Adeus Paixão Côrtes

O Movimento Tradicionalista Gaúcho não existiria se Paixão Côrtes, Barbosa Lessa e Glauco Saraiva, quando estudantes do Colégio Júlio de Castilhos não resolvessem criar o Departamento de Tradições Gaúchas, que foi a base para cultivar as atividades culturais do gaúcho.

Nas comemorações da Revolução Farroupilha, em 1947, pegaram uma centelha da Fogo Simbólico da Pátria, na Redenção e levaram para o Julinho, originando a Chama Crioula. No ano seguinte, este grupo fundaram o primeiro Centro de Tradições Gaúchas, o 35,com a finalidade de resgatar  as raízes culturais do Rio Grande do Sul.

As danças, músicas e a culinária gaúcha foram resgatadas, num resgate dos primórdios da cultura de nosso rincão, tudo sendo pesquisado e catalogado por Paixão Côrtes, originando os regramentos do Movimento Tradicionalista.

A Semana Farroupilha teve origem nos primeiros desfiles a cavalo realizados pelos jovens usando bota e bombacha fora das atividades campeiras, mas de forma de demonstrar a admiração pela vida na campanha.

Paixão Côrtes foi um excelente divulgador destas ideias, com passagens pela Europa e outros continentes, levando a cultura gaúcha para além das fronteiras do Rio Grande do Sul, disseminando os Centros de Tradições Gaúchas  por todo o mundo.

Atualmente existem milhares de CTGs espalhados pelo mundo, tendo como referencial toda a pesquisa de Paixão Côrtes, que dedicou sua vida a procurar nos rincões de nosso pampa, junto ao povo cada detalhe de danças e músicas folclóricas.

A estátua do Laçador, símbolo de Porto Alegre, teve como modelo Paixão Côrtes, falecido em 28 de agosto de 2018, eternizado em bronze na entrada da Capital, servindo de referência para aqueles que cultivam a tradição.

Paixão Côrtes já deve estar proseando com São Pedro, perguntando sobre as danças dos anjos e juntando gente para fundar um Centro de Tradições Gaúchas no céu, com muitos moradores vestindo bombacha e vestidos de prenda.

Descanse em paz Paixão Côrtes!

 

Eleitores analfabetos

O eleitorado brasileiro soma 147 milhões de pessoas em condições de votar e escolher os futuros presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, distribuídos de forma heterogênea pelas regiões do país.

Deste total existem 45 milhões de eleitores que não tem os requisitos primários em instrução, pois não tem o ensino fundamental completo, enquanto que aqueles que possuem ensino superior completo somam 13 milhões de eleitores.

Este número inclui 7 milhões de analfabetos, que votarão nas próximas eleições, escolhendo seus candidatos sem saberem ler nem escrever, enquanto 38 milhões possuem ensino fundamental incompleto, muitos dos quais sendo analfabetos funcionais, ou seja, não conseguem compreender um texto nem realizar contas simples.

A escolha dos futuros ocupantes dos cargos públicos vai passar pela decisão destes eleitores, que são facilmente influenciáveis em suas decisões, além de poderem ser manipulados por informações falsas, com uso da influência de terceiros que vão interpretar os dados que serão mostrados pelos candidatos.

Por aqui no Rio Grande do Sul possuímos 8 milhões de eleitores, dos quais temos 3 milhões de pessoas com ensino fundamental incompleto, destes 200 mil são analfabetos, enquanto que temos 800 mil com ensino superior.

Este cenário, tanto no Brasil, como no nosso estado é preocupante, pois a falta de esclarecimento e a facilidade de manipulação das pessoas menos instruídas, podendo influenciar de maneira importante o resultado das eleições em todos os níveis.

Num resumo temos, em média, um terço do total de eleitores sem condições plenas de compreensão daquilo que chega a eles, através de materiais escritos, nem manifestar seus pensamentos, via texto.

Esperemos que os futuros eleitos tenham a intenção de mudar este quadro de analfabetismo, mediante a criação de legislação e investimentos na educação, aumentando o número de pessoas que tenham condições de entender melhor a realidade que as cerca, escolhendo melhor seus representantes.

A renúncia de Mujica

O ex-presidente uruguaio Pepe Mujica resolveu, aos 83 anos, renunciar ao cargo de senador alegando que precisa aproveitar o resto de sua vida, recolhendo-se a sua fazenda, onde deverá viver de maneira simples, como sempre foi sua característica.

Além disso, por ter renunciado, abriu mão de receber seu salário, refugiando-se, conforme suas palavras, na aposentadoria da vida pública, mas que continuaria defendendo suas ideias, mas sem ocupar cargos.

Mujica não foi condenado por nenhum crime, não está envolvido em escândalos de corrupção, no entanto renunciou, ao contrário de tantos políticos brasileiros, que mesmo condenados, tentam permanecer em seus cargos e continuar recebendo seus salários.

Temos diversos exemplos de políticos que ficam na função pública até suas mortes, não permitindo a renovação ou mudanças, enquanto outros, mesmo doentes ou idosos permanecem nos cargos, incapazes de deixar os holofotes.

