Experientes e apaixonados pela profissão: quem são os dois bombeiros desaparecidos no incêndio do prédio da SSP

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Autoridades ainda procuram pelos agentes na esperança de encontrá-los com vida

Prédio foi tomado por chamas na noite de quarta-feira (15)Rodrigo Ziebell / GVG/Divulgação

GAUCHAZH

Profissionais apaixonados pela profissão e obstinados por salvar vidas. Assim são descritos por colegas os dois bombeiros que seguem desaparecidos após o incêndio que destruiu o prédio da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, na noite de quarta-feira (14).

Até o momento, as autoridades não divulgaram os nomes, mas a reportagem de GZH confirmou tratar-se do tenente Deroci de Almeida da Costa e do sargento Lúcio Ubirajara de Freitas Munhoz. Equipes de busca acreditam que eles  ainda podem ser encontrados com vida entre os escombros.

O tenente Almeida, nome de guerra de Deroci, atuava na última noite como o oficial de serviço, o responsável por despachar viaturas para o combate ao incêndio na Capital. Casado e pai de dois filhos, o bombeiro está na corporação desde dezembro de 1998.

A major Cristiane Nunes de Oliveira, que faz parte da Associação dos Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Abergs), disse que Almeida “vestia a camiseta de bombeiro”.

— Incansável pelo trabalho da instituição. Uma pessoa que se pode contar sempre, nunca tinha problema — destacou.

A oficial comenta que o tenente trabalhou por muitos anos na seção de Prevenção de Incêndio, responsável pelos Planos de Prevenção e Combate contra Incêndios (PPCI).

Já o sargento Munhoz está na corporação desde 1990 e, atualmente, trabalha na Divisão de Logística e Patrimônio do Corpo de Bombeiros. Mesmo com tempo de serviço para estar aposentado, segue na ativa. Na noite do incêndio, de folga, decidiu ir para o local ajudar mesmo assim.

Munhoz recebeu a medalha de ouro de serviços prestados em 2020, pelo comando dos Bombeiros, por sua trajetória na corporação. Em 2009, foi entrevistado pelo Diário Gaúcho após ajudar a retirar um carro da água no Arroio Dilúvio. À época, contou que era preciso “gostar muito” da profissão para fazer tarefas como aquela. 

O cunhado de Munhoz também é bombeiro e decidiu ingressar na corporação após admirar o trabalho do familiar. Na manhã desta quinta-feira (15), o parente auxiliava os demais bombeiros na esperança de encontrar Munhoz com vida.

A major Cristiane também trabalhou com o sargento.

— É um profissional extremamente dedicado. Isso fica claro quando recordamos que veio ao local do incêndio mesmo de folga — frisou a colega.

Coordenador-geral da Abergs, o tenente-coronel Ederson Carlos Franco Da Silva conta que a associação está auxiliando as equipes, entregando lanches para alimentar os servidores, que desde ontem estão combatendo as chamas.

— Estamos em oração e aguardando. Mantemos o pensamento positivo. A gente nunca esmorece ou procura se resignar. Estamos com a atitude positiva assim como as guarnições que estão trabalhando — complementou.

Agentes entraram no prédio em chamas

De acordo com bombeiros que trabalham nas buscas, duas equipes entraram no prédio em chamas no início do incêndio, com o objetivo de tentar combatê-lo em sua origem. Uma delas conseguiu sair, mas o tenente Almeida e o sargento Munhoz não foram vistos mais na parte de fora.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel César Eduardo Bonfanti, disse em coletiva de imprensa que acredita que os dois militares ficaram presos no momento em que o prédio começou a apresentar rachaduras.

— Quando começa com situações de rachadura, é importante o recuo dessas equipes (de dentro do prédio) e talvez elas não tiveram a oportunidade de sair em determinado momento. É bem provável que isso tenha acontecido — explicou. 

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