Quando morre um policial

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Policial civil foi morto durante operação em Montenegro nesta terça-feira

GAUCHAZH

Ouvi atentamente a entrevista da chefe de Polícia Civil do Estado a caminho do trabalho na manhã gelada desta terça-feira (16). Com a dor de quem acabara de perder um dos integrantes da “família Polícia Civil”, a delegada Nadine Anflor fornecia, a caminho do local do crime, informações sobre a operação que resultou na morte de mais um policial em serviço em solo gaúcho. 

Em três semanas, é o quarto que perde a vida em atividade. Os outros três eram policiais militares.

— A gente sempre coloca a nossa vida para defender vidas. Muitas vidas que sequer a gente conhece — desabafou.

A família ainda não tinha sido avisada sobre a perda, por isso a discrição sobre o nome do profissional atingido. Nadine acrescentou ainda a informação de que outro agente havia sido ferido durante a ação, em cumprimento de mandado de busca em ofensiva para combater abigeato no Estado.

A jornalista Rosane de Oliveira questionou Nadine sobre se a quarta morte de um agente de segurança num curto espaço de tempo teria a ver com o enfrentamento da criminalidade que assusta os cidadãos gaúchos todos os dias. É difícil ver o filho sair de casa, a mãe chegar tarde, caminhar na rua, esperar o ônibus na parada. Todos os dias a gente tem medo de ser vítima de uma realidade que virou rotina sem que tivéssemos a opção de renega-la.

delegada Nadine acredita que sim. Que o avanço das operações policiais, que o trabalho árduo para combater criminosos tem produzido reações e, infelizmente, para defender a sociedade o policial acaba arriscando a própria vida.

— Estamos sim mais expostos. Sabemos que ao sairmos de casa nós podemos não retornar — dividiu.

Triste é a realidade de uma sociedade que convive com a dor de não saber se conseguirá voltar para a casa em segurança. O alento, neste drama cotidiano, foi trazido pela própria Nadine, de que os esforços não diminuirão para enfrentar a criminalidade da qual somos vítimas.

— Isso não vai fazer com que os policiais deixem de cumprir a sua missão, a missão de proteger a sociedade gaúcha — reforçou.

Força à família do agente. Força à família Polícia Civil. Força à família Brigada Militar. Nossa solidariedade àqueles que arriscam a própria vida para proteger a sociedade gaúcha.