Alunos-oficiais da BM iniciam estágio supervisionado na corporação

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A nova turma de capitães da Brigada Militar (BM), que está em formação na Academia de Polícia Militar (APM), em Porto Alegre, iniciou uma importante etapa na qualificação de oficiais da corporação. Nessa fase, os alunos-oficiais têm a oportunidade de fazer o estágio operacional em policiamento ostensivo, semelhante ao desenvolvido para os alunos-soldados. Com essa experiência, a APM garante aos cadetes não só o conhecimento de comando, como também ensina sobre a atuação ostensiva da BM desde a ponta.

O curso de oficiais da BM, iniciado em abril deste ano, tem mais de 2.600 horas/aula. Entre as mais de 60 disciplinas que integram a Graduação em Ciências Militares, os alunos-oficiais aprendem noções de Defesa Pessoal, Direitos Humanos e Cidadania, Criminologia, entre outras disciplinas. Para ser um oficial da BM, os cadetes precisam ter formação superior em Ciências Jurídicas e Sociais (Direito). Mas para os 154 cadetes da BM que estão em curso algo é mais desafiador do que as aulas e treinamentos: a saudade da família.

Natural de Agudo, na Região Central, a aluna-oficial Camila Wilke Prochnow ingressou na turma de oficiais para ocupar uma posição pioneira: ser a primeira policial militar da família. A saudade dos parentes é amenizada por visitas frequentes dos pais, que vem a Porto Alegre nos finais de semana para visitar a filha. Aos 28 anos, a aluna-oficial recebeu outro reforço para viver este sonho: o noivo, também de Agudo, veio para a Capital para ficar mais próximo da amada. “Como o curso estava bem intenso, nós optamos por ele vir morar para cá, isso deu uma boa amenizada na saudade”, disse Camila.

Ser a primeira policial da família é uma experiência que a jovem considera única. “Para mim, por não ter nenhuma bagagem dentro da Brigada Militar, estar vivenciando esse novo universo de policiamento é muito construtivo na nossa formação para sermos bons futuros oficiais”, explicou a cadete.

Aluno-oficial Wagner já atuou como soldado na Polícia Militar do Paraná – Foto: sargento Everton Ubal/PM5

Para o aluno-oficial Wagner Luis Fogaça Alves, a vivência dentro da Polícia Militar não é novidade. Natural de Guapirama, no Paraná, o cadete de 29 anos atuou como soldado na PM do seu Estado natal. Trabalhou por sete anos ao lado do pai, um sargento da PM paranaense. Casado e pai de uma menina de sete meses, o cadete já está com o apartamento pronto para a mudança da família para o RS.

Wagner trata a conquista como realização de um sonho. O agora aluno-oficial não esconde a admiração pela cultura gaúcha e já se considera em casa. “Sempre digo para minha família que poder ter sido aprovado em um concurso dessa envergadura, fazer parte de uma instituição de tamanho prestigio como é a Brigada Militar e ainda poder vim morar neste Estado é algo sem palavras. Sou realmente muito abençoado por ter conseguido tudo isso”, conta o cadete.

Uma das motivações de Wagner para atuar no RS é a excelência dos cursos e concursos de polícia do Estado. “O Rio Grande do Sul sempre foi uma referência nessa linha de cursos, não só do Curso Superior de Polícia Militar (CSPM), mas vários outros, como patrulhamento especializado e polícia de choque. O curso está sendo muito bom e correspondendo até muito além do que imaginava”, enfatiza.

Perfil dos 154 alunos-oficiais

– 118 homens e 27 mulheres.

– 61 eram civis que ingressaram na carreira militar.

– 25 vieram de outros Estados para integrar a Segurança Pública do RS.

 O comandante da APM, tenente-coronel José Carlos Pacheco Ferreira, destaca o orgulho em estar à frente da formação dos novos oficiais. Com mais de 30 anos de serviço na BM, Pacheco passa suas experiências com a comunidade gaúcha aos cadetes. A função de comando dentro da APM veio em fevereiro deste ano, pouco antes do ingresso da turma atual de alunos-oficiais. “É importante esse contato porque nós, oficiais, tanto os instrutores do curso, quanto os capitães supervisores do estágio, passam para os alunos a vivência na Brigada Militar e acabamos nos tornando espelhos para eles”, conta o comandante da APM.

O tenente-coronel explica que a experiência no policiamento ostensivo é essencial para preparar os alunos-oficiais para ocupar uma posição de comando. “É importante esse contato com a comunidade, entender a dor muscular de caminhar a pé, saber a importância da execução. Antes de comandar, tenho que executar, nada mais que uma boa prática para eu saber comandar depois”, enfatiza Pacheco.

comandante da APM, tenente-coronel Pacheco, assumiu as funções em fevereiro deste ano – Foto: sargento Everton Ubal/PM5

Uma das oficiais supervisoras, a capitã Clarisse Heck, se sente honrada de poder repassar suas experiências para os alunos-oficiais. “É uma experiência única e carregada de muita responsabilidade. Aqui podemos ensiná-los, reforçando os valores da Brigada Militar, como liderança, dedicação, persistência, conhecimento técnico operacional, em suma, valores que se requerem de um oficial para poder servir à sociedade gaúcha”, afirma a capitã.

A capitã Clarisse se sente muito honrada em poder dividir suas experiências com os cadetes – Foto: sargento Everton Ubal/PM5

Texto: Lurdinha Matos/SSP

Edição: Carlos Ismael Moreira/SSP