Prazo curto para escolher nossos representantes

Estamos a poucos dias do início da campanha eleitoral no Brasil, sendo possível verificar que os pré-candidatos estão muito preocupados em conseguir mais tempo, durante a campanha eleitoral gratuita no rádio e televisão, do que em montar planos de governo.

Tudo parece confuso nesta eleição, temos 35 partidos políticos que não apresentam muitas diferenças em suas propostas, não há novidades, apenas repetição de velhas promessas dizendo que tudo vai mudar depois de outubro.

Não conhecemos, realmente, os futuros candidatos que terão 45 dias para divulgar suas ideias, aquelas que sempre ouvimos a cada quatro anos, mudanças nos setores da educação, saúde, segurança, corte nos gastos públicos e nas vantagens dos políticos, com redução da máquina e dos cargos sem concurso.

Prazo curto para que milhões de brasileiros consigam refletir corretamente sobre quem vai conduzir nossa política pelos próximos anos, não será o presidente, pois quem conduz a política no país são os deputados federais e senadores.

A distribuição do fundo partidário está centrada em reeleger os deputados federais, garantindo assim a manutenção das cotas do referido fundo,  mantendo os políticos onde estão, enquanto os novos candidatos serão  números para garantir a manutenção das legendas.

No nível estadual a confusão também aparece, não há lógica nas coligações, os interesses estão centrados nos cargos que o futuro governo vai distribuir para os apoiadores, repetindo assim o cenário nacional, que também funciona desta maneira.

As mídias eletrônicas serão uma ferramenta usada em excesso, receberemos tantas informações, que será difícil separar o que é verdade ou invenção, assim votaremos por obrigatoriedade, não temos a opção de não comparecer, não participar deste processo.

Assim é nosso processo eleitoral, com uso do dinheiro público para as campanhas, com tempo cada vez menor, urnas eletrônicas que não fornecem comprovantes, tudo para facilitar a eleição dos políticos profissionais.

Nosso Campeonato Mundial

Na Rússia os franceses conseguiram superar os adversários e chegar ao seu segundo título mundial de futebol, vencendo a Croácia na final pelo placar de 4 a 2, num jogo emocionante.

A Croácia foi um adversário difícil, que não se abateu nunca, com as equipes buscando o gol em toda a partida, resultando em 6 gols numa final de  Copa do Mundo, algo que não acontecia desde o primeiro título mundial da França, quando venceu o Brasil por 3 a 0.

Foi uma Copa do Mundo medíocre, com equipes de futebol que não se diferenciavam muito, nenhum grande craque, poucas novidades táticas, enfim um campeonato que não empolgou.

As novidades tecnológicas, como o árbitro de vídeo, chegaram para ficar, passando a ser empregadas nos próximos eventos de futebol pelo mundo, sendo possível imaginar muitas confusões pelas interpretações erradas dos seres humanos.

A França foi competente, jogou para vencer, com muita entrega nas disputas, enquanto a Croácia teve que enfrentar prorrogações em 3 partidas, num desgaste físico, que acabou tendo reflexos no jogo da final.

O Brasil, apesar de sua campanha pobre, sem grandes atuações, ficou em sexto lugar nesta Copa, com um futebol marcado pelas individualidades que não funcionaram, sendo possível constatar que o jogo coletivo praticado pela França deveria ser o caminho.

Agora o nosso campeonato é outro, temos que vencer a falta de estrutura, sendo possível ver inúmeras obras inacabadas previstas para 2014, com desvios dos recursos, sem hospitais adequados, escolas estruturadas, enfim o mínimo dos serviços públicos não funciona.

Os políticos são um time forte, preparados para continuar o jogo que eles organizaram, mantendo privilégios e todo um sistema que busca desviar recursos públicos para as vantagens deste time.

Podemos vencer e ganhar este jogo, mas precisamos escolher novos jogadores, mais interessados em ajudar-nos do que a si mesmos, mudando nossa realidade, só depende de uma jogada certa na urna eletrônica.

