A BM se despede do empreendedor, intelectual e religioso Coronel João Amado Réquia.

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Nesta quinta-feira (10/6) ocorreu a cerimônia de despedida de uma figura histórica da Brigada Militar, o Coronel João Amado Réquia, aos 93 anos, um dos currículos mais notável da Brigada Militar.

O Jornal Correio Brigadiano presta uma homenagem a esta figura histórica, reproduzindo matéria postada pelo nosso site ABC da Segurança, na galeria “Histórias de Vida” em 21 de agosto de 2012


ABC DA SEGURANÇA

O Cel atleta, empreendedor, intelectual e religioso

Imagem produzida em 2012

 Santamariense João Amado Réquia é detentor de um dos maiores currículos brigadiano

 A inquietude do jovem num coração de 84 anos, calibrado semestralmente no marcapasso companheiro. Um intelectual atento aos prolemas econômicos. O atleta da década de 50, também é o militatnte católico que desde 1978, dirige com Ivony, os Encontros de Casais com Cristo (ECC), com um ranking de mais de 70 palestras. E  mesmo com o meio século de tempo que está na inatividade (reserva e reforma), não o torna desatualizado e alheio à Brigada Mlitar. Recentemente, encaminhou uma proposta sugerindo que a seleção para capitães (bacharéis em direito), ocorra por prova de título que priorize pontuação nas produções acadêmicas que tratem de questões da segurança pública. A proposta foi encaminhada à AsOfBM, para envio ao comando da corporação.

João Amado Réquia é um santamariense que ingressou na Brigada Militar em 20 de janeiro de 1944, no 1ºRPMon, à época 1º Regimento de Cavalaria, aos 17 anos. O menino, filho do seu João Olinto e dona Zenóbia, frequentou o estudo primário em escolas de Santa Maria (Escola Municipal do Km 3; Grupo Escolar Cel Pillar; e Colégio Elementar), sendo que, seu secundário, o Curso de Técnico em Contabilidade, foi no Ginásio Santa Maria, quando já era brigadiano.

CARREIRA MILITAR

Foi declarado Asp Of em 1949, promovido em todas as etapas da carreira, sendo Cel em 1968. Serviu além do 1º RPMon, no 4º RPMon (RBG), no Esquadrão de Polícia Rural, que deu origem aos Abas Largas, no Destacamento de Palmeira das Missões, no Hospital da BM em Santa Maria, foi chefe da 4ª Sessão do EMBM, passou pelo 2º BPM (2º BC), incluindo sua participação no Movimento Revolucionário de 1964.

Ainda faz parte de seu currículo militar ter sido Ajudante de Ordens do comandante-geral, Cel Idelfonso; oficial de gabinete do Ministro da Educação, José Maria Penido, e assistente militar  do ministro Walter Perachi de Barcellos, no Rio de Janeiro, como Cap. Sendo deste último, com quem conviveu por longo tempo de sua carreira, como perpetuador do nome através da Fundação Walter Perachi, que articulou e criou  com um grupo de 21 oficiais. Orgulha-se de ter elaborado o projeto que deu ao 1º RPMon o terreno em frente à Praça do Regimento – sua área de treinamento.

CARREIRA ACADÊMICA

Cursou a Faculdade de Ciências Econômicas, de Santa Maria, formando-se em 1958. Além de professor exerceu muitas outras atividades da cátedra. Foi  professor colaborador na organização da Faculdade de Economia de Alegrete. Executou viagens de estudo no exterior. Autor dos livros “Viagem à Itália, Egito e Israel” e Perachi de Barcellos” – o Cel do século”.  Foi paraninfo dos economistas de 1966, da Faculdade de Santa Maria, e homenageado especial dos economistas daquela cidade, nos anos de 1959, 1960, 1961 e 1962. Recebeu o título de “Melhor Economista de Santa Maria”, em 1968.

MILITAR  ATLETA

Pode ser considerada uma carreira relâmpago, mas não inusitada. O grande ídolo do futebol colorado “Tesourinha” era artífice armeiro da BM. Assim, o Cel Réquia, como cadete (Al Of) foi atleta do Sport Club Internacional de 1948 a 1950. Foi campeão gaúcho de 400 metros com barreira. Obteve 22 segundos nos 200 metros – marca que levou 20 anos para ser quebrada. E venceu também em 110 metros com barreira.

O FATO POLÊMICO 

 Não expressa dessa maneira, mas deixa antever um sentimento, entre mágoa e desencanto, por ter sido trucidado politicamente em 1969, com a liquidação extrajucial do Grupo Ficrei, que ele havia criado em 1964. O Cel  Réquia debita ao liquidante que, embora sendo desnecessário, vendeu 402 imóveis, sendo um deles, um prédio de 14 andares na rua dos Andradas, em Porto Alegre, e outro de 10 andares, em Santa Maria. Teriam sido os advogados da Ficrei dispensados das causas que patrocinavam e, em seu lugar, um conhecido escritório de advogacia de parente do liquidante, assumiu cobrando muito mais. Fato pelo qual foi trocado o liquidante. O Cel Réquia diz que foi uma das maiores negociatas já realizadas no Brasil, entre todas as liquidações extrajudiciais ocorridas.

No entanto, nenhum membro da diretoria da Ficrei foi denunciado e o liquidante assumiu  pessoalmente todas as responsabilidades. O Banco Central, por meio da Decad/Direc/93, de 10/02/1993, anulou a “Inabilitação Permanente” imposta pelo Conselho Monetário Nacional à Réquia. Isso significou a anulação dos procedimentos dos liquidantes, retomando Réquia sua vida emprendedora.

CARREIRA EMPREENDEDORISTA

Sua vida é como um dessas modernas incubadoras das universidades, tal a diversidade e quantidade de emprendimentos que criou ou participou. Com a Garcia S/A, Incorporadora e Construtora, construiU em torno de mil prédios na Capital. Também participou do projeto, sem ônus para o erário público, de construção da Estação Rodoviária de Porto Alegre.

Na área do factoring, foi sua empresa, a Constec, foi a primeira do gênero no RS. A partir dela, ele construiu uma carreira essa área, com 27 anos de atuação. Em 1987, criou Sindicato das Empresas de Factoring no Estado e presidiu a respectiva federação, na região Sul, passando a atuar no factoring em nível nacional como dirigente, palestrante e orientador do sistema. É o único diretor de empresa que participou de todos os congressos de factoring do Brasil.

1º PRESIDENTE DO MBM

Foi o primeiro presidente do MBM e, entre suas realizações, está a construção do primeiro auditório da entidade. Também foi devidamente autorizado pelo Conselho, pago aos sócios brigadianos, expurgados sem salário, uma pensão. Igualmente abriu as portas da entidade para membros das PMs de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Foi o último presidente que exerceu o cargo sem receber salários.

Texto: Ten Cel Vanderlei Martins Pinheiro – Fundador do Correio Brigadiano