Filas para protestar!

O povo brasileiro é o único no mundo que consegue, ao mesmo tempo, protestar contra o aumento dos combustíveis e formar enormes filas para comprar combustível com altos preços.

O que estamos vivendo nestes dez dias de greve dos caminhoneiros, que representam uma parte lúcida do povo, é um absurdo de contradições que se acumulam.

Para os grevistas vieram algumas conquistas, como redução do preço do diesel na bomba em 46 centavos, estabelecimento de um valor mínimo para os fretes e a isenção de pagamento de pedágios para os caminhões que circularem com o eixo suspenso.

Para a população em geral o que temos são enormes filas nos postos, abastecendo veículos com gasolina a preço superfaturado, falta de gás de cozinha em muitas cidades e várias espécies de alimentos.

Em meio a toda a bagunça no país, a Petrobrás anuncia aumento de 0,75% do preço da gasolina nas refinarias, enquanto o governo propõe redução de 10% no valor do diesel, ou seja, para os grevistas vantagens, para o restante aumento.

Todas as vantagens dadas aos que usam diesel serão pagas por quem não usa este combustível, repassadas aos proprietários de veículos, usuários do transporte público, numa sequência de aumentos que virão futuramente.

O povo perdeu a oportunidade de conseguir baixar o valor da gasolina, deixando seus carros em casa, forçando a redução do preço por acumular o produto nos postos, porém fez justamente o contrário, andando pelas cidades procurando os caminhões tanque e fazendo fila onde eles parassem.

Acabada a greve, teremos a notícia de inúmeros aumentos para cobrir os prejuízos deste tempo de parada do abastecimento, aliado a mais impostos que serão aumentados para fazer frente a todas as cedências do governo federal.

Fazer fila nos postos para abastecer foi a maneira encontrada pelos brasileiros para protestar contra o aumento dos combustíveis, o que, no mínimo, mostra falta de inteligência e noção de coletividade.

Gasolina virou artigo de luxo

A Petrobras vem aumentando o preço dos combustíveis em espaços de tempo cada vez menores, atingindo a incrível marca de 24 reajustes neste ano, acumulando um aumento de quase 30% no preço para o consumidor.

Apesar das explicações do governo federal fica difícil entender esta política de aumentos sucessivos, tendo como justificativa o problema do preço do barril no mercado mundial, enquanto temos conhecimento de que o Brasil produz o suficiente para o consumo e para exportação.

Neste aspecto convém destacar que para exportação o preço é um terço do que pagamos nos postos, pois a carga tributária é enorme, incidindo impostos federais, estaduais e municipais.

Pelo último aumento os caminhoneiros do país resolveram cruzar os braços, assim os produtos não estão chegando aos consumidores, inclusive os combustíveis para abastecer a frota de veículos.

Por erros do passado, em opções equivocadas dos governantes, o transporte de cargas no Brasil está concentrado no sistema rodoviário, enquanto o ferroviário e fluvial foram sucateados e desestruturados. Desta maneira se os caminhões param, a economia para.

Agora as filas aumentam nos postos, pois a notícia de falta de abastecimento levou os motoristas a uma corrida para encher os tanques, apesar do preço de quase cinco reais por um litro de gasolina.

Muitos postos estão abastecendo apenas álcool, alegando o fechamento das refinarias, dizem não haver gasolina nos tanques, causando muita irritação naqueles que não possuem os carros flex.

O governo chamou os líderes dos caminhoneiros para negociação, colocando na pauta a possibilidade de baixar o preço do diesel e da gasolina, retirando alguns impostos federais, mas tudo no campo da hipótese.

Enquanto segue a greve, vem a notícia de que falta combustível para os aviões decolarem, surgindo mais um problema no complexo cenário do sistema de transporte brasileiro, alicerçado na dependência dos caminhões para que a economia funcione.

Reação correta da cabo Kátia

As cenas da tentativa de assalto a um grupo de mães numa escola de Suzano, em São Paulo, onde um criminoso chegou apontando sua arma para as mães e crianças, que aguardavam a abertura do portão para participarem de uma homenagem pelo Dia das Mães, revelam que uma policial bem preparada reagiu de maneira correta.

A cabo Kátia Sastre numa atitude profissional, sacou sua arma e atirou diretamente no criminoso, o qual efetuou dois disparos, porém com falha da munição.  Depois de proteger-se a policial, aproximou-se chutou a arma, vindo a desarmá-lo e em seguida imobilizou-o e manteve sob controle a situação.

Depois chamou apoio e uma ambulância para socorrer o criminoso, que levado a um hospital veio a falecer em virtude dos ferimentos. Com sua atitude a cabo Katia conseguiu evitar que dezenas de pessoas fossem vítimas de uma ação criminosa, que poderia resultar em perdas humanas e materiais.

