Novos Governantes

Jair Bolsonaro é presidente do Brasil e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, a partir do resultado das urnas, depois de uma campanha presidencial polarizada, com duas propostas antagônicas, enquanto no Estado tivemos dois candidatos semelhantes, dentro do mesmo campo ideológico, porém mantendo a tradição de não reeleger os governadores gaúchos.

Os seguidores defendiam as ideias dos candidatos, mas a novidade de Bolsonaro venceu a proposta de retorno do modelo petista no governo federal, enquanto que por aqui tivemos duas candidaturas que, no final das contas, eram muito parecidas para governar nosso estado.

Agora resta esperar que, a partir de janeiro de 2019, os novos governos cumpram as promessas de campanha, alterando a situação caótica das áreas essenciais à população, principalmente na segurança pública, havendo mudanças na realidade de assaltos e mortes nas ruas.

Na educação espera-se que os profissionais sejam valorizados, a estrutura melhorada e as propostas de ensino privilegiem a educação básica, melhorando o ensino fundamental de nossas crianças. Já na saúde que as pessoas não morram por falta de atendimento e leitos nos hospitais, com ampliação do número de médicos para atender as populações mais distantes e carentes.

Outra área que precisa mudar é a infra-estrutura, com melhorias no transporte público, além da criação de modais ferroviário e hidroviário, alterando a exclusividade do sistema rodoviário como meio de locomoção de cargas e pessoas no país. Sem esquecer na mudança na política como um todo, acabando com a fórmula da troca de cargos por apoio para a aprovação das leis de interesse da sociedade.

Se tivermos essas mudanças já terá valido a pena eleger os novos governantes, senão acontecer, ficaremos mais quatro anos vivendo num pais que não progredirá e num Rio Grande do Sul, onde os governos sejam incapazes de atender as demandas da população.

Crimes contra crianças

Nos últimos dias tivemos a noticia de que uma menina de nove anos foi encontrada morta na beira da RS 118, em Alvorada, depois de ter sumido no dia 21, quando foi levada por um homem, que a seduziu oferecendo um passeio para comprar roupas, segundo relatado por testemunhas.

Ainda não se sabe o que motivou a morte da menina Eduarda, nem quem realizou o sequestro, apenas que após um dia desaparecida a menina apareceu morta, com sinais de afogamento, com um retrato falado do criminoso que estava no carro, estampado nos jornais. O fato do pai da menina estar cumprindo pena por diversos crimes levanta a hipótese de vingança, um suposto ritual realizado no rio e até mesmo a ação de um estuprador. Infelizmente mais uma criança perdeu a vida, sem a prisão, até o momento, do autor deste crime bárbaro.

Ainda nesta semana, a suposta prisão de um homem que teria tentado seqüestrar uma criança, resultou numa delegacia de polícia cercada por moradores da vila Mario Quintana. Mesmo com a negativa dos policiais de que fosse verdade, os vidros do prédio foram quebrados e uma viatura foi danificada por chutes e pauladas.

Na sequência, as ruas foram bloqueadas por móveis incendiados, além de um ônibus ser usado como barreira, sendo necessária a intervenção de policiais civis e militares, surgindo um confronto entre os moradores usando pedras e os policiais atirando balas de borracha.

Desta forma, a comoção, quando crimes envolvem crianças, é um estopim para a revolta popular, porque os moradores queriam retirar o suposto preso da delegacia e fazer justiça na rua, diante do prédio.

A falta de segurança nas ruas faz surgir a vontade das pessoas de resolverem as situações com uso de violência, desrespeitando as leis, que, no entendimento da maioria, são muito brandas para os criminosos e que não evitam tantos crimes contra as crianças.

Dia do Professor

O surgimento de uma data para que os professores fossem homenageados no Brasil aconteceu no ano de 1827, quando o imperador Dom Pedro I instituiu o sistema de ensino em nosso país, sendo implantado toda uma estrutura voltada para que a maioria da população tivesse acesso à escola.

Mas somente no ano de 1963 foi instituída a data de 15 de outubro como o Dia do Professor no Brasil, como um reconhecimento ao trabalho dos profissionais da educação que se dedicam a ensinar as pessoas dentro de salas de aula, devido à vocação de tirarem da ignorância aqueles que não reconhecem as letras e não conseguem realizar a leitura.

Professores são seres especiais que conseguem, através do afeto e da paciência, mostrar cada nova letra, os movimentos para que os alunos desenhem a caligrafia, numa busca para o aperfeiçoamento do ser humano, onde possam decifrar os sinais gráficos no papel e transformem em compreensão do mundo.

Pena que nosso país tenha desvalorizado os mestres ao longo de sua história, num processo de sucateamento das escolas pelos diferentes governos, além de estrutura deficitária para atrair os alunos, resultando na desmotivação dos professores e queda na procura pela formação específica para o magistério.

Enquanto no Japão os professores são os únicos que não precisam se curvar perante o imperador, por aqui nossos educadores são agredidos nas salas pelos alunos, desrespeitados pelos pais e penam com salários insuficientes para conseguirem se sustentar.

Espero que os próximos governantes tenham um olhar diferenciado para a Educação em nosso país, mudando todo o cenário que está posto, com políticas voltadas para que as pessoas tenham a chance de compreender um texto, realizar pequenas contas e aprender a escrever minimamente, através da ação efetiva de professores bem preparados e com estrutura escolar voltada para o ensino.

Que nos próximos anos o 15 de outubro tenha professores felizes, comemorando seu dia, com alunos conseguindo aprender mais, dentro de escolas com excelentes condições de funcionamento, além de salários dignos para esta importante profissão da sociedade brasileira.

