Não vai ter 7 a 1 em 2018!

A humilhante derrota da seleção brasileira para o time alemão em 2014 foi o maior vexame de nosso futebol, já que nossos jogadores naquele dia conseguiram a façanha errar o máximo durante o jogo, sem nenhum poder de reação, deixando os alemães com liberdade total.

Foi um fiasco, para usar um adjetivo menos ofensivo, com direito aos jogadores alemães sentirem-se constrangidos perante tanta facilidade, que, aparentemente, seguraram seu jogo, não aplicando uma goleada maior ainda, em pleno território brasileiro.

Depois ainda tivemos a oportunidade de ver o Brasil tomar mais 3 gols da Holanda, enquanto a Alemanha levantava a taça de campeã da Copa do Brasil, assim encerrou a participação no segundo torneio organizado no país.

Em 1950 fomos derrotados pelo Uruguai dentro do Maracanã, diante de 200 mil torcedores brasileiros, não conseguindo levantar o campeonato num torneio totalmente favorável para nossa seleção.

Assim, em 2014, tivemos a ilusão de que não repetiríamos o fiasco, mas nossa seleção conseguiu repetir e aumentar o vexame, entrando para a história do futebol como a maior goleada sofrida por uma seleção anfitriã de uma Copa do Mundo.

Chegamos a 2018 com um time festejado por classificar-se com antecedência nas Eliminatórias, um técnico considerado um dos melhores, um craque midiático e um grupo de jogadores, cuja maioria não atua no Brasil, do qual se espera consigam vencer a Copa da Rússia.

A derrota da Alemanha para a Coréia do Sul por 2 a 0, de uma forma humilhante fez a alegria de muitos brasileiros, pois eliminou a equipe alemã na fase de grupos, sem chegar a cruzar com a brasileira, assim a revanche não acontecerá neste mundial.

Agora resta ao Brasil, cujo futebol está bem abaixo do que se espera conseguir avançar na Copa, vencendo todos os adversários que venham a cruzar com a seleção, torcendo para que não se repita a fragilidade emocional e competitiva de 2014.

 

Segurança pública não se faz com números

Os recentes números divulgados pelo governo gaúcho, através de relatórios dos índices de ocorrências, querem convencer a população que a segurança pública melhorou, somente pelas estatísticas governamentais.

Para início de conversa convém lembrar que os números que são apresentados não tem uma sistemática de avaliação que se mantenha por vários governos, os quais mudam os critérios dos indicadores, conforme os interesses dos ocupantes dos cargos.

A realidade que vivenciamos nas cidades gaúchas mostra que houve um aumento da sensação de insegurança, pois as pessoas estão cada vez mais retraídas em suas residências, evitando circular por diversos bairros, visto saberem que nestes locais a probabilidade de serem vítimas é real.

Os municípios do interior, há poucos anos atrás, eram locais em que os moradores deixavam suas casas abertas, carros com chaves na ignição e sentavam nas calçadas para tomarem um chimarrão, mas agora exibem inúmeros assaltos a bancos, tráfico de drogas e outras ocorrências que eram típicas dos grandes centros urbanos.

A Região Metropolitana é um exemplo de que os números não são confiáveis, pois alguns municípios serão sempre citados como exemplo de locais inseguros, carregando sempre a pecha de violentas, mesmo com a mudança da realidade.

Alvorada é um exemplo, pois mesmo com o esforço dos integrantes da segurança do município, que mantêm a ordem nas ruas e previnem o crime, com significativo recuo dos números da criminalidade, sempre é citada pela mídia como uma cidade insegura.

Não muito diferente é a realidade de Viamão, que por apresentar alguns números altos, tornou-se a cidade gaúcha mais insegura, mesmo que haja uma atividade constante de combate ao crime.

Estas duas cidades não diferem das demais, pois cada município tem suas regiões mais violentas, sendo que as polícias fazem a sua parte, com muitas prisões diárias, operações constantes, flagrantes, buscas e apreensões.

No entanto esbarram num sistema carcerário que não dá conta de segurar os criminosos, enquanto a máquina judiciária ameniza as penas, sendo comum a prisão, por diversas vezes, de um delinquente pela prática do mesmo crime.

