Superlotação de presos em delegacia de Porto Alegre gera tumulto e prejudica registro de ocorrências

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Além da carceragem, uma sala ao lado com janela para a Avenida Ipiranga estava abrigando detentos na 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento nesta terça-feira

GAUCHAZH

superlotação de presos no Palácio da Polícia está prejudicando o registro de ocorrências na 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento — a principal de Porto Alegre — nesta terça-feira (11). Durante a tarde, quem chegava ao local se deparava com presos na rua e no acesso à delegacia — isso estaria dificultando o registro de crimes. 

número de presos no local não foi informado pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seapen), que confirmou a superlotação. Segundo a pasta, o problema ocorreu por causa da operação da Polícia Civil na manhã desta terça, que terminou com 84 presos e um adolescente apreendido, além das prisões que ocorrem normalmente. 

Além da carceragem, uma sala ao lado com janela para a Avenida Ipiranga estava abrigando presos. Quem estava do lado de fora, como pedestres e até mesmo familiares de detidos, conseguia se comunicar com eles através de uma grade. Por volta das 16h15min, cerca de 10 presos foram levados em um micro-ônibus da Brigada Militar para o Presídio Central

Mesmo assim, presos permaneceram nas viaturas aguardando o registro do flagrante. A poucos metros do irmão que estava no porta-malas de um veículo, uma mulher se queixava da falta de informações. 

— Cheguei aqui, falaram que ele não estava, mas outros presos que o conhecem disseram que ele esteve aqui, mas não havia sido escutado ainda. Agora ele está ali, na viatura — reclamou a mulher, que não quis se identificar. 

Robinson Estrásulas / Agencia RBS
Presos levados em micro-ônibus da BMRobinson Estrásulas / Agencia RBS

Um agente, ligado ao Sindicato dos Servidores da Polícia Civil, flagrou tumulto pela manhã, em uma sala lotada com presos algemados uns nos outros. Segundo o presidente do sindicato, Emerson Ayres, a sala foi improvisada como cela para não haver descumprimento de medida que proíbe manutenção de presos em viaturas: 

— Quando houve a liminar para retirar presos das viaturas, o que o governo fez foi tirar da viatura e colocar em uma peça. Tem tanta gente que a porta dessa peça não pode nem ser fechada. 

Para Ayres, os policiais ainda correm risco de vida por causa da manutenção de presos de facções diferentes em um mesmo local, o que pode gerar confrontos, além de problemas de saúde pelo contato com presos doentes. 

A diretora do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), delegada Adriana Regina da Costa, afirma que a Polícia Civil trabalha para conseguir mais vagas com a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), e que uma parte já foi transferida durante à tarde. A Seapen acrescenta que está trabalhando para não descumprir a liminar.