o texto abaixo), contando os detalhes do resgate de quase três horas. O relato chegou até o governador Eduardo Leite: “Me emocionou. Quase que nos transporta para aquela situação. Se não fosse isso, talvez a gente fosse ler só mais uma notícia de um salvamento. Cada resgate tem a sua epopeia e, por isso, esta homenagem serve para cada servidor da Segurança Pública que, para cumprir sua função, arrisca a própria vida. Isso fica meio banalizado, mas esse relato nos ajuda a entender o que é essa missão”.

Por causa de tanta bravura, os soldados Santos e Cruz receberam a comenda do Corpo de Bombeiros, na manhã deste sábado (23). O governador, o vice-governador e secretário da Segurança Púbica, Ranolfo Vieira Júnior, e comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Cesar Eduardo Bonfanti, participaram da solenidade, na Praia do Laranjal.

Reencontro feliz e emocionante

Os guarda-vidas e o professor se reencontraram no evento e falaram da história que, felizmente, terminou bem. O outro sobrevivente não pode participar da homenagem.

“A gente tinha que sair daquele temporal com vida e com as vítimas em segurança. Os raios davam um medo no coração, mas a gente sabia que tinha de chegar na praia. Estávamos todos com medo. Estamos acostumados, mas a força da natureza é sempre uma incógnita”, contou o soldado Cruz, que está na quinta Operação Verão.

“O veleiro estava cheio de água. Ficava mais pesado, muito difícil. Foi no braço mesmo, puxando na raça”, lembrou o soldado Santos, que atua pela primeira vez como guarda-vidas.

“Eles nos tiraram do meio da tempestade, com dois caiaques, numa situação totalmente adversa. Eu só tenho a agradecer e aproveito para pedir cada vez o reconhecimento dos guarda-vidas. Se não fossem eles, talvez eu não estivesse aqui”, agradeceu Fábio.

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