Desobedecendo as regras

A Copa do Mundo acabou para a seleção brasileira, que depositava todas suas esperanças num jogador que virou chacota mundial por seus fiascos quando era tocado pelos adversários, fazendo com que os juízes deixassem de marcar faltas.

A simulação visando levar o árbitro a marcar faltas e penalidades máximas é uma prática comum nos jogadores brasileiros, mas no caso de Neymar chegaram ao exagero, com cenas que beiraram um teatro sem graça.

Nossos jogadores, acostumados em obter vantagens com suas simulações, tentaram enganar os juízes, que usando uma nova tecnologia, o árbitro de vídeo, conseguiram evitar favorecimentos indevidos à nossa seleção, principalmente em lances nas áreas adversárias.

Tínhamos estrutura para ganhar da Bélgica, ótimos jogadores, porém a soberba tomou conta de nosso time, não modificamos nossa forma de jogar, insistindo nas mesmas jogadas que não deram certo contra adversários mais fracos.

Nossa seleção foi incompetente, vencendo com dificuldades adversários fracos, perdendo para uma seleção belga que não teve nenhuma marcação especial, com o técnico insistindo com jogadores que não davam resposta, sem fazer modificações com os reservas que dispunha.

O rodízio de capitães, outra invenção, colocou a braçadeira em jogadores que não tinham perfil para tal função, inclusive repetindo um capitão que foi um fracasso na copa anterior, aliás nem deveria ter ido à Rússia.

Na realidade nossa seleção não empolgou, fomos torcendo para que desse certo, pois tínhamos um retrospecto positivo, éramos favoritos, mas na hora da verdade, nossos “craques” não corresponderam.

Talvez se chegássemos a final, tudo passaria despercebido, estaríamos comemorando um hexacampeonato, mas diante do fracasso deste grupo, com vários que estavam em 2014 no maior fiasco de nosso futebol, fica difícil entender as escolhas da comissão técnica.

Quem sabe em 2022 tenhamos jogadores mais comprometidos, em melhores condições físicas e que não tentem burlar as regras do jogo, simulando para obter vantagens, conseguindo nosso hexa com dignidade e organização tática e técnica.

Free Way sem pedágio

Por incompetência do governo federal acabou a concessão para exploração dos pedágios na melhor rodovia do Rio Grande do Sul, com a consequente manutenção da estrada. Assim ficaremos um ano sem pedágios e sem manutenção, pois o processo de concessão é demorado e tem, normalmente, contestações judiciais.

O novo modelo que está sendo proposto inclui, além da Free Way, as estradas: BR 101, BR 290 e BR 386. Um polo de rodovias que deverá incluir a duplicação em alguns trechos, melhorando a condição do tráfego na região, porém com atraso, já que deveriam estar duplicadas há décadas.

O pior de tudo é saber que pagamos caro nosso Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), cujos recursos deveriam ser direcionados para a construção e manutenção da malha rodoviária, porém sabemos que os valores arrecadados perdem-se num sistema tributário desorganizado e são destinados para outros fins.

A solução encontrada foram os pedágios, que no Rio Grande do Sul foram concedidos de forma aleatória, sem planejamento, pois em determinados eixos rodoviários, há trechos pedagiados com ótima manutenção e outros abandonados pelo poder público.

Não podemos esquecer que há décadas houve concessão sem nenhuma exigência de contrapartida das concessionárias, que exploraram os pedágios sem investir na malha viária, somente nos novos contratos é que houve a exigência de investimento.

Ainda tivemos a criação, em 2012, da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), que iria controlar as estradas gaúchas, retirando da iniciativa privada a exploração das praças de pedágio, porém na prática não funcionou, resultando em abandono das estradas, que ficaram esburacadas e sem sinalização.

Agora temos o fim da concessão da Free Way, ou seja, agora teremos o sucateamento de nossa melhor estrada, que vai se juntar a todas as outras que não tem manutenção, nem do poder público e nem da iniciativa privada, resultado da falta de investimento na infraestrutura gaúcha há décadas.