Fala que eu te ovo!

A caravana de Luís Inácio Lula da Silva passou por diversas cidades de nosso estado, sendo relatados diversos incidentes envolvendo os integrantes da comitiva e aqueles que não concordam com as ideias do líder petista.

A caravana está percorrendo o Brasil para que Lula leve suas ideias para os mais diferentes pontos do país, segundo o mesmo para que conheça o Brasil e sua gente, mas sem nenhum aspecto de campanha eleitoral.

Impressiona o aparato policial colocado à disposição desta caravana, mais em função da possibilidade de confrontos, do que pelo tamanho da comitiva, que se compõe de políticos e militantes do Partido dos Trabalhadores.

Com uma condenação já definida em segunda instância, Lula tenta de todas as formas evitar sua prisão, com recursos junto a todos os tribunais, com artimanhas legais que adiam seu encarceramento, porém continua agindo como se nada houvesse acontecido, agindo como candidato.

Nenhum órgão da justiça eleitoral, nenhum partido adversário, nada é falado quanto à ilegalidade de atividades de campanha fora do prazo legal, estipulado a partir de agosto, parecendo que todos entendem que no Brasil a lei não precisa ser cumprida, é mera formalidade.

Estão todos em campanha aberta, divulgando suas ideais, viajando o país, sendo que a caravana de Lula é a mais comentada, pois como se viu, em diversas cidades, foi rechaçada por seus adversários, inclusive com ações legais impedindo a entrada nos municípios.

Depois de percorrer algumas cidades gaúchas, com notícias de agressão aos petistas, além de arremesso de ovos e pedras contra os veículos e pessoas da caravana, esta seguiu para outros estados.

Chegando à Santa Catarina as cenas de arremesso de ovos foram repetidas, em ações contrárias à caravana, que avança pelo país afora, chegando a locais dominados pelos integrantes e simpatizantes das ideias petistas.

Assim segue Lula em sua atividade de campanha à presidência do Brasil, sem interferência de nenhuma autoridade eleitoral, com recursos que não foram explicitados, discursando para seus admiradores, mas sendo “ovacionado” pelos seus adversários.

Marielle morreu!

A vereadora carioca Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, foram assassinados no dia 14 de março, quando ela foi atingida com três tiros em sua cabeça, o que levantou a hipótese de execução por parte de grupos descontentes com a atuação da parlamentar.

Eleita em 2016, com mais de 46 mil votos, foi a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro naquela eleição e a segunda mulher mais votada em todo o país, tornando-se representante da comunidade da Maré, onde nasceu e cresceu.

Defensora dos direitos das mulheres, negros, LGBTs e de sua comunidade, trabalhou apresentando projetos voltados para estes públicos, criticando diversas vezes a atuação da polícia nas abordagens aos moradores.

As investigações estão em andamento, com diversas possibilidades de autores do crime, pois segundo apurado até agora foram usados dois carros na perseguição e que as munições foram roubadas e pertenciam a lotes da Polícia Federal.

Pelas imagens divulgadas toda a ação parece ter sido planejada, pois o veículo de onde partiram os tiros estava estacionado próximo ao veículo da vereadora, saindo em acompanhamento e depois de 4 km, ao chegar no Estácio, seus ocupantes realizaram os disparos.

No local da execução não havia câmeras, desta forma não há imagens de como foi a abordagem, porém pela posição de entrada dos tiros no veículo, foram concentrados no local onde estava a vereadora e na altura de sua cabeça, de trás para frente, totalizando 13 tiros disparados, de forma concentrada.

Após o crime diversos políticos, de todos os matizes ideológicos, começaram a defender ou acusar a atuação da vereadora, com muitas acusações de todos os lados, alguns levantando a hipótese de ação de policiais e outros de que seriam integrantes de facções criminosas os autores do crime.

O uso político desta morte assemelhasse ao de tantas outras acontecidas no país, quando as vítimas acabam parecendo responsáveis por suas mortes ou são assassinadas para que suas vozes sejam caladas, numa lógica que se molda aos interesses de cada grupo.

No fim das contas, Marielle e Anderson tornam-se mais duas vítimas da violência carioca, onde mortes acontecem diariamente, apesar de todas as ações para mudar o cenário macabro, que não resultam em mudanças na vida diária da população de uma cidade acuada por uma guerra sem controle.

 

Passagem mais cara do Brasil

Porto Alegre chegou ao topo do ranking por ter a passagem de ônibus mais cara entre as 10 maiores capitais do Brasil, graças ao último aumento da tarifa, atingindo o valor de R$ 4,30, acrescentando 25 centavos a cada viagem dos usuários.

O aumento proposto era maior, chegava ao valor de R$ 4,50, mas foi “reduzido” pela manobra de retirar isenções e vantagens de diversos setores que tem este benefício, numa manobra para colocar a população contra idosos, estudantes, professores, carteiros e brigadianos.

Ainda há a proposta de reduzir o número de cobradores, acabando lentamente com este importante auxiliar do motorista, que ajuda a controlar o interior dos coletivos, pagamentos e, até mesmo, auxiliar nas manobras no trânsito.

Além disto, tem propostas de limitar número de viagens, deixar professores sem gratuidade, idosos de 60 a 64 anos perdem a vantagem, necessidade de confecção de cartões para brigadianos e carteiros, ainda permitindo que a idade de frota seja ampliada para 12 anos.

Sendo o valor da passagem mais cara do Brasil, teríamos que ter o melhor transporte público do país, porém não é a realidade, temos ônibus sucateados, sem conforto para os passageiros, além de corredores inadequados, paradas desconfortáveis, algumas com moradores de rua alojados.

Nossa cidade é um canteiro de obras da Copa de 2014 que ainda não acabaram, inclusive com reforma de diversos corredores de ônibus, para poderem atender os BRT, que ainda não começaram a circular, talvez nem sejam implantados.

Temos uma cidade atrasada, que não consegue melhorar o transporte público, sem um metrô subterrâneo, um transporte eficiente e rápido, existente em várias capitais brasileiras, que além de melhorar a qualidade de vida, diminui custos.

Estamos presos ao modelo de ônibus pequenos, com baixa velocidade, atrasos nos cumprimentos de horários das viagens, descontrole da manutenção da frota e desvalorização dos trabalhadores rodoviários, sendo que este modo de funcionamento está instalado em todos os municípios do Rio Grande do Sul.

O dedo de dona Georgina

Dona Georgina mora numa vila da periferia da cidade e trabalha como separadora na usina de reciclagem. A vida não é fácil, acordar cedo, caminhar alguns quilômetros até a usina, diariamente, pois não tem dinheiro para a passagem do ônibus.

Sua casa, onde mora com mais oito pessoas, é um quadrado de madeira medindo três por quatro metros, com um banheiro improvisado de tijolos mal assentados, dormindo sobre seu colchão de papelão.

Água e luz são trazidas de longe, com fiação e encanamento clandestinos, como na maioria das casas daquela parte da vila, aonde o esgoto ainda não chegou.

Numa rotina de carregar e separar latas e garrafas pet, teve um acidente, quando um dos fardos de latas amassadas caiu sobre seu pé direito, atingindo seu dedo mínimo, originando uma dor insuportável.

Foi ao posto de saúde e depois de horas numa sala de espera, foi atendida e saiu de lá com uma faixa no pé e alguns comprimidos para a dor, pois havia quebrado um dos ossos do dedo, havendo necessidade de cirurgia, sem previsão de data pelo SUS, nem tampouco dinheiro para pagar o procedimento.

Mas a vida segue e, no dia seguinte, mancando vai trabalhar, retornando à sua rotina de ficar em pé por muitas horas, separando os materiais, já com a faixa encardida depois da caminhada para chegar à usina.

Os catadores perguntam o que houve, explica diversas vezes, sem pressa, falam que é a mesma lesão do Neymar, o qual, depois de fazer cirurgia, vai ficar afastado dos gramados por, no mínimo, uns 90 dias, prejudicando o planejamento da seleção brasileira.

Dona Georgina sorri com seus poucos dentes e continua a separar latas e garrafas pet, com muita dor no dedo fraturado, pensando em tudo que aconteceu com Neymar, ficando preocupada se o craque brasileiro não vai poder jogar a Copa da Rússia…

Preparando o terreno

Ano eleitoral é sempre igual, começa como se nada fosse acontecer, mas algo vai sendo alterado, pois os políticos já planejam as estratégias para conseguirem chegar ao eleitor, claro que essa aproximação ocorre somente agora, quando precisam do voto para continuar nos seus cargos.

Os do Executivo, presidente e governadores, desencantam obras que começam a acontecer de forma acelerada, com inúmeras inaugurações e entrega de materiais, nomeação de novos funcionários, concessão de aumento de salários para os funcionários públicos e outras ações que não ocorrem nos anos anteriores.

Aqueles que estão no Legislativo, senadores e deputados, começam a distribuir recursos para suas bases eleitorais, também com obras e ações que chamem a atenção dos eleitores, aprovando leis simpáticas à população, tudo organizado para conseguir os votos.

Não se pode esquecer da distribuição de alimentos e utensílios domésticos em diversas partes do país, com realização de eventos “beneficentes” divulgando as logomarcas de governos e partidos, num crescendo até chegar outubro.

Nossa população passa por este processo em cada período eleitoral, ouve as mesmas promessas e acaba acreditando nos mesmos candidatos, que se especializam em ser populares, indo aos locais abandonados pelo poder público e falando o que as pessoas querem ouvir.

Promessas de novas escolas, com mais espaço para o lazer, com praças organizadas, mais professores, construção de hospitais e clínicas junto às comunidades, com contratação de médicos e, claro, mais viaturas e efetivos para proteger as pessoas.

Tudo se repete, mas nada muda, apenas somos iludidos por novas promessas, com discursos repetitivos e acenos de mudanças, com os mesmos políticos e partidos, que vão se revezando no poder.

Aguardem que o terreno já está sendo preparado para que possamos receber a propaganda eleitoral gratuita na televisão, pois a distribuição de milhões de antenas e conversores digitais para quem participa dos programas sociais do governo é mais uma arma para os políticos usarem para “comprar” os votos dos menos favorecidos.