O procedimento da policial usou corretamente o Metódo Giraldi, que capacita os policiais paulistas a agirem de forma a preservarem a vida, usando a razão, além de usar gradativamente  força, efetuando dois disparos, caso não cessada a ação criminosa, disparar mais dois tiros.

A cabo Kátia efetuou três disparos, imobilizou o assaltante, não veio a agredi-lo depois de imobilizado, agindo de forma racional e correta, sendo, inclusive, homenageada no Dia das Mães pelo governador paulista Márcio França, como reconhecimento por seu ato de extrema competência.

Somente quem desconhece a realidade de uma situação de confronto pode criticar a ação, dizendo que um policial não pode reagir quando estiver de folga, ou seja, deixar que os crimes aconteçam na sua frente, pessoas sejam feridas ou mortas, os pertences sejam levados, assistindo a tudo de forma imparcial.

Mas esclareço que a reação a um crime só poderá ser executada por agentes policiais preparados para utilizarem as técnicas operacionais, devidamente treinados para agirem racionalmente. Assim a reação da cabo Kátia foi extremamente correta e pautada por uma experiência de 20 anos na polícia militar.

Cabides de Emprego

Com a aproximação das eleições surge a possiblidade de que os partidos venham a se coligar, visando apoio e maior espaço de tempo no horário político. Em contrapartida os candidatos assumem o compromisso de, caso venham a ser eleitos, distribuam cargos para os apoiadores.

A prática não é novidade na política nacional, ocorre há muito tempo, desde a implantação do presidencialismo, com conchavos entre os partidos para se manterem no poder, acordando apoios em troca de cargos, normalmente, colocando nestes os que contribuíram para a campanha.

As vagas para cargos comissionados, ou seja, aqueles em que os indicados não necessitam formação específica e nem prestar concurso público, apenas são inseridos na máquina pública, aqueles que os governantes indicam para desempenhar a função.

Neste contexto as vagas surgem em todas as esferas do poder, no Executivo e Legislativo principalmente, contemplando os colaboradores, que se esforçam para eleger seus candidatos, sabendo que serão designados para algum cargo.

Nos gabinetes do Legislativo, nos Ministérios e Secretarias são criadas pelos governantes funções comissionadas para acomodar o maior número de correligionários dos partidos, sem controle externo, através de acordos firmados durante as campanhas.

As empresas públicas são um exemplo de que este sistema de trocas pode dar errado, temos, no âmbito federal,  a Petrobrás que, administrada por indicados pelos partidos, veio a se tornar deficitária, além de ter o nome da empresa envolvido na Operação Lava-Jato.

Já no municipal a empresa Carris, também com administradores não concursados,  teve desvios milionários, conforme investigação em andamento pelo Ministério Público.

Nos dois exemplos além dos desvios, há contribuição para as campanhas políticas, ou seja, os candidatos elegem-se, indicam os administradores das empresas e estes, através de manobras fiscais, conseguem desviar dinheiro público para futuras campanhas dos mesmos candidatos.

Mais um número na estatística

A operação policial realizada na madrugada de dois de maio resultou na morte do policial civil Leandro de Oliveira Lopes, que estava trabalhando, desde o final de 2017, na Delegacia de Homicídios de Canoas.

A operação tinha por objetivo cumprir um mandado de prisão contra dois foragidos, envolvidos em diversos homicídios na Região Metropolitana, com informações de que estariam num sítio em São Sebastião do Caí.

Por volta das seis horas da manhã, 20 policiais civis estavam aproximando-se do local quando foram recebidos com disparos de fuzil, sendo que Leandro foi atingido e teve o colete perfurado, foi socorrido, mas veio a morrer no hospital devido aos ferimentos.

Antes de entrar na Polícia Civil havia trabalhado durante cinco anos na Brigada Militar, atuando no 9º Batalhão de Polícia Militar, nas rondas de motocicletas, com diversas atuações policiais, sendo considerado um excelente profissional por seus amigos brigadianos.

Da mesma forma foi elogiado por seus amigos policiais civis, os quais destacaram sua dedicação na nova função de inspetor, com muito interesse no trabalho de investigação e elucidação de homicídios, sendo destacada sua coragem e competência no serviço.

Depois da morte do policial civil foi deslocado um aparato policial, com muitos agentes, viaturas e um helicóptero para realizar as buscas nas imediações do sítio onde ocorreu o homicídio.

Apesar de todas as manifestações das instituições policiais e de outras entidades nada vai recuperar a vida de um marido e pai que deixa a esposa e uma filha de sete meses, assim mais uma família ficará sem a presença de outro policial morto.

As declarações dizem que o colete foi perfurado, ficando a pergunta se o equipamento seria o adequado para proteger a vida do policial, numa operação envolvendo a prisão de homicidas bem armados.

As respostas virão nas investigações, mas no final o policial Leandro de Oliveira Lopes será mais um número na estatística dos policiais mortos em serviço no Rio Grande do Sul.