O amor pela Brigada Militar passado de pai para filha

342

No dia dos pais deste ano, o Diário conta a história do Sargento Nicanor e da Soldado Cíntia, de Passo Fundo. Inspirada pelo pai, Cíntia entrou na corporação para seguir os passos do seu herói

Por Ana Cláudia Capellari PORTAL DIÁRIO DA MANHÃ

“Pra que digam quando eu passe saiu igualzito ao pai”. O clássico da música nativista gaúcha, de 1983, dá o tom para as linhas a seguir.  De fato, Cíntia Pereira Reis ‘saiu igualzita ao pai’, Nicanor José Lemos Pereira. Cíntia, de 38 anos, é soldado na Brigada Militar (BM) em Passo Fundo há 12 anos, enquanto seu pai, Sargento Nicanor, atua na corporação há cerca de quatro décadas.  Em outubro deste ano o sargento deve se aposentar. Cíntia conta que a profissão de policial militar sempre foi admirada na família e que ainda criança sonhava em usar, assim como o pai, a farda da BM. “Sempre quis seguir a carreira, sempre amei a profissão e estudei para poder me formar e entrar na Brigada”, ressalta.

Quando decidiu que faria o concurso para a Brigada, lembra Cíntia, seu pai ficou “um pouco surpreso”, mas orgulhoso.  “Ele sempre me incentivou, apoiou e ama a profissão, a vida toda viveu isso”, diz. Algumas etapas do curso de soldado, relembra, ocorreram em Porto Alegre e nesses momentos – já que Cíntia não conhecia muito a capital gaúcha – lá estava seu Nicanor. “Ele sempre esteve junto comigo, tanto que no dia da formatura, cada um ‘pegava’ um padrinho para colocar o nome da pessoa na farda e eu escolhi justamente o meu pai”, conta.

Na formatura do curso de Soldado Cíntia escolheu seu herói e maior inspiração para ser ‘padrinho’. Cerimônia marcante para pai e filha ocorreu há 12 anos

Das lembranças da infância, onde Cíntia aprendeu a amar a profissão do pai, a soldado diz que na maior parte do tempo Nicanor estava no trabalho. “Quando ele chegava em casa era uma felicidade, passávamos o dia todo sem ver ele. A profissão é assim mesmo, mas sempre entendemos. Não tem final de semana, feriado”.   Cíntia e Nicanor trabalharam juntos desde o início da carreira da soldado, o que proporcionou a ela contar com os conselhos do pai e ter todo o suporte necessário para encarar os desafios da profissão. “O pai me viu fazer todo o curso, que foi aqui em Passo Fundo, então ele sempre me apoiou, me ajudou a manter o foco e continuar”.

Soldado há 12 anos, Cíntia almeja ser capitã. “Terminei neste ano a faculdade de Direito, pois meu objetivo é ser capitã. O pai continua me apoiando e ele diz que se é isso que eu quero, eu tenho que baixar a cabeça e estudar. Meu pai é tudo para mim, eu não sei o que faria sem ele”, diz, emocionada sobre o ‘seu’ Nicanor.

Lembrança da festa de 15 anos de Cíntia

O QUE ELE ENSINOU

De todos os ensinamentos e conselhos que Nicanor – pai, colega de corporação e Sargento – deu para a filha, advogada por formação e soldado da BM, Cíntia destaca a generosidade. “Ele sempre me passou de que temos que ajudar os outros, a nossa profissão é assim, temos que tentar nos colocar no lugar das pessoas e ajudar aqueles que precisam”.  Além do coração generoso, a perseverança é uma característica de Nicanor que a soldado carrega todos os dias. “Durante o curso dava vontade de desistir, mas ele sempre me dizia ‘minha filha, não desiste, continua que tu vai alcançar’”. É uma das maiores lições que o meu pai me ensinou, de que não podemos desistir dos nossos objetivos”, completa.