Bolha Salarial

O acordo fechado entre os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e da República, Michel Temer, permitiu que o aumento de 16,38% nos salários dos ministros do STF fosse sancionado por Temer, sendo revogado o auxilio-moradia para o membros do Judiciário, numa clara demonstração de que a crise das contas públicas não preocupa os que recebem grandes salários dentro do serviço público.

As projeções dos custos deste aumento para as contas públicas chegam a 4 bilhões por ano, devido ao efeito cascata, já que o salário dos ministros do STF é o teto da remuneração dos integrantes do Judiciário e Legislativo, além de alguns cargos do Executivo, portanto ao conceder o aumento o presidente Temer beneficia diversas castas do funcionalismo público.

Altos salários valorizam os integrantes do Judiciário, mas reajustes devem ser concedidos quando as contas públicas permitirem, o que segundo vemos divulgado na mídia não é realidade, há déficit no orçamento, faltando dinheiro nas áreas essenciais para a população, mas no centro do poder, em Brasília, parece que esta realidade não existe.

Por aqui os integrantes do Judiciário e Legislativo também não são afetados pela enorme crise divulgada na mídia, pois durante todos os anos do governo Sartori, enquanto os funcionários públicos do Executivo tiveram seus salários parcelados e atrasados, estes receberam sem atraso e terão reajustes baseados nas concessões de aumentos dos salários dos ministros do STF.

Assim teremos, no próximo ano, aumentos em cascata para quem tem os salários vinculados ao teto do STF, o que deve gerar um gasto de 225 milhões a mais nas contas do orçamento gaúcho, agravando o cenário da crise econômica que levou o governo estadual a buscar um acordo com a União para renegociação das dívidas.

2019 virá com aumentos em cascata, que não atingirão os que recebem os menores salários, sem melhoria dos serviços públicos, devido à falta de recursos para as áreas de saúde, educação e outras essenciais para a população.

Perdas em nossas vidas

Vemos as notícias de mortes naturalmente, pois a morte é uma coisa corriqueira, acontece diariamente em cada canto de nosso mundo, numa rotina de pessoas perdendo a vida pelos mais diversos motivos, mas quando envolve pessoas que nos são próximas, a dor e a tristeza chegam fortes.

Quando perdemos amigos e familiares nossos sentimentos são de revolta pelo que acontece com aqueles com quem convivemos, não aceitando perder em nossas vidas pessoas que representaram papéis importantes, mesmo sabendo que a morte é algo natural e uma etapa de nossa vida.

Recentemente perdi um amigo, daqueles que tu chamas de irmão, por tantas afinidades e com quem vivi muitos momentos importantes de minha vida, com o qual dividi muitas angústias e alegrias, após ter um acidente vascular cerebral (AVC), permaneceu em coma por 45 dias, vindo a falecer, após seu coração não mais resistir.

Poucos dias depois, um acidente de trânsito levou os pais de um amigo, com os quais convivi por mais de 30 anos, tendo privado da companhia deles em diversas oportunidades, inclusive nas Bodas de Ouro do casal, completados em dezembro do ano passado, assim posso dizer que nem a morte os separou.

São perdas assim que nos fazem repensar atitudes, valorizar ainda mais os amigos, reaproximar dos familiares e consolar os que perderam seus entes queridos, numa tentativa de consolar a tristeza que abala as famílias enlutadas.

Também pude constatar que muitos amigos que não via há muito tempo estavam lá nos velórios, comentando que precisamos nos encontrar mais, em momentos alegres, pois a vida passa rápida e se não tentar reencontros, somente em momentos de perda é que vamos conviver.

Vamos valorizar a vida, aproximar das pessoas com as quais temos interesses comuns, procurar reunir para rir e repartir momentos alegres, saindo do mundo virtual das mídias sociais e passando a conversar mais, tendo felicidade real no abraço e no sorriso de alegria, ou senão só teremos o abraço e a lágrima da tristeza.

