OSCAR BESSI: Os Heróis do 19

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Correio do Povo

Não há palavras. Não há uma frase que seja capaz de dizer tudo o que sentimos. Toda vez que um colega de farda nos deixa, no cumprimento do dever, tombado por criminosos na batalha diária no front, tendemos ao silêncio. Este silêncio que não é só respeito, é solidariedade e indignação, angústia e dor. E também uma tristeza tão ampla, tão densa e absurda que nos faz rever, mesmo que sem intenção, todos os ideais de proteção à sociedade que juramos um dia, ao aceitarmos ser policiais. Ninguém sobrevive à tragédia sem deixar pedaços incólumes de si pelo caminho.

O que aconteceu aos soldados Rodrigo da Silva Seixas e Marcelo de Fraga Feijó, não éoque esperamos de uma sociedade que labuta todo dia em busca de paz e cidadania. É o erro. É o absurdo. É o desdenhar da regra mais básica da humanidade que é amar ao próximo. Alguns homens e mulheres escolhem proteger o mais sagrado direito que é o da liberdade e da vida. E optam por arriscar a vida, todos os dias, para combater em nome da dignidade, da oportunidade e da liberdade de escolha tudo o que é ceifado de gerações inteiras de nossas famílias por traficantes de drogas e outros criminosos da mesma estirpe. Mesmo que eles fiquem apenas alguns dias na cadeia e voltem mais informados e bem armados para cometer seus crimes. Mesmo que esses criminosos joguem na cara dos policiais militares serem amigos desta ou daquela personalidade. Mesmo que os salários estejam parcelados e as dificuldades a cada mês sejam maiores. Esses caras, que defendem suas famílias e seus amigos, caros leitores, não recebem qualquer tolerância ou compreensão do sistema. Mesmo assim, levam ao pé da letra o sacrifício da própria vida.

O pelotão é uma família, decidida a combater o crime, decidida a enfrentar criminosos sem limites, decidida a proteger cidadãos que nem conhece. Os dois colegas que partiram estavam sempre prontos para qualquer missão, sem dia ou hora para entrar em serviço. Feijó era um sujeito detalhista. No seu sepultamento, o coturno caprichosamente limpo sob o caixão mostrava seu apreço com os detalhes do serviço. Era extrovertido e gostava de relembrar suas histórias dos tempos de PE, no Exército. Rodrigo era mais reservado, mas também extremamente dedicado ao serviço. E não pensou duas vezes ao tentar salvar seu colega que estava ferido. Eles são heróis. Ao pé da letra. Guerreiros do bem. Heróis anônimos, sob batalhas diárias, incógnitos até que uma tragédia os relevou para o mundo. Nossa continência ao Rodrigo da Silva Seixas e ao Marcelo de Fraga Feijó. Às famílias. E aos policiais que honram sua missão todos os dias nos quatro cantos deste país.