ATLAS DA VIOLÊNCIA: RS atinge em 2017 maior taxa de homicídios em 10 anos

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Dados mostram que Estado registrou 29,3 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Levantamento, porém, ainda não reflete redução das mortes contabilizadas pela SSP a partir de 2018

GAUCHAZH

taxa de homicídios do Rio Grande do Sul cresceu pela quarta vez consecutiva e atingiu o maior número em 10 anos. Em 2017, Estado registrou 29,3 mortes a cada 100 mil habitantes, conforme dados do Atlas da Violência — produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) —, divulgado nesta quarta-feira (5).

Para chegar ao índice, os pesquisadores calculam os números de homicídios para cada 100 mil habitantes. Dessa forma, a contagem permite a comparação entre locais com diferentes tamanhos de população, criando um padrão para análise.

Apesar do crescimento no período, o RS ainda está abaixo da média nacional (31,6) e ocupa o 20º lugar entre os 26 Estados e o Distrito Federal. São Paulo — com 10,3 homicídios por 100 mil habitantes — possui a menor taxa, enquanto o Rio Grande do Norte — com taxa de 62,8 — é o Estado mais violento do Brasil conforme a pesquisa. 

Em números absolutos, o Rio Grande do Sul é o oitavo com mais assassinatos. Em 2017, segundo o Atlas, foram 3.316 casos no Estado.

Atual diretora do Departamento de Homicídios de Porto Alegre, a delegada Vanessa Pitrez afirma o número explodiu a partir de 2013 por causa do cenário nacional e atingiu seu pico em 2016 e 2017.

— Esse pico de elevação dos homicídios coincidiu com os períodos mais críticos da crise econômica do Brasil. Começou lá em 2014 e se estendeu até 2017. Nesse período, as organizações criminosas se aproveitaram da crise, da instabilidade econômica dos Estados, para se municiar, armar e começar uma guerra de facções e domínios de pontos de drogas— diz.

O sociólogo Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, integrante do FBSP, aponta ainda como motivo para o aumento da taxa o descontrole no sistema prisional, citando o exemplo do Presídio Central de Porto Alegre, que acaba por fortalecer as facções.

— Na medida em que se há uma política de encarceramento pesado, via prisão preventiva, especialmente de soldados do tráfico, eles acabam dentro da prisão sendo arregimentados e vinculados à dinâmica e ao domínio de território, que vai acontecer tanto fora quanto dentro do presídio – comenta.

Azevedo ainda destaca que o RS sempre manteve uma taxa bastante abaixo da média nacional, cenário que começou a mudar a partir de 2015, quando os números se aproximaram.

Segundo a delegada Vanessa, contudo, o investimento em inteligência e o isolamento de líderes de facções em presídios federais na Operação Pulso Firme, ainda em 2017,contribuíram para uma redução expressiva dos homicídios no ano passado, mas que só será observada na próxima edição do Atlas da Violência. 

— Podes observar aqueles crimes de decapitação, esquartejamento, com requintes de crueldade, que ocorreram em 2016 e no início de 2017 (…) Isso, a partir do momento que se conseguiu isolar esses líderes, esse tipo de delito praticamente cessou aqui no Estado — afirma.

Dados da SSP

Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgados no começo de 2018 apontam para redução no número de homicídios no Rio Grande do Sul na comparação com o ano anterior. Conforme a SSP, foram 2.954 assassinatos em 2017 e 2.302 no ano passado – redução de 22,1%.