Venezuelanos no Rio Grande do Sul

Nos últimos anos a Venezuela vem enfrentando uma grave crise econômica e social decorrente de um sistema político que não está em consonância com a economia mundial, havendo um embargo de outros países ao petróleo venezuelano, o que desestabilizou a economia, gerando a falta de alimentos e materiais de necessidade básica para a população.

Em consequência dessa situação os venezuelanos começaram a vir para a fronteira com o Brasil, mais especificamente com o estado de Roraima, havendo uma invasão de refugiados em busca de alimento e condições melhores de vida, sem haver estrutura para receber os milhares de fugitivos da miséria no país vizinho.

Houve, inclusive, incidentes envolvendo comerciantes e refugiados, os quais sem dinheiro tentaram saquear alguns supermercados para pegar alimentos, surgindo notícias de agressões e acusações de ambos os lados, gerando a necessidade de que o governo brasileiro tomasse providências para resolver o problema.

Uma das alternativas foi buscar junto à Organização das Nações Unidas recursos para que cidades brasileiras recebessem venezuelanos e tivessem aporte de dinheiro para instalar e qualificar os refugiados para trabalharem no Brasil, assim algumas cidades gaúchas foram contempladas com estes recursos.

Esteio foi a primeira cidade que recebeu venezuelanos, sendo providenciado moradia e alimentação para mais de uma centena de pessoas, as quais viajaram em aviões da Força Aérea Brasileira de Roraima para o Rio Grande do Sul. Em seguida Canoas e Cachoeirinha também foram escolhidas pelo governo brasileiro para receber mais refugiados.

A previsão é de que cheguem ao Rio Grande do Sul em torno de 700 venezuelanos, distribuídos em algumas cidades, passando a receberem ajuda internacional para sua subsistência e profissionalização, espero que com estes seja diferente das centenas de refugiados de outros países que estão por aqui, trabalhando, principalmente, no comércio irregular nas ruas de nossas cidades.

Facada em Bolsonaro

Temos uma eleição totalmente sem propostas concretas dos candidatos à presidência do Brasil, sem nenhum dos postulantes apresentando planos de governo esclarecedores, apenas detalhes genéricos sobre os assuntos que sempre voltam ao debate eleitoral: saúde, educação e segurança.

Os eventos com os candidatos têm sido marcados por embates, entre os simpatizantes, que acabam partindo para a discussão e defesa dos seus escolhidos. Lula e seu poste da vez, Haddad, têm defensores de temas vinculados à manutenção de tudo que os petistas defendem, enquanto os de Bolsonaro voltam-se para ideias que remontam ao período anterior aos governos de Lula e Dilma.

Esta radicalização tem criado dois espaços antagônicos e violentos com cenas de agressões que vieram num crescendo, chegando ao clímax na última quinta-feira, quando um rapaz, filiado a um partido que apoia a candidatura petista, desferiu uma facada no abdômen de Jair Bolsonaro.

Após o incidente o candidato foi levado à Santa Casa de Juiz de Fora, onde foi submetido a uma cirurgia, pois houve perfuração de seu intestino grosso, tendo perdido muito sangue e permanecido na Unidade de Tratamento Intensivo.

Depois surgiram versões de ambos os lados, com a especulação de que tudo foi uma armação da campanha de Bolsonaro para que tivesse mais espaço na mídia e crescesse nas pesquisas, enquanto que de outro lado veio a ideia de que foi um plano elaborado por petistas, onde o agressor deveria ser linchado pelos simpatizantes do candidato, enquanto este deveria morrer.

A ação rápida da segurança evitou uma tragédia maior, com a identificação e prisão de Adélio, um simpatizante de Lula, que após ser interrogado alegou ter sido mandado por Deus.

A facada em Bolsonaro criou um fato novo na campanha presidencial, porém não mudou nada no que se refere aos planos de governo e nem modificou o cenário da intenção dos votos, ou seja, qualquer que tenha sido o “plano” os candidatos nada ganharam.

Museus a céu aberto

O Museu Nacional acaba de ser destruído por um incêndio, de grandes proporções, aniquilando uma coleção de 200 anos de história, com diversos materiais raros e únicos, mas que, por desinteresse público e privado, não existem mais.

Agora surgem diversos movimentos culturais dizendo que já tinham avisado, os políticos aproveitam para prometer novos investimentos na cultura nacional, enquanto há uma troca de acusações entre os diversos órgãos envolvidos na preservação do estabelecimento.

As ruínas do Museu Nacional deverão permanecer assim por muito tempo, porque no Brasil há uma tendência priorizar o imediato, com remendos em vários setores, nada sendo concluído, um exemplo disso é o Mercado Público, incendiado em 2012 e sem previsão de retornar a funcionar plenamente.

O povo não tem o costume de visitar museus, mais preocupado em conseguir sobreviver com salários baixos, falta de estrutura nas cidades e  com preços dos alimentos exorbitantes. Os setores culturais vivem em uma bolha, isolados da maioria da população.

As festas nas comunidades demonstram o que tem apelo popular, com suas letras ofensivas e suas músicas repetitivas conseguem reunir milhares a cada final de semana, enquanto que uma mostra cultural tem pouca procura, mesmo sendo gratuita.

Mas nossos museus não se limitam aos espaços com este nome, temos verdadeiras relíquias arquitetônicas abandonadas, sem nenhum investimento para restauração, temos obras que nunca foram concluídas ou utilizadas plenamente, ficando como demonstração do desperdício do dinheiro público.

A estrutura do Aero móvel, junto ao Gasômetro, é um destes monumentos à incapacidade dos políticos, com uma solução barata e simples, que foi abandonada e acabou sendo reconhecida mundialmente, menos na terra onde nasceu a ideia.

Museu é história, mas somente será aproveitado e entendido se houver um nível de educação para compreender o significado de cada peça, espaço e mesmo a origem do lugar, o que funcionava ali antes, senão teremos somente casarões antigos, mal pintados, abrigando coisas velhas no entender de muitos.