Após 35 anos de serviço, Coronel Cristine Rasbold se despede da ativa após abrir caminho até então inédito para mulheres na BM

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Despedida da Chefe do Estado-Maior Cel Cristine Rasbold – Foto: Robson Alves/Brigada Militar

POR SOLDADO ADRIÉLY ESCOUTO/PM5

Na manhã desta segunda-feira, (8/2), em recepção especial, o clarim estava a postos para conduzir seu último QAP ao toque de Chefe do Estado-Maior. Enquanto o toque era executado, Coronel Cristine Rasbold adentrou emocionada, ainda que sem lágrimas, no Quartel do Comando Geral no seu último serviço na ativa. Após 35 anos de Brigada Militar, nesta segunda-feira (8/2), a Coronel Cristine Rabold, atual Chefe do Estado-Maior da Brigada Militar, se despede da ativa encerrando um ciclo que começou em 1986 deixando um legado por ter se tornado a primeira mulher a alcançar uma função no alto escalão da Instituição. Às 14horas participou de uma reunião virtual de despedida com todas as Oficiais femininas da BM. Na sequência um ato de despedida foi realizado pelo Comando e aconteceu as 16 horas no Quartel do Comando Geral onde foi feito o descerramento da foto da então Chefe do Estado-Maior e posterior instalada na galeria dos ex Chefes do Estado-Maior.

Em seu discurso de despedida, Coronel Cristine frisou emocionada “que faz parte de uma geração de mulheres que abriu o caminho profissional para a mulher na Brigada Militar e que agora chega ao seu desfecho”.

Mas engana-se quem pensa que o caminho foi simples e curto para chegar na função onde chegou. Em sua trajetória, percorreu os mais diversos setores dentro da BM, inclusive a primeira turma de mulheres da Corporação.

Imagine o cenário: o ano era 1986 e um dos grandes desafios era ser mulher em uma Instituição que até então tinha apenas homens em suas fileiras. Coronel Cristine fez parte da primeira turma contendo apenas 10 mulheres que construiu o referencial de ser mulher na polícia gaúcha. Mais de 30 anos depois, assumia a função de Chefe do Estado-Maior, sendo a primeira mulher a assumir uma posição no alto escalão da BM, que segundo ela, aceitou o novo desafio pensando em todas as mulheres e no início de tudo: “ pensei também na minha turma a pioneira, aquelas primeiras mulheres pioneiras, as primeiras oficiais, primeiras sargentos, primeiras soldados, em tudo que nós tivemos que mostrar valor, na identificação, na aceitação e quebras de paradigma”.

Foi sem dúvidas um caminho longo, mas nem por isso pesado. Coronel Cristine conquistou muitos amigos e desempenhou com excelência serviços nas mais diversas seções e batalhões que serviu. E não foram poucos: atuou em diversas unidades operacionais da Capital, unidades de ensino, alem de ter sido Comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar e do 36º Batalhão de Polícia Militar. Antes de assumir a atual função era Diretora do Departamento Administrativo onde recebeu do próprio Comandante-Geral Coronel Rodrigo Mohr Picon o convite para compor o Comando junto a ele.

Ao falar sobre a carreira da Coronel Cristine, o Comandante-Geral da BM, Coronel Mohr citou o momento em que a conheceu: “Eu conheci a Cristine lá em 1987, e a nossa turma foi a primeira, de alguma forma, a acompanhar o trabalho feminino e o ingresso das mulheres na Brigada Militar, e todos os desafios que elas tiveram, e foram muitos, em uma época em que se a mulher sorrisse para um brigadiano é porque ela estava com segundas intenções, a mulher não podia ser simpática. 

E a Coronel Cristine fez parte desta turma pioneira, a primeira turma de mulheres e que chega ao alto Comando da Brigada, e ela chegou pelos méritos e pelo trabalho dela”, mencionou em sua fala o Comandante-Geral.

Hoje, pela última vez vestiu a farda, calçou os coturnos, arrumou um coque e vestiu o cinto com arma e carregadores. Com as unhas sem o esmalte colorido que ela mesmo auxiliou na liberação para uso do efetivo feminino, prestou sua última continência depois de 12.775 dias de ter entrado em uma viatura para, junto as colegas e coordenador, tirar o primeiro serviço. Entrando pra reserva da Instituição fechando pela última vez a porta de sua sala cheia de flores recebidas em homenagens pela despedida, mas deixando a porta de oportunidades aberta para tantas outras mulheres da Brigada Militar.

Destaque em Zero Hora para a chegada das mulheres na Brigada Militar em 1986CDI / CDI

FONTE: BRIGADA MILITAR