Bombeiros militares gaúchos concretizam sonho de ter uma aeronave pela primeira vez

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Experiência dos colegas catarinenses na atividade aérea, que já soma mais de 11,4 mil ocorrências, é lembrada

Batalhão de Operações Aéreas do CBMSC completa 12 anos em 2022 | Foto: CBMSC / Especial / CP

Correio do Povo

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS) já está com tudo pronto para concretizar o antigo sonho de ter uma aeronave pela primeira vez na história da instituição. “Desde a desvinculação em 2017, nós estávamos desenvolvendo um projeto para criar a aviação de bombeiros. A atividade aérea para a corporação tem uma grande relevância…”, destacou um dos integrantes do estudo, o comandante do 7º Batalhão de Bombeiros Militar (7º BBM), tenente-coronel Ricardo Mattei Santos, à reportagem do Correio do Povo. Inicialmente existirá apenas a base de Porto Alegre.

Ele citou o emprego do futuro helicóptero em atividades de remoção, socorro, combate a incêndio e operações em situações de defesa civil, entre outras missões. Tendo servido no Batalhão de Aviação da Brigada Militar, onde atuou entre os anos 2006 e 2014, o tenente-coronel Ricardo Mattei Santos possui formação em piloto comercial de helicóptero. “Estamos agora sendo brindados pelo Governo do Estado com a aquisição de nossa primeira aeronave e implantação do serviço aéreo no CBMRS”, enfatizou.

Sobre a escolha do modelo de aeronave, ele frisou que “por uma questão de conceito operacional para o CBMRS, o importante é que ela seja de fato multi-operacional”. De acordo com o oficial, a comissão elencou “características da primeira aeronave aliados ao fator custo/benefício a fim de que se contemplem as demandas do CBMRS”.

De acordo com o tenente-coronel Ricardo Mattei Santos, o futuro aparelho aéreo deverá ser semelhante ao mais moderno que a Brigada Militar emprega atualmente: um helicóptero Koala AW119 KX. “É uma aeronave monoturbina que consegue transportar, além do piloto e co-piloto, mais seis tripulantes operacionais no compartimento de transporte, além de possibilitar a configuração para situações de remoção de enfermos, com utilização de maca integrada”, explicou.

A autonomia média é de duas horas e trinta minutos de voo, podendo cobrir um raio de até 610 quilômetros de distância. “De acordo com a configuração, o helicóptero tem uma capacidade de alcance ideal para as operações de bombeiros, podendo executar nossas missões com segurança”, avaliou.

O anúncio do processo licitatório para a compra do helicóptero, que será seminovo, pode ocorrer em breve. “Obviamente vai depender do que tivermos em oferta no mercado, pois a compra obrigatoriamente deverá passar pela garantia e segurança da licitação, onde teremos como fator limitador o ano e disponibilidade de horas de voo do equipamento”, disse.

SANTA CATARINA

O tenente-coronel Ricardo Mattei Santos lembrou que sempre acompanhou a atuação do Batalhão de Operações Aéreas (BOA) do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), que completará 12 anos de criação no dia 2 de fevereiro de 2022. “Sempre foram muito próximos”, recordou. “Eles estão em um grau mais avançado, pois operam há mais de dez anos com a aviação”, assinalou.

À reportagem do Correio do Povo, o comandante do BOA, tenente-coronel Sandro Fonseca, ressaltou que o efetivo é composto por 18 bombeiros militares tripulantes, 17 pilotos, 18 médicos e 12 enfermeiros.

Com duas bases localizadas em Florianópolis e Blumenau, o BOA já atendeu mais de 11,4 mil ocorrências desde a criação, destacando-se cerca de 1,9 mil acidentes de trânsito,. 1,8 mil casos clínicos, 1,7 mil transportes aeromédicos, 878 resgates/salvamento/buscas, 852 traumas e 382 afogamentos, além de 62 desastres naturais e 275 incêndios florestais.

A unidade aérea do CBMSC é composta por dois helicópteros, o Arcanjo 01 e o Arcanjo 03, além de dois aviões, o Arcanjo 02 e o Arcanjo 06. Uma parceria é mantida com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Foto: CBMSC / Especial / CP