Com mais de 20 guarda-vidas infectados, guaritas são desativadas temporariamente no Litoral Norte

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Orientação é que banhistas busquem locais onde o serviço está ativo 

GZH

Apesar de não haver monitoramento in loco, guarda-vidas de guaritas próximas passam pela regiãoMarco Favero / Agência RBS

A alta de casos de covid-19 no Litoral Norte atinge também os guarda-vidas, que atuam no monitoramento e prevenção dos banhistas na beira da praia. Na sexta-feira (7), eram 19 infectados, em um universo de 748 que atuam nas praias da região. Neste sábado, o número subiu para 23. 

Devido à falta de efetivo, foi necessário desativar guaritas temporariamente. Conforme o tenente-coronel Isandre Antunes, chefe de operações do Corpo de Bombeiros, até 20 guaritas são impactadas. No entanto, nem todas ficam sempre desativadas ao mesmo tempo —  isso varia conforme o número de profissionais disponíveis e conforme o remanejamento possível. 

— Vai sendo organizado dia a dia, de acordo com o fluxo do efetivo. Fazemos os testes quando eles estão sintomáticos e quando o colega testa positivo. Esse é o pico de profissionais infectados — esclarece.  

Segundo os bombeiros, as guaritas afetadas ficam em Torres (3 e 18), Capão da Canoa (66, 82 e 83), Xangri-lá (99 e 103), Tramandaí (144), Nova Tramandaí (151), Cidreira (176, 186 e 189), Pinhal (198, 201, 202, 205 e 210) e Quintão (222, 223 e 224). 

Conforme Antunes, os locais não ficam totalmente desguarnecidos. Apesar de não haver monitoramento in loco, guarda-vidas de guaritas próximas passam pela região.

— Há efetivo nas guaritas adjacentes, e eles vêm a pé ou em quadriciclos para que não fique desprotegido. O que temos de medida paliativa são equipes volantes, mas a parte preventiva, com o pessoal apitando, fica prejudicada — disse. 

A orientação é para que os banhistas procurem locais onde o serviço está ativo.

Placas indicam o risco 

Na guarita 66, em Capão da Canoa, a casinha está cercada por fitas isolantes. As fitas indicam um problema estrutural, mas o local também está impactado pela falta de efetivo e, por isso, está sem monitoramento.

Próximo da casinha, duas placas trazem a mensagem “não entre” e “risco de morte”, alertando para que os frequentadores banhem-se próximo aos guarda-vidas. A sinalização traz flechas para o lado, indicando que as guaritas próximas contam com monitoramento. 

Mesmo assim, era possível ver grupos de pessoas à beira-mar, e algumas pessoas, inclusive, tomavam banho na manhã deste sábado. A técnica de enfermagem Ivete Schmitt, 55, chegou de Arroio do Meio com a família para curtir o fim de semana. Acompanhada do filho Maurique, 21, ela conta que, em outros veraneios, sempre viu guarda-vidas no local.

— Faz falta, porque praia tem que ter segurança. Tem muita criança, gente que não sabe nadar. E olhando assim parece que o mar está bem agitado hoje. 

A guarita 83 também estava desocupada na manhã deste sábado, enquanto as adjacentes contavam com guarda-vidas. Em frente a ela, uma placa alertava sobre os riscos de banho no local. Mesmo assim, havia veranistas dentro do mar.

O aposentado Ciro Souza, 69, mora em Palmeira das Missões e chegou a Capão da Canoa há cerca de 20 dias. Preocupado com a pandemia, saiu da área central e veio para uma mais afastada em busca de menos movimento, mas encontrou a guarita desocupada.

— Não chego a me preocupar tanto porque a gente se cuida no mar. Para quem não se cuida, fica perigoso. Tem muita gente que se arrisca e vai no fundo — conta o idoso, que usava
máscara à beira-mar.  


Problemas estruturais 

No total, dez guaritas são consideradas com problemas estruturais. Além da guarita 66, em Capão da Canoa, que também registra falta de efetivo, as demais estão em Xangri-lá (95), Tramandaí (140), Nova Tramandaí (158 e 171), Cidreira (173 e 195) e Quintão (212, 216 e 220). 

Conforme Antunes, há uma estrutura ideal das guaritas, que devem contar com guarda-corpo, área para observação, entre outros itens. A estrutura mínima é exigida para todas as prefeituras. Assim, os bombeiros aguardam os reparos para que possa ser feita a reativação.