Stan Lee nos deixou

O criador de inúmeros super-heróis, Stan Lee, faleceu aos 95 anos, tendo influenciado, nos seus quadrinhos, o imaginário da geração dos anos 1940, depois nos desenhos animados, as gerações das décadas seguintes, chegando aos anos 2000 para mostrar nos cinemas toda a criatividade de um ícone da cultura, que participava de cada novo filme, com aparições relâmpago.

Um ser humano criativo que conseguiu a partir de suas ideias representar as diversas categorias da sociedade americana, com heróis humanos, com suas dificuldades e limitações, mas que apresentavam características mais alegres, com situações cômicas e divertidas, numa fórmula de sucesso que se manteve por décadas.

A Marvel estava alicerçada no que Stan Lee criou, numa clara disputa com a DC Comics, que tinha heróis mais sombrios e tristes, porém havia semelhanças, Batman e Homem de Ferro, só para citar um exemplo, são ricos  e tiveram os pais assassinados.

Mas Stan Lee conseguiu criar um Capitão América para mostrar os Estados Unidos vencendo o nazismo, enquanto no universo X-Men tratava da discriminação de uma forma poética, com as minorias mutantes tentando estabelecer-se junto aos humanos, com um grupo querendo exterminar os humanos e outro visando à integração entre todos.

Os Vingadores também apresentam este viés de seres diferentes que precisam ser controlados pelas autoridades, mesmo salvando o mundo de ameaças que poderiam causar a destruição do planeta.

Muitas das situações estão relacionadas com diversos momentos históricos, sendo possível identificar a preocupação de Stan Lee em mostrar heróis com problemas, como o Homem Aranha, que combate os vilões, mas tem que lidar com as provas da escola e com suas espinhas.

Stan Lee deixa um legado de personagens que demonstram sua preocupação com o racismo, quando apresenta o Pantera Negra, com a discriminação, ao mostrar o Wolverine e o Fera, com as guerras, quando o Homem de Ferro decide não mais produzir armas e deixa de vender aos países que estão em conflito.

Descanse em paz Stan Lee, o mundo ficou mais triste com sua morte.

 

Moro no Ministério da Justiça e Segurança

O presidente eleito Jair Bolsonaro já começou a montagem de sua equipe para assumir o controle do governo no dia 1º de janeiro de 2019, indicando alguns nomes para ocupar postos chaves da futura administração federal, com uma tendência a colocar técnicos nos ministérios.

O número de ministros deve diminuir com a fusão de diversas pastas num mesmo local, com extinção de outros órgãos julgados desnecessários pelo novo governo, visando melhorar o desempenho, segundo o presidente eleito, da máquina pública e diminuição dos gastos.

Dentre as pastas tomou destaque o Ministério da Justiça e da Segurança, que vai assumir o controle da questão da segurança pública, do combate à corrupção e ao crime organizado no país, com a indicação do juiz Sergio Moro para ser o futuro ministro da pasta.

Sergio Moro aceitou o desafio de chefiar um dos pontos mais importantes da campanha presidencial de Bolsonaro, ou seja, a segurança pública é a prioridade, além de redução da maioridade penal, flexibilização do uso de armas pelos cidadãos, criação de mecanismos mais eficientes para o controle do cumprimento das penas.

A experiência de Moro à frente da Operação Lava-Jato foi o principal motivo para sua indicação, pois nesta destacou-se pela condenação de diversos políticos corruptos, que antes ocupavam locais de destaque na politica nacional.

Se conseguir implantar no ministério a mesma eficiência demonstrada em Curitiba poderemos ter muitas mudanças na esfera da justiça brasileira, com investimentos pesados na segurança pública e alterações na legislação penal, modificando o cenário de impunidade a que estávamos acostumados a ver nas últimas décadas.

Na condição de celebridade e ídolo nacional, o juiz Moro tem a obrigação de acertar nas suas decisões e na condução do super ministério que será colocado sobre sua responsabilidade, com apoio massivo da população brasileira.

Tomara que ele acerte e tenhamos, a partir de 2019, uma segurança pública melhor e mais eficiente, com a aplicação da lei para todos, independente de condição social ou econômica.