Morte de dois policiais em ação é caso raro no RS

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Na noite desta quarta-feira, dois BMs foram mortos no bairro Partenon

GAUCHAZH

Mesmo os mais veteranos policiais gaúchos têm dificuldade de lembrar episódios de dupla morte de policiais na história criminal do Rio Grande do Sul, como aconteceu nesta quarta-feira (26) no Partenon, em Porto Alegre.

Um deles ocorreu na madrugada de Natal de 1995. O sargento da BM Eli Valmor Silva Silveira, 45 anos, e o soldado Luiz Carlos Ferreira Vicente, 31 anos, foram executados com tiros na cabeça e pelas costas, em Canoas. 

Lotados no 15º Batalhão de Polícia Militar, os PMs faziam ronda em uma viatura do bairro Niterói, e desceram do carro para abordar suspeitos de praticar assaltos na região.

Reportagem de Zero Hora em 1995Reprodução / Zero Hora/CDI

Um adolescente de 17 anos, apreendido cinco dias depois, admitiu envolvimento no crime, apontando um homem de 28 anos como autor do duplo homicídio, que acabou preso. Ele negou participação no crime, mas foi delatado pelo adolescente. 

Conforme relato do rapaz,  ele mostrava documentos para os PMs, enquanto o comparsa levantou a camisa com uma das mãos, mostrando que estava desarmado. Mas, com a outra, fingindo pegar a carteira no bolso traseiro da calça, puxou um revólver calibre . 38 e rendeu os policiais, que estariam com as armas nos coldres. Eles foram obrigados a entregar as armas e se ajoelharem. 

Reportagem de Zero Hora em 1995Reprodução / Zero Hora/CDI

O criminoso teria dito para o adolescente atirar contra um dos PMs, ordem que teria desobedecido. A partir daí, segundo relato do adolescente, o homem teria dito: “é assim que se faz, trouxa”, e atirou contra o sargento. O soldado tentou fugir, mas também foi alvejado. Caído, recebeu mais um tiro fatal.  O motivo do crime seria o fato de o homem ser autor de roubos e temer ser preso.  

Em setembro de 1996, o adolescente foi apontado como autor da morte do policial civil Joel Teixeira, 41 anos, lotado na 4ª Delegacia da Polícia Civil de Canoas. Teixeira havia abordado dois suspeitos em um casebre no bairro Rio Branco, quando foi atingido por dois tiros na cabeça. 

No dia seguinte, o adolescente foi morto a tiros em confronto com policiais no bairro Niterói. Em 1999, o Tribunal de Justiça do Estado determinou pena de 23 anos e quatro meses para o matador dos dois PMs, João Bernardino Souza de Barros. Aos 51 anos, ele segue preso, com nove condenações até 2028.

Um outro episódio semelhante aconteceu em 1993 no Morro da Cruz, em Porto Alegre. Os policiais Jorge Luís Almeida Corrêa, 33 anos, e Lima Roberto Schneider dos Santos, 28 anos, da 15ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, prenderam um conhecido traficante e o colocaram no banco de trás da viatura, um Gol. O rapaz foi algemado com as mãos para a frente. 

Aproveitando-se de uma distração, ele agarrou um revólver dos agentes que estavam entre os dois bancos da frente e atirou nos dois agentes, numa sucessão de tiros. O carro, desgovernado, bateu num poste e o assassino fugiu. Foi encurralado meses depois quando tentava assaltar uma fábrica e foi morto a tiros por policiais civis. 

Reprodução / Zero Hora/CDI
Reportagem de Zero Hora em 1993Reprodução / Zero Hora/CDI

Outro caso aconteceu em setembro de 1985. O assaltante João Clóvis de Oliveira Vieira, o Topo-Gigio, era escoltado num ônibus da Expresso Caxiense por dois agentes penitenciários, de Caxias do Sul para Porto Alegre, onde teria audiência judicial. 

Logo após o coletivo deixar a rodoviária caxiense, três homens levantaram dos bancos e anunciaram a intenção de libertar Topo-Gigio. Os dois servidores da Susepe reagiram e morreram num tiroteio no ônibus lotado. Uma terceira passageira ficou ferida. Foram reconhecidos pelo duplo homicídio os assaltantes Dilonei Melara e Celestino Linn. O sequestro do ônibus terminou somente em Portão, onde os quatro bandidos escaparam após roubar um carro. 

Reprodução / Zero Hora/CDI
Reportagem de Zero Hora em 1985Reprodução / Zero Hora/CDI