Férias especiais

Todos os anos as famílias organizam-se para as férias, deixando suas rotinas e deslocando para lugares onde existam espaços de lazer e descanso, procurando sair da rotina e conseguir momentos de descontração e alegria, longe da pressão do cotidiano.

Neste ano tive a oportunidade de conhecer a Argentina, junto com minha família, passando por várias cidades do Rio Grande do Sul, principalmente na região das Missões, fomos até as ruínas de São Miguel, podendo constatar a imponência de um patrimônio da humanidade.

Mas resolvi também explorar uma missão jesuítica no país vizