SANTA CATARINA: “Ficamos com aquele aperto no coração”, diz policial que deu cestas básicas para homem que furtou comida

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Soldados Tiago Cardoso de Assis e Dalcione Rosso Corrêa participaram do programa Timeline Gaúcha desta sexta-feira

A própria vítima do furto se sensibilizou com a história Portal Veneza / Divulgação

GAÚCHAZH

Um caso de solidariedade tomou conta dos jornais do país nesta semana. Ao ser preso por furto de comida em uma casa no município de Nova Veneza, em Santa Catarina, o homem, pai de sete filhos, contou aos policiais que estava há dias sem comer, assim como sua família. Os agentes, então, se comoveram com a  história e doaram cestas básicas para a família.

O programa Timeline, da Rádio Gaúcha, entrevistou Tiago Cardoso de Assis e Dalcione Rosso Corrêa, soldados que atenderam a ocorrência. Após a denúncia da vítima, os agentes foram até a residencia do suspeito de furto na última terça-feira (28). A esposa do homem identificado recebeu os policiais e contou que o marido tinha saído para procurar emprego.

Segundo eles, assim que o homem chegou em casa, a reação dele os surpreendeu. Ele logo confessou o crime

— Ele disse que fazia um dia e meio que eu estava em jejum e estava ficando desesperado. Estava desempregado. (…) Nisso já começamos a pensar diferente da situação — disse Assis.

Segundo os policiais, a situação da casa é bem precária, sem geladeira e com poucos móveis. Os filhos mais novos, um de 28 dias e outro de 1 ano e meio, estavam dormindo. Assis conta que os agentes fizeram os procedimentos de sempre.

— Conduzimos ele para a delegacia, só que ficamos com aquele aperto no coração — conta o soldado.

O homem foi preso em flagrante e depois liberado para responder ao processo em liberdade. Os policiais se comoveram com a história e compraram cestas básicas para a família. Outros amigos conseguiram mais doações.  Rodrigo Nazário, vítima do furto, também se solidarizou e comprou caixas de leite para as crianças.

O soldado Assis disse que conversou com o homem e o aconselhou.

— A gente orientou ele de que existiriam outras maneiras. Buscando assistentes sociais, procurando igrejas. Antes de cometer um crime, temos que buscar outros meios que não sejam delitos.

Assis também deixou a mensagem para que os colegas de profissão sigam o exemplo.

— Que eles se sintam motivados a ajudar o próximo— finaliza.

Ouça a entrevista completa: