Coordenador Geral do Metrô de Porto Alegre

A administração pública insiste em nos surpreender, mas no último dia 12 de abril a prefeitura de Porto Alegre conseguiu a proeza de nomear um coordenador-geral para o Escritório-Geral do Metrô de Porto Alegre (MetroPOA), um setor desativado desde 2017.

Saliento que o sistema do metrô de Porto Alegre é um dos eternos projetos que nunca saem do papel, apesar de inúmeros estudos para a implantação do transporte subterrâneo na capital, que sempre para nos interesses dos empresários e na falta de investimentos.

O MetroPOA foi criado em 2012, inclusive com aluguel de um prédio e inúmeras salas para abrigar a estrutura pública, que foi desativado no final de 2017, quando o prédio foi devolvido e as salas esvaziadas, assim não existe mais uma estrutura para ser coordenada.

Assim mesmo a prefeitura nomeou um cargo em comissão (CC), com alto salário para o cargo máximo do MetroPOA, que deixa a impressão de que as nomeações no setor público não tem por finalidade o interesse público, mas acomodar os aliados e apoiadores.

As explicações sempre tentam justificar que, mesmo não existindo uma estrutura pública, o indicado está servindo à administração em outro setor, trabalhando pelo bem da comunidade, sendo esta uma prática comum, ou seja, justificativas que parecem imaginar que tudo pode ser feito pelos administradores.

Desta maneira temos em Porto Alegre um coordenador-geral do sistema de metrôs que não existe, ganhando um bom salário, pago com o dinheiro público, sem desempenhar sua função, pois ela não existe, recebendo sem trabalhar.

Infelizmente é apenas um caso de um cargo comissionado que não trabalha, mas sabemos que existem milhares de casos semelhantes acontecendo em todos os níveis da administração pública, pois não existe controle, nem na nomeação e nem no efetivo desempenho da função.

Ouviremos novamente, daqui a pouco tempo, promessas de extinção dos CCs para diminuir as despesas públicas, como já ouvimos o mesmo discurso dos que hoje são administradores, mas que na prática continuam mantendo esta estrutura de acomodar os “amigos” no setor público sem concurso.

Fim do telefone

A grande invenção de Graham Bell, o telefone, permitiu que duas pessoas conversassem mesmo distantes, usando este aparelho que possibilitava falar e ouvir as mensagens verbais, parece estar com os seus dias contados, pois cada vez menos pessoas falam umas com outras.

As novas modalidades de comunicação são muito mais frias, pois o uso da linguagem escrita não tem sentimentos, pois depende da interpretação de cada leitor e neste quesito, o ser humano é muito criativo, pois cada um interpreta o que lê, conforme o seu momento e sentimentos, quando efetua a leitura.

O antigo hábito de conversar com quem tínhamos intimidade, sentados em nossas cadeiras, falando do que tinha acontecido durante nosso dia, trocando impressões sobre pequenos fatos corriqueiros, num clima de calma, que parece termos perdido, quase não existe mais.

Aos poucos a velocidade dos dias foi aumentando, com mais atividades, envolvimento com mais ações, interagindo mais com máquinas, do que com seres humanos, fomos perdendo a nossa condição de comunicação real.

A evolução do telefone, o celular, permitiu que mais pessoas tivessem acesso ao mundo virtual, um mundo pleno de novidades, que se renovam a cada momento, trazendo mais necessidades para ocupar nosso tempo, mas de modo individual, cada um no seu espaço.

Os telefones fixos são usados raramente, parecem mais objetos de decoração, enquanto que os celulares trazem um número maior de funções, além da principal, que seria o conversar com outra pessoa, via telefone.

O que vemos nas ruas são pessoas caminhando, alheias ao que ocorre ao redor, olhando fixamente para telas, ocupando suas mentes com as informações que chegam a toda hora, digitando mensagens de forma frenética, sem pestanejar.

O contato real com as pessoas está se tornando mais raro, a falta do diálogo aumenta, a tolerância diminui, enquanto que o tempo parece correr sem nos darmos conta, a vida segue, mas com um isolamento cada vez maior entre as pessoas.

Exatamente o contrário do que pretendia o inventor do telefone, que era aproximar as pessoas distantes para que pudessem conversar.

Lula está preso, mas e os outros?

Os passos para a prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva começaram com a expedição do mandado, pelo juiz Sérgio Moro, dando prazo, até às 17 horas do dia seguinte, 06 de abril, para a apresentação voluntária na sede da Polícia Federal, em Curitiba,  para cumprir a  pena imposta, por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex do Guarujá.

Depois de descumprido o prazo inicial, Lula permaneceu no interior do  Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, onde havia se alojado no dia anterior, que depois foi cercado por políticos e militantes, os quais queriam evitar o cumprimento do mandado da prisão, enquanto a defesa tentava outros recursos para evitar o encarceramento.

Foi uma sexta tensa para o país, com todos acompanhando, em tempo real, tudo que acontecia no prédio do sindicato, com aparições de Lula, discursos inflamados de políticos, havendo a cogitação de invasão do prédio para cumprimento do mandado.

O processo de negociação entre os advogados do ex-presidente e a Polícia Federal foi lento  e com muitos acordos, visando evitar situações de confronto, sendo permitido que houvesse atos políticos, durante todo o dia de sábado, finalizando com um discurso de Lula, onde comunicou que se entregaria.

No início da noite Lula entregou-se a agentes da PF que o levaram, num carro discreto e sem algemas, para a sede da  Polícia Federal, em São Paulo, onde realizou exames, sendo, em seguida, levado para Curitiba, passando a cumprir sua pena numa cela, especialmente reservada para recebe-lo.

Assim, Lula entra para a história como o primeiro ex-presidente brasileiro a ser preso por crime de corrupção, unindo-se a outros políticos corruptos que já estão presos, havendo muitos que permanecem livres apenas por estarem em cargos públicos, com foro privilegiado.

Vamos aguardar as eleições de outubro para ver quais serão aqueles que perderão o privilégio e poderão ser investigados por seus crimes,  condenados e juntarem-se a Lula nas cadeias.

 

Um anjo morreu em Caxias

A morte da menina Naiara, de 7 anos, em Caxias do Sul, foi o desfecho de um crime brutal, iniciado em 9 de março, quando o assassino, resolveu procurar uma vítima, percorrendo várias ruas da cidade, em busca de uma criança para ter relações sexuais.

Como artifício para atrair Naiara, que deslocava sozinha para a escola, parou seu veículo e mostrou uma mochila infantil, quando a menina entrou no carro, fez com que ela tomasse uma bebida alcoólica adocicada, que a fez perder a consciência.

Depois levou a vítima para a casa dele, no bairro Serrano, carregando nos braços, pois estava desacordada, depois de leva-la para o quarto, estuprou a criança, que acordou, diante da situação, o homem a espancou até a morte.

Para livrar-se do corpo, enrolou a criança num cobertor, carregando em seu carro até um matagal próximo à barragem do Faxinal,  em Ana Rech, onde abandonou o corpo num banhado, voltando para sua rotina, como se nada tivesse ocorrido.

A prisão aconteceu em 21 de março, depois o corpo foi encontrado, passando por exames, que constataram asfixia e lesão na coluna cervical de Naiara, que foi enterrada com muitos protestos de parentes e amigos da família, pedindo a punição do criminoso.

A prisão foi decretada, ficando preso em Canoas, na região metropolitana, porém em 30 de março, foi transferido para o Instituto Forense, em Porto Alegre, sendo que os motivos da transferência ainda não foram explicados pelas autoridades.

Talvez tudo fosse evitado se Naiara não tivesse sido separada de sua família, em Vacaria, pudesse ter estudado na mesma escola que seus irmãos, não tivesse que depender de terceiros para ir até uma escola distante.

Porém sofreu nas mãos de um estuprador, que a embriagou, violentou, espancou violentamente, abandonando seu corpo de anjo, que perdeu toda a beleza num matagal, trazendo imenso sofrimento a todos que viveram com ela durante sua curta vida.

Descanse em paz, Naiara!