Copa de 2014

As obras da Copa de 2014 ainda não acabaram, continuamos rodando pela cidade de Porto Alegre e cruzamos com as trincheiras das avenidas Anita Garibaldi, atrasada e com muitos problemas na execução, e da Plínio Brasil Milano, a qual nem saiu do papel e temos ainda a passagem da entrada da cidade, na avenida Ceará, incompleta, tendo diversas idas e vindas na sua construção.

A pista do Aeroporto Salgado Filho, que deveria ser ampliada para receber as delegações e visitantes que viessem para a Copa, continua do mesmo jeito, com alguns sinais de obras iniciadas para mudanças no terminal de passageiros, sendo toda a administração do complexo repassada, depois da Copa, para a iniciativa privada.

A duplicação da avenida Tronco planejada para desafogar o trânsito nas proximidades do estádio Beira-Rio, palco de diversos jogos durante o evento, está lá, com algumas partes concluídas e diversas casas ainda plantadas, onde deveria existir o leito da via.

Outro capítulo importante desta novela são os corredores dos ônibus da Capital, os quais receberam diversas reformas nos pisos, visando receber os BRT, tornaram-se um canteiro de obras, com colocação e retirada de partes dos pisos, mas sem nenhuma mudança no sistema de transporte coletivo.

O pior de tudo isso é que os administradores públicos, responsáveis para que as obras estivessem prontas não serão responsabilizados pelos atrasos, pela incompetência de suas gestões, quando enormes verbas foram destinadas para as obras da Copa, com dezenas delas, somente em Porto Alegre, sem conclusão e outras que nem foram iniciadas.

A Copa de 2014 acabou, o dinheiro para as obras também, vindo as notícias de que a Prefeitura tenta novos empréstimos para fazer o que falta, pois as verbas vieram, mas não foram suficientes para a conclusão de modificações no trânsito da Capital, que continua com os mesmos problemas.

No dia 14 de junho de 2018 começa a Copa da Rússia, mas na terra da Copa de 2014 continuam as obras que deveriam estar prontas para a abertura em 12 de junho daquele ano.

Aqui tivemos o 7 a 1 e agora vamos rumo ao Hexa!

Aumento dos Vereadores

A surpresa de um aumento dos vereadores de Porto Alegre retrata o descaso dos políticos com a realidade, porque o prefeito atrasa os salários dos servidores do Executivo, alegando falta de dinheiro para quitar a folha de pagamento.

Um aumento acertado por seis vereadores, de todos os matizes doutrinários, representando total descaso com a situação econômica da cidade, que se encontra com enormes problemas nas mais diversas áreas, faltando, por exemplo, material nos postos de saúde, manutenção no sistema viário e limpeza urbana deficiente.

O problema é que este tipo de atitude é uma constante nas casas legislativas, pois o processo de concessão de aumentos é feito por aqueles que serão beneficiados com os novos valores.

Alegando que um vereador pode receber 75% de um deputado estadual, os integrantes da mesa diretora dizem que, mesmo com a reposição, ficam bem abaixo do que poderiam ganhar, caso a norma fosse cumprida.

Os municípios, independente do tamanho, têm câmaras de vereadores que funcionam com um grande número de funcionários, uma estrutura que destoa do restante dos setores municipais, muitos com enormes deficiências, tanto materiais, como de servidores.

Caso os legisladores dos outros municípios gaúchos resolverem acompanhar a manobra dos vereadores da Capital, logo teremos notícias de mais problemas de caixa para quitar salários em muitas cidades.

Todo o sistema legislativo brasileiro parece viver numa redoma, isolados da realidade da população, começando por Brasília, onde as vantagens de cada deputado federal e senador atingem somas milionárias a cada mês.

A mesma realidade acontece nas assembleias legislativas e nas câmaras de vereadores, onde os seus integrantes também acumulam vantagens, num sistema que se sustenta sem levar em conta os problemas econômicos.

Infelizmente apenas os legisladores poderão mudar o sistema de concessão de aumento de seus próprios salários, mas pelo que podemos verificar nada leva a crer que haverá qualquer modificação, pois os interesses corporativos são maiores que os da sociedade.