“Com bandidagem não tem negociação”, diz novo secretário de Segurança do governo Marchezan

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Fã de Bolsonaro e faixa preta em jiu-jítsu, o policial civil Rafão Oliveira assumiu o cargo na prefeitura de Porto Alegre nesta terça-feira (11)

Em post durante a campanha para deputado estadual, Rafão mostra o que chama de “remédio para pedófilos”Reprodução / Facebook

GAUCHAZH

Faixa preta em jiu-jítsu e muay thai, comissário de polícia, instrutor de tiro e bacharel em Direito, Rafão Oliveira (PTB) chama atenção, em primeiro lugar, pelo corpanzil: são 110 quilos distribuídos em 1m92cm de altura – e ele informa que “só 8% é gordura corporal”.

Mas o novo secretário de Segurança de Porto Alegre, nos últimos tempos, também atraiu olhares devido a seus posts nas redes sociais. “Fui fazer a sessão de fotos pra minha campanha a deputado estadual e encontrei esse REMÉDIO PARA PEDÓFILOS”, escreveu ele no Facebook, em agosto passado, quando posou empunhando um pedaço de madeira.

Em outras publicações – entre aplausos a Bolsonaro e Olavo de Carvalho –, Rafão aparece apontando uma escopeta para a câmera enquanto defende a pena de morte. 

– Sou policial há 27 anos, então as armas são meus instrumentos de trabalho. As fotos até podem impactar alguém, mas é como se um marceneiro posasse com serrote e martelo – compara ele, suplente de vereador que, neste ano, chegou a ocupar por quatro meses uma cadeira na Câmara.

Reprodução / Facebook
Policial civil há 27 anos, ele aponta uma escopeta para câmera em publicação defendendo a pena de morteReprodução / Facebook

Aos 48 anos, casado e pai de quatro filhos, Rafão diz que “será uma bênção cuidar de 1,5 milhão de habitantes”. Como secretário, sua meta é terminar o cercamento eletrônico da cidade, por meio de lombadas e pardais, e montar uma “estratégia integrada” da Guarda Municipal com a Brigada Militar para “devolver a liberdade” aos porto-alegrenses – especialmente em praças e parques, áreas de competência do município.

– É uma responsabilidade muito grande, que vou cumprir com maestria – garante ele.

Questionado sobre como botará em prática seu inflamado discurso contra os criminosos, Rafão pondera, primeiro, que “a segurança repressiva está a cargo do governo estadual”. Mas diz que a “ditadura da bandidagem” não pode mais seguir determinando a forma como cada cidadão toca sua vida:

– Com bandidagem não tem negociação. Até porque a opção do confronto sempre vai ser do bandido. Minha meta é fazer com que, no Brasil, não seja um bom negócio ser criminoso. É uma missão de paz, não de violência.