Direita ou esquerda

Passado o primeiro turno das eleições presidenciais restou ao povo brasileiro escolher entre duas propostas muito diferentes para governar o Brasil nos próximos quatro anos. De um lado um candidato ligado às ideias de Estado menor e com visão ligada à iniciativa privada para administrar vários setores da economia, enquanto o outro tem por base um Estado voltado a defender os programas sociais e patrimônio público.

No fundo destas visões temos dois sistemas econômicos que surgiram no início do século 20, resultando em duas potências mundiais após a Segunda Guerra, quando Estados Unidos, representando o capitalismo pregava a propriedade privada e economia de mercado, enquanto que a União Soviética defendia a divisão do capital entre os trabalhadores e o Estado controlando a economia.

Mas tudo mudou a partir de 1989, com a queda do Muro de Berlim, unificando as duas Alemanhas, extinguindo  a União Soviética. Desta forma o mundo entrou em confusão, surgindo modelos híbridos com características tanto comunistas, como capitalistas e o maior exemplo disto é a economia chinesa, num país comunista na política e produção industrial explorando o trabalho, ou seja, capitalista.

Assim todas as propostas apresentadas para o nosso país, vindo da direita ou da esquerda, querem convencer o povo que o melhor são as ideias que defendem, com programas de governo  limitados e que não trazem soluções, apontando dois caminhos, direita ou esquerda,  a partir de janeiro de 2019.

Resta agora escolher, no dia 28 de outubro, um dos dois pretendentes ao cargo presidencial, sabendo que são dois candidatos totalmente antagônicos e seus seguidores são integrantes de duas seitas a defender seus líderes.

Tomara que os eleitores escolham o projeto que melhor servirá para que tenhamos melhores dias, resolvendo os três principais problemas da sociedade: saúde, educação e segurança, presentes nos discursos de todos os que se candidatam, independente de serem de esquerda ou direita.

Três de outubro de 1930

A política do Café com Leite, instituída para alternar na presidência do Brasil políticos paulistas e mineiros foi quebrada por Washington Luis, que indicou outro paulista, rompendo o acordo. Assim os mineiros lançaram Getúlio Vargas como candidato da oposição.

O processo eleitoral iniciou em 1929, encerrando com a votação em março de 1930, com a derrota de Getúlio Vargas no pleito, porém alegando fraudes na contagem dos votos, começou a articulação para que o futuro presidente não assumisse o cargo em 15 de novembro de 1930.

No dia 03 de outubro de 1930, com a tomada da sede do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, iniciou a Revolução que levaria Getúlio Vargas a assumir como chefe do Governo Provisório em 01 de novembro, depois de quase um mês de enfrentamentos entre os revolucionários e as forças que apoiavam o presidente Washington Luis.

Assim a partir deste fato histórico, nas eleições passamos a ter duas datas para a votação, o primeiro turno em 03 de outubro e o segundo turno em 15 de novembro, porém com a passagem dos anos isto foi sendo modificado.

No domingo, 07 de outubro teremos o primeiro turno das eleições e em 28 de outubro, o segundo turno, para eleger os representantes nos níveis federal e estadual, sendo que a origem das datas dos turnos foram duas revoluções, uma em 15 de novembro de 1889, que derrubou a Monarquia e a outra em 03 de outubro de 1930, quando Getúlio Vargas iniciou seus 15 anos de poder absoluto.

Desta forma temos no Brasil eleições democráticas que são realizadas em momentos que comemoram ações que derrubaram os regimes políticos vigentes, com voto obrigatório dos brasileiros, ou seja, querendo ou não os eleitores precisam comparecer e votar.

Assim aproveitem e elejam os melhores representantes para permanecerem nos cargos pelos próximos quatro anos, pois os políticos só estarão lá porque alguém votará neles ou se novamente ocorrer o que aconteceu em 1930, quando revolucionários não aceitaram o resultado das eleições e tomaram o poder à força.

A falsa Free Way

A Free Way, com seu trecho de 98 quilômetros, foi considerada a melhor rodovia do Rio Grande do Sul durante duas décadas, enquanto era pedagiada. Porém em 90 dias a excelente estrada transformou-se num caminho esburacado, com diversos trechos do asfalto saindo só com a passagem dos veículos.

Não sei qual foi a estratégia usada pela concessionária da rodovia para ter um pavimento impecável, enquanto cobrava um valor de pedágio caríssimo, sem nenhum buraco, já que bastou abrir as cancelas para tudo esfarelar-se de maneira tão rápida.

O pior é saber que os órgãos de fiscalização nunca verificaram qualquer problema na manutenção asfáltica da Free Way, o que leva a perguntar se foram incompetentes ou coniventes com um sistema de maquiagem do trecho pedagiado. Outras rodovias já estão sem pedágios há algum tempo e o asfalto não se desmanchou da maneira como acontece com a estrada que liga Porto Alegre a Osório.

Agora anunciam um contrato emergencial com uma empresa para manutenção e limpeza da Free Way visando tapar os buracos e melhorar as margens da rodovia, assim teremos os leitos das vias em melhores condições para suportar o tráfego do próximo veraneio, mas nada garante que as bases da estrutura não estão com problemas.

Estranho é que nenhum órgão fala em cobrar da concessionária pelas péssimas condições entregues ao público depois de explorar financeiramente e lucrar muito por 20 anos da concessão e mais um ano de prorrogação do contrato original, porque a melhor rodovia do Rio Grande do Sul por 21 anos era uma farsa que acabou em 90 dias.