Detidos em cerco a assaltantes de banco são liberados e denunciam violência policial

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Segundo a Brigada Militar, os quatro presos eram suspeitos de tentar resgatar quadrilha, mas Polícia Civil sustenta que eles não possuem envolvimento direto com o roubo e que o flagrante não foi confirmado

GAUCHAZH

As quatro pessoas detidas durante o cerco aos criminosos que atacaram a agência do Sicredi de Vale Verde, no Vale do Rio Pardo, na semana passada, foram liberadas após prestar depoimento à Polícia Civil. Duas mulheres e dois homens, que não tiveram os nomes divulgados, confirmaram que estavam na região para resgatar os assaltantes, que estariam escondidos na mata.

Segundo a Brigada Militar, eles foram presos no interior de Venâncio Aires na manhã de segunda-feira (12) em dois carros. As mulheres são profissionais da saúde e uma delas seria namorada de um dos bandidos. Com elas, foram encontradas roupas, alimentos e materiais de primeiros socorros, o que confirmaria a suspeita da BM de que um dos assaltantes estaria ferido.

De acordo com o delegado Felipe Cano, da Delegacia de Venâncio Aires, os detidos não conseguiram localizar o bando e fazer o resgate, e acabaram abordados no cerco  montado pela polícia. O delegado afirma que os quatro não possuem envolvimento direto com o roubo ao banco e, por isso, não foi confirmado o flagrante. Eles foram dispensados da delegacia no final da tarde de segunda.

— Eles não tinham nada do roubo. Teriam dito que um dos homens tinha R$ 3,7 mil em dinheiro e que as notas teriam numerações sequenciais, o que poderia indicar ser do banco atacado, mas não é verdade. O homem provou que o dinheiro veio de uma rescisão trabalhista, ele estava com a carteira de trabalho — disse Cano.

Brigada Militar / Divulgação
Duas mulheres foram detidas no cerco da Brigada MilitarBrigada Militar / Divulgação

Durante depoimento à Polícia Civil, os quatro detidos alegaram que teriam sido vítimas de violência policial. Eles teriam afirmado que foram presos às 20h de domingo (11) e só foram apresentados na delegacia ao meio-dia de segunda (12). Nesse intervalo de 16 horas, os suspeitos disseram que sofreram agressões físicas e foram obrigados pelos PMs a tirar a roupa para repassar informações sobre os assaltantes.

— Todos eles dizem que foram torturados. Que obrigaram eles a tirar a roupa, que apanharam. Eles possuem lesões pelo corpo. Essa questão de eles possivelmente terem sido torturados agora também será apurada — explicou o delegado.

GaúchaZH tenta contato com o comando do 23º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo cerco policial, e com o Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Vale do Rio Pardo (CRPO), mas ainda não obteve retorno nas ligações.