Dois presidentes e nenhum governo

A Venezuela está atualmente com dois presidentes, de um lado assumiu em 10 de janeiro o presidente eleito Nicolas Maduro, através de eleições contestadas por diversos países e de outro Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país em 23 de janeiro, dando início a uma crise institucional no país vizinho.

Tudo iniciou em 1998, quando Hugo Chavez venceu as eleições para a presidência venezuelana, adotando uma política populista, que durou até sua morte no ano de 2012, baseada principalmente na exportação de petróleo, cujos valores eram utilizados para a importação de todos os produtos necessários para a população.

Com a queda do preço do petróleo em 2014 e redução da produção do produto, os venezuelanos tiveram redução de suas receitas, pois desde o final da Primeira Guerra Mundial os sucessivos governantes apostaram na exploração do petróleo, significando 96% das receitas da exportação do país, sem investimentos em agricultura e outros setores da economia.

Maduro não tem o carisma de Chaves, assim a oposição obteve mais adesão da população, o que permitiu que o líder da oposição conseguisse criar um fato político tão importante, gerando uma avalanche de apoios internacionais, favoráveis ou contrários a ambos os presidentes.

A população venezuelana vem sofrendo na mão de ditadores, os quais se aproveitaram de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, usando todo lucro para privilégios de pequenas elites, enquanto a maioria dos venezuelanos não tem acesso ao mínimo para sobreviver.

As privações levaram três milhões de pessoas a deixarem a Venezuela, buscando melhores condições junto a países vizinhos, pois alimentação e medicamentos estão em falta no país, com inflação chegando a um milhão por cento em 2018, desta forma temos dois presidentes, mas nenhum governo para conduzir um país com confrontos, mortes e feridos, resultado de duas forças políticas em luta pelo poder.

Placas Mercosul

A novidade das placas que, segundo informado, serão adotadas por todos os países do Mercosul, está causando muitos problemas para os proprietários de veículos novos ou transferidos neste início de 2019, pois a troca de toda frota deverá ser executada nos próximos anos.

Além do preço extorsivo, em torno de 250 reais, há ainda a burocracia e o desencontro de informações sobre quais veículos devem trocar as placas, inclusive com uma corrida aos credenciados do Detran de donos de carros que não precisam trocar imediatamente suas placas.

A principal novidade é que apenas o país de origem será identificado, sendo retirada a tarjeta informava o estado e o município de emplacamento do veículo, que foi substituída por um código acessível mediante aplicativo de celular.

Outra alteração foi a substituição do um dos números das placas anteriores por uma letra, o que ampliou a possibilidade de combinações de 175 para 450 milhões, com maior número de veículos podendo ser emplacados no Brasil.

Nos demais países do Mercosul a nova placa também será implantada, porém sem prazos ainda estipulados, porém mudando os padrões de tamanho hoje existentes, devendo todos os países adotarem o mesmo tamanho de placas que será de 40 centímetros de largura por 13 centímetros de altura.

Críticas não faltam ao novo sistema, pois as novas placas são mais difíceis para leitura, além de não ser possível identificar a cidade do veículo, pois a padronização das placas deixa tudo igual, apenas sendo possível saber que o veículo é de outro estado pela letra inicial.

Só saberemos se as placas Mercosul serão eficientes nos próximos anos, por enquanto vamos continuar vendo placas novas e antigas circulando nas cidades, podendo, inclusive, ser revogada a adoção do novo sistema.

Enchentes no RS

Alegrete e diversas cidades do Rio Grande do Sul sofreram com uma quantidade de chuva inesperada no início deste ano, causando a elevação dos níveis dos rios que cercam as cidades e, consequentemente, a invasão das ruas pela água acumulada nos leitos estreitos e assoreados.

As plantações que se estendem pelas planícies e planaltos de nosso mundo, tomando o lugar de florestas, mudaram o fluxo natural da água, que acaba sendo vaporizada em demasia, devido ao aumento da temperatura e formando mais chuvas, com períodos de enchentes constantes em diversos locais, além da elevação dos oceanos pelo aumento das temperaturas nos pólos, derretendo montanhas de gelo.

Nossa civilização caracteriza-se pelo uso indiscriminado dos recursos naturais para a produção industrial, com máquinas cada vez mais complexas e que usam matérias primas que escasseiam, sem a devida reposição, numa forma de destruição do planeta sem precedentes.

A água que hoje sobra nos nossos rios, está faltando em algum ponto do planeta, assim este ciclo de catástrofes como vendavais, enchentes, terremotos, furacões e tantas outras tragédias, anteriormente mais raras, hoje são constantes e cada vez mais devastadoras.