Nossa legislação beneficia com salários vitalícios diversos cargos, no entanto, alguns, após receberem vantagens de um cargo, vão em busca de outro, acumulando valores e benefícios, sem nenhum constrangimento.

Paulo Maluf, com 86 anos, deputado federal, em prisão domiciliar, condenado por crimes de desvio de dinheiro público, é um exemplo da prática brasileira, pois não renunciou, deixando que seus pares decidam se deve ou não deixar o cargo, no entanto, os integrantes da Câmara dos Deputados protelam a decisão desde dezembro do ano passado.

Convém salientar, que a esposa de Mujica ocupa atualmente a vice-presidência do Uruguai, o que não tira o mérito da atitude de um político deixar a vida pública para aproveitar a vida.

Por aqui aproveitar a vida é permanecer mais e mais tempo na política, mudando de cargos, com acúmulo de vantagens e conseguindo manter os privilégios e mordomias que os políticos aprovam em benefício próprio.

Pena que Mujica não é o modelo que nossos políticos tenham interesse em seguir, porque não consegue entender como alguém pode deixar de abrir mão dos privilégios para, simplesmente, viver.

 

Gaúchos para vice-presidente

O número de candidatos gaúchos à vice-presidência do Brasil chama a atenção, afinal somos um estado em penúria financeira, mal administrado nas últimas décadas e com enormes dificuldades em escolher nossos representantes, pois sempre estamos contra a opinião nacional quando o assunto é escolha de presidentes.

Os chamados para estes políticos gaúchos mexeu muito no cenário da eleição gaúcha, desmanchando  alianças e acabando com pretensos candidatos ao governo estadual, além de alterar os nomes para a concorrência ao cargo de senador.

As coligações nacionais não tem relação nenhuma com as locais, tudo é embaralhado, difícil de entender, num jogo de interesses que não tem nenhuma relação com as necessidades da população, são acordos visando espaço na mídia e atingir determinadas faixas do eleitorado.

O grande problema de escolher um vice-presidente é que ele pode vir a ocupar a cadeira do presidente, vejam os exemplos de Sarney, Itamar e Temer, que não eram e acabaram sendo presidentes, assim dos cinco escolhidos, caso a chapa venha a ser a eleita, um deles poderá conduzir o Brasil.

Temos recordações de João Goulart, um vice-presidente gaúcho que chegou ao poder em 1961, com a ajuda de um movimento popular, A Legalidade, depois da renúncia de Jânio Quadros, permanecendo no cargo até 31 de março de 1964, quando foi retirado da presidência.

Lembremos do gaúcho Getúlio Vargas, que com uma revolução em 1930, tomou o poder e ficou 15 anos como presidente do país, voltando em 1950 pelo voto popular, mas que teve fim trágico, com um suposto suicídio, em agosto de 1954.

Assim fica a esperança de ter um vice-presidente gaúcho, o que poderá contribuir para o nosso estado sair do papel de coadjuvante da política nacional e que esta possibilidade traga mais recursos e investimentos para o Rio Grande do Sul.

Cabe a nós escolher uma chapa presidencial, se tiver um gaúcho pode ser melhor, mas somente o tempo é que dará esta resposta para os eleitores.

Frio que nos adoece

O clima literalmente enlouqueceu, está difícil a saúde aguentar tanta variação de temperatura num mesmo dia, acordamos com um lindo sol e quase 30 graus de temperatura, no meio dia temos 15 graus e à noite chegamos a 5 graus, numa mudança tão brusca que nos pega desprevenidos.

Às vezes acontece o contrário saímos de um frio congelante para um calor sufocante, sem nenhuma lógica, o que acaba trazendo uma série de doenças respiratórias que atingem crianças e adultos indistintamente, numa onda de tosses e espirros.

Aliado a tudo isso temos um sistema de vacinação contra a gripe que, muitas vezes, é ignorado por uma grande parcela da população que não acredita na eficácia das vacinas, pois não consegue prevenir as dezenas de tipos de gripes existentes.

Nosso clima é diferente de todo o resto do Brasil por nossa localização geográfica, porém nossa prevenção começa no mesmo período dos demais estados, assim nossa exposição ao frio traz as gripes durante as campanhas de vacinação.

Desta forma temos uma parcela da população já doente tomando vacina contra a gripe, o que acarreta a associação errada de que a vacina trouxe a gripe, quando na verdade as gripes já estão acontecendo em virtude de nosso clima.

Agora vivemos um frio intenso, como há muito tempo não acontecia, o que nos torna vulneráveis a toda sorte de doenças, ocorrendo uma onda de contágios, principalmente, em locais com grande número de pessoas: escolas, transporte público e eventos.

Pior é que nosso sistema de saúde não comporta a situação, temos emergências lotadas com doentes aguardando atendimento, o que gera, de forma contraditória, mais risco de contágio para quem está em busca de uma cura.

Prevenção é o melhor remédio, porém deveria começar com campanhas contra a gripe antes de haver a instalação dos vírus entre as pessoas, mas principalmente mudar a maneira como tratamos nosso planeta.

Temos neve no Sul e fogo no Norte da Terra, pois nossas atitudes desajustaram toda a lógica climática, com frio extremo ou calor excessivo onde anteriormente tínhamos temperaturas suportáveis.