Hospital da Brigada Militar de Santa Maria precisa de R$ 1,9 milhão para fazer obras

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Instituição atende cerca de 4 mil pacientes por mês

Foto: Pedro Piegas (Diário)

Dandara Flores Aranguiz Diario de Santa Maria

Não é só a população civil que sofre com as restrições nos atendimentos em saúde por conta da crise financeira do Estado. O Hospital da Brigada Militar de Santa Maria (HBM/SM), que atende cerca de 4 mil pacientes ao mês, também precisa de ajuda para concluir algumas reformas estruturais. Pensando nisso, a Associação dos Oficiais da Brigada Militar e do Corpo de Bombeiros (ASOFBM) iniciou, em maio, a campanha “O HBM é Nosso”, para arrecadar fundos para a conclusão das obras dos hospitais da BM de Porto Alegre e de Santa Maria.

A instituição vem enfrentando algumas dificuldades em função de reformas que ainda não foram concluídas, como a do setor de fisioterapia, que começou em 2014, mas está parada desde 2016 por falta de liberação de recursos. Segundo a diretora do hospital, a tenente-coronel Gelsa Fiorin Frazzon, o HBM possui, atualmente, 32 leitos ativos, mas poderia ter 47 se os 15 leitos de uma das unidades de internação não estivessem “ocupados” pelo setor de fisioterapia. O espaço está sendo utilizado há cinco anos até que a reforma no prédio ao lado do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO) seja concluída.

– Para não ficarmos sem o serviço, colocamos na unidade de internação, mas, mesmo assim, ele não está operando 100% nesse local. Neste ano, tivemos que priorizar alguns pilares. Além da fisioterapia, temos a parte elétrica, o centro cirúrgico e o telhado que são nossas quatro principais prioridades – comenta a diretora, frisando a necessidade de melhorias.

Segundo a direção, seriam necessários R$ 1,9 milhão para as obras nessas quatro áreas (veja abaixo o valor orçado para cada serviço). Outro atendimento que está operando com restrições é o bloco cirúrgico. Desde o início de 2018, o setor só executa procedimentos de baixa complexidade, com anestesia local. No início, o problema era a falta de anestesistas. Em janeiro deste ano, o hospital chegou a assinar o contrato com uma empresa terceirizada e anunciou o retorno de cirurgias de média complexidade, mas o HBM foi notificado pela Vigilância Sanitária e precisou adiar a abertura do bloco.

– Fomos notificados, em uma fiscalização de rotina, a adequar o fluxo do centro de material e esterilização e também reestruturar o centro cirúrgico através de um projeto arquitetônico para atender às normas sanitárias. Encaminhamos o projeto arquitetônico, que está em tramitação, mas precisamos de recurso para executar. Isso tudo impacta no atendimento, pois temos que encaminhar para outras instituições, e o servidor tem que pagar anestesia, além de reduzir a produtividade. Fora a questão do equipamento parado, que precisamos fazer manutenção – destaca Gelsa.

A CAMPANHA
O Hospital da Brigada Militar de Santa Maria foi inaugurado em 1946, por meio de doações dos próprios policiais, que tinham descontado na folha salarial um dia de provento por mês. Muitos deles, inclusive, colaboraram com o esforço físico na construção da estrutura.

Segundo o coronel Marcos Paulo Beck, presidente da ASOFBM, que está à frente da campanha para ajudar os dois hospitais para policiais militares no Rio Grande do Sul, juntas, as duas instituições atendem cerca de 40 mil famílias de brigadianos no Estado.

– A polícia ostensiva é a primeira linha de defesa do cidadão e nossos militares têm de recorrer aos nossos hospitais. A verdade é que o ente público deixou esses hospitais chegarem num estado de descaso, com salas em ruínas, então, nós resolvemos lutar por melhores condições e pela decência da instituição – declarou.

A campanha “O HBM é Nosso” não tem prazo para terminar e pessoas físicas ou jurídicas podem fazer doações de qualquer quantia para ajudar na causa (abaixo, saiba como fazer a sua doação).

O HBM EM NÚMEROS
Atendimentos

  • A unidade de Santa Maria presta atendimento aos policiais militares e servidores civis da Brigada Militar e dependentes, das regiões Central, Fronteira, Noroeste, Oeste e parte do Sul do Estado. Cerca de 85% dos atendimentos são para policiais militares e dependentes, e o restante é voltado a servidores civis do IPE Saúde. O hospital não atende via Sistema Único de Saúde (SUS)
  • São realizados, em média, 4 mil atendimentos por mês
  • 32 leitos de internação e 115 funcionários
  • Possui Pronto-Atendimento 24 horas (adulto e pediátrico), atendimento ambulatorial (comente para policiais militares, servidores civis e dependentes), serviço de odontologia, fisioterapia e ainda realiza visitas médicas e atendimentos voltados à saúde preventiva dos policiais militares

Especialidades 

  • Cardiologia, cirurgia bucomaxilofacial, cirurgia plástica, clínica geral, angiologia, dermatologia, oncologia, ginecologia, reumatologia, gastroenterologia, neurologia, nutrição, cirurgia geral, pediatria, proctologia, psicologia, psiquiatria, traumatologia e urologia

Gastos 

  • Custeio (manutenção) – R$ 100 mil ao mês
  • Contratos (funcionários e terceirizados) – R$ 826 mil ao mês

Orçamento para reformas 

  • Telhado – R$ 800 mil (precisa trocar toda a estrutura, que é original e em alguns pontos específicos há problemas de infiltração)
  • Rede elétrica – R$ 250 mil (para projeto e execução)
  • Setor de Fisioterapia – R$ 350 mil (as paredes já foram feitas, mas falta a parte hidráulica, elétrica, piso, pintura e trocar o telhado)
  • Bloco cirúrgico – R$ 500 mil (obra para possibilitar o fluxo do Centro de Material e reformas estruturais)
  • Total – R$ 1,9 milhão

Campanha HBM é Nosso 

  • As doações são voluntárias e podem ser feitas por qualquer pessoa por depósito na conta da Fundação da Brigada Militar, que será responsável pelo controle dos valores e pela transparência das informações
  • Banco Sicredi (748)
  • Agência – 0185
  • Conta Corrente – 06044-5
  • CNPJ – 02.579.915/0001-29