Milhares de pessoas estão desabrigadas, pois tiveram suas casas invadidas pelas águas poluídas dos rios, destruindo inúmeras partes das cidades gaúchas, sendo possível imaginar que toda esta água que passou por vários pontos, chegará a outras cidades, no caminho em direção ao mar.

As cidades que se encontram mais próximas a outros rios e lagoas deverão passar por enchentes nos próximos dias, pois nossos rios não têm mais seus leitos naturais, foram aterrados e invadidos pela urbanização, com inúmeros pontos aonde as enchentes vão se repetir como nos anos anteriores.

Se não houver mudança no comportamento de nossa civilização, caminharemos para um cenário cada vez mais crítico, com verões mais quentes em oposição a invernos mais frios, com desequilíbrio das chuvas e de períodos de seca.

Azul ou rosa

Sou de um tempo em que os enxovais dos bebês eram confeccionados pelas mulheres das famílias, eram roupas de tricô e crochê, sendo a cor azul destinada aos meninos e a rosa para as meninas, numa repartição de mundo masculino e feminino que começava antes mesmo do nascimento.

Havia a opção das cores verde e amarelo, pois não havia a certeza dos modernos exames que determinam o sexo da criança dentro do ventre da mãe, assim não ocorria o constrangimento de um menino com enxoval rosa ou o contrário, porém, isto, às vezes, acontecia, sendo logo providenciado um novo com a cor adequada ao sexo da criança.

Aprendi que rosa era uma cor feminina e azul dos meninos, porém a vida mostrou que as cores são apenas cores, não determinando a opção sexual das pessoas, mas ainda assim, lembro de alguns antepassados que não usavam rosa, por se sentirem incomodados.

Liberdade de escolha é um dos princípios fundamentais do ser humano, assim alguns usarão cores que a tradição aponta como feminina e mulheres usarão azul sem nenhum problema grave nas suas vidas, mas alguns grupos defendem cores invertidas para destacar a diversidade e outros vêm no sentido contrário.

A declaração da ministra, de que a partir de agora meninos usarão azul e meninas rosa, parece desnecessária, pois tal escolha vai depender mais dos pais das crianças do que delas, enquanto aos adultos caberá escolher o que usar em seu vestuário.

Na realidade este assunto é tão irrelevante ante tantos problemas que temos a solucionar em nosso país, mas que gerou tanta polêmica e gasto de esforço por tantas pessoas, como se isso fosse uma prioridade brasileira.

Usar azul ou rosa não vai fazer com que tenhamos um país melhor, com melhor distribuição do dinheiro público, diminuindo a corrupção em todos os níveis e uma prestação de serviços mais qualificada para a população.

Assim alguns continuarão mantendo uma tradição e outros vão quebrar regras como sempre foi na humanidade, independente da vontade que quem dirige as políticas públicas no Brasil.

Novos governos

Após a posse de Jair Bolsonaro e Eduardo Leite estamos numa nova etapa da democracia brasileira, com planos de governo já estabelecidos e os assessores diretos definidos para que as ideias possam ser colocadas na prática.

A prioridade em segurança pública é um dos destaques do presidente Bolsonaro, que numa primeira medida possibilitará aos policiais envolvidos em confrontos possam ter advogados gratuitos, sem a necessidade de, além do desgaste provocado pela situação, gastos com suas defesas.

No plano estadual, Eduardo Leite já definiu cortes em diversos setores, visando equilibrar, no menor tempo possível, as contas públicas, mudando o panorama da crise da economia gaúcha, tendo obtido a manutenção do ICMS com alíquotas mais altas por dois anos, priorizando segurança pública como uma área essencial.

A posse de Bolsonaro foi marcada por uma valorização das tradições militares, com muitos atos formais visando destacar o Exército, Marinha e Aeronáutica, com salvas de tiros e um aparato bélico superior aos usados em outras posses.

Eduardo Leite assumiu com sobriedade, mantendo o mesmo discurso de mudanças nas estruturas de governo, com alterações nos secretariados e com possibilidade de extinção de inúmeros cargos e instituições públicas ao longo de seu governo.

Tomara que os discursos de valorização da segurança pública não fiquem apenas na teoria, como tantas vezes já vislumbramos nas posses de tantos governantes, os quais discursam definindo segurança, educação e saúde como prioritárias, mas depois, na execução pecam por deixar estes setores sem recursos e apoio.

O presidente Jair Bolsonaro e governador Eduardo Leite podem alterar esta expectativa, tornando o trabalho policial e o sistema de segurança mais eficientes, com apoio de recursos e aumento de efetivos para fazer frente à onda de violência que vemos crescer em nossa sociedade.