Oscar Bessi: O ensino policial militar

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Alunos-soldados Foto:EsFES Montenegro

Por Oscar Bessi Correio do Povo

Talvez a comunidade nem sonhe o quão complexa é a formação de um policial militar. O que – e o quanto – é feito para que aquele homem ou mulher, de farda, equipado para combater o crime e prevenir a violência, esteja ali nas ruas, a pé, a cavalo ou numa viatura, pronto para atender qualquer cidadão. Em condições de socorrer, enfrentar, intervir para ajudar, mediar ou salvar. Orientar crianças na escola ou conduzir vítimas do trânsito. Amparar dores e desesperos. Não éoquanto de PMs a nossa justa necessidade de se sentir mais seguro pede. Nem é só abrir mais um concurso público e fazer alguém vestir farda. Há mais, muito mais.

Depois de três décadas em batalhão, fui servir numa Escola de Formação e Especialização de Soldados (EsFES). E conheci a rotina de jovens que lutam todo o dia para se adaptar às exigências da profissão e se esforçam para assimilar o conhecimento necessário para bem desempenhá-la. As coordenações de curso, com oficiais, sargentos e soldados mais antigos, munidos de conhecimento, experiência e vigor para renunciar à família em nome da formação diuturna dos futuros PMs. Conheci a estrutura das Escolas e do Departamento de Ensino da BM, o planejamento incessante de calendários, provas, instruções teóricas e práticas. Complexidade que qualquer curso de formação superior exige. E um PM, além da resistência física e emocional para enfrentar tensões e tragédias, precisa conhecer as legislações diversas, do código penal à Constituição, do Estatutos do Idoso e da Criança e do Adolescente, às legislações sobre drogas, direitos humanos, Maria da Penha, ambiental, de trânsito e outras tantas, que asseguram a liberdade individual e coletiva. Que protegem a cidadania. E precisa saber atirar, correr equipado, imobilizar, algemar, conduzir viaturas em emergência, dominar situações adversas, dialogar com o juiz e o operário sem melindres. Enfim, não cabe num texto tudo o que precisa saber.

Entre quase meia centena de disciplinas e estágios supervisionados, além do treinamento específico de adaptação à vida militar, esses novos guardiões do povo são conduzidos por instrutores especialistas. Que, para poder dar aulas, também não abrem mão dos demais serviços nos batalhões e unidades onde servem. Abnegados oficiais e praças, em jornada dupla, que ensinam, educam, constroem. Pois se formar policiais militares exige um grande investimento de recursos humanos e materiais, também pede esse intenso e complexo trabalho educacional. E todo ano eles voltarão às salas de aula para se atualizar. Afora os cursos de ascensão na carreira, que já envolvem nova formação, e as especializações. Esta excelência do Ensino na BM, cada gaúcho pode conferir na qualidade do atendimento que cada policial militar lhe dedica, RS afora.