Intervenção Federal

O recente episódio da intervenção militar no Rio de Janeiro vem atestar a total incapacidade dos gestores públicos daquele estado no gerenciamento do setor de segurança pública.

Tudo começa quando as polícias, em determinado período são orientadas a não subirem nos morros, deixando o território livre para os criminosos, visando cumprir um acordo entre governantes e os líderes do tráfico.

Depois com a troca do ocupante da cadeira de governador, começam as experiências para pacificar as comunidades, com a criação de Unidades de Polícia Pacificadora, colocando policiais militares em locais estratégicos das favelas cariocas.

Os experimentos tem duração curta, logo os traficantes retomam as suas posições, as polícias recuam, vem a Copa do Mundo e as Olímpiadas, com o acréscimo de integrantes das Forças Armadas no combate ao crime.

Passados os grandes eventos, quando todos lucraram, inclusive os traficantes de drogas, pois venderam muito, há uma mudança, com redução dos efetivos policias e aumento do poderio de fogo dos criminosos.

Quando os ex-governadores passam a figurar como réus em casos de corrupção vem à tona muitos desvios de dinheiro público, inclusive destinados à segurança pública, que não foram aplicados de forma correta.

Depois vem a crise econômica do Rio de Janeiro, quando os salários dos servidores deixam de ser pago por meses, expondo mais ainda o problema da má gestão do setor público, com policiais sem dinheiro para sua sobrevivência e expostos a trabalhar sem condições, com falta de equipamentos e veículos.

Durante o carnaval a violência chegou aos bairros nobres e turísticos, assustando os administradores públicos, com notícias de arrastões contra turistas estrangeiros, prejudicando o turismo, uma das áreas mais lucrativas do Rio de Janeiro.

Com este cenário o governo federal interviu no Rio de Janeiro, que passa a ter um governador que administra todas as secretarias, exceto a segurança pública, que fica a cargo de um general do Exército, o qual só precisa se reportar para o presidente Temer.

Interessante o governador Sartori ficar atento, pois se a moda pega, vai ficar sem comandar a segurança pública.

Pabllo Vittar não canta, mas encanta!

O fenômeno musical de 2017 foi o cantor Pablo Vittar, uma drag queen que conseguiu chegar ao estrelato através de músicas bem produzidas, com vídeo clipes bem elaborados e um poder de marketing incrível, por ser um produto único e exclusivo.

Vittar consegue aliar a imagem de vários ícones do pop internacional, com extremo cuidado para divulgar seu trabalho, com uma divulgação competente, abrindo espaços nos principais órgãos de mídia.

Com o sucesso estrondoso alcançado nos meios digitais, Pabllo também tem o mérito de aliar-se a outros artistas populares e aumentar seus admiradores, numa onda ascendente de popularidade.

Várias empresas querem aproveitar a imagem de Pabllo e vender seus produtos, que se posiciona de forma única, sem concorrentes para disputar seu espaço, vencendo barreiras de preconceito que marcam a cultura brasileira.

Para os moralistas ver uma drag queen alçada à condição de melhor cantora é um absurdo, acusando Pabllo Vittar de não cantar, apenas gritar nas suas apresentações.

Na verdade por tentar manter seu timbre de voz no agudo, Pabllo acaba perdendo fôlego nas apresentações ao vivo, mas com as produções em estúdio consegue, como diversos outros cantores, ter uma voz impecável, utilizando os recursos tecnológicos para melhorar o desempenho vocal.

Cantar, compor suas músicas, fazer boas coreografias, representar um ícone LGBT, vencer barreiras, superar preconceitos e ser um produto de marketing não é pouco para um jovem maranhense que se transforma em Pabllo Vittar a cada apresentação.

Por suas qualidades como artista vem encantando o público que lota seus shows, segue suas redes sociais, compra e ouve suas músicas, mesmo que não cante bem, encanta todos os seus seguidores e irrita quem não aceita a diversidade.

Pabllo Vittar pode ser o primeiro de muitos outros artistas do segmento LGBT que começarão a surgir, pois agora é possível, devido ao espaço conquistado por uma drag queen que quebrou todos os recordes de execução de suas músicas e visualizações nas redes sociais.

Boate Kiss: cinco anos depois

Na madrugada de 27 de janeiro de 2013 um incêndio acabou com 242 vidas, deixando 680 feridos dentro da armadilha chamada Boate Kiss, depois que um integrante da Banda Fandangueira usou um sinalizador, atingindo o revestimento de espuma, alastrando fogo e fumaça tóxica dentro do prédio.

Durante anos funcionou sem alvará, com fiscalização “compreensiva” dos funcionários da prefeitura e também com seu Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI) sempre incompleto, acontecendo adaptações e reformas irregulares em sua fachada e interior.

Muitas autoridades públicas tomaram conhecimento das diversas irregularidades envolvendo a Boate Kiss, porém nada aconteceu contra seus sócios, apenas advertências e multas que não mudaram a realidade da estrutura.

Na noite do incêndio a lotação da casa excedeu ao limite de 690 pessoas, chegando a mais de mil pessoas, porém sem nenhuma possibilidade de saírem caso houvesse algum incidente, com seguranças despreparados para lidar com um incêndio.

Desta forma, quando o incêndio iniciou, os seguranças da portaria imaginaram uma briga e impediram as pessoas de sair sem pagar, enquanto outras centenas iam à direção dos banheiros, imaginando serem saídas, porém as janelas foram lacradas, numa reforma para embelezar a fachada.

Depois aos poucos os corpos foram caindo, havendo pânico na escuridão da Kiss, pessoas morrendo pisoteadas, enquanto de fora bombeiros e civis tentavam quebrar as paredes para conseguirem entrar e retirar as pessoas, na tentativa de salvar quem não morreu queimado ou sufocado pela fumaça.

Assim depois de enterrados os corpos, mutiladas as famílias, veio a investigação, com processos judiciais que se arrastam, com inúmeras audiências, alguns julgamentos, porém nenhuma pessoa foi responsabilizada, nada aconteceu com os proprietários, bombeiros, funcionários municipais, autoridades do munícipios e de outros poderes.

Resta apenas um prédio abandonado na Rua dos Andradas, em Santa Maria, símbolo do descaso, da impunidade e da morte de 242 pessoas que estavam lá apenas para se divertir, trabalhar ou salvar vidas, enquanto centenas esperam o resultado de sua exposição ao cianeto que respiraram há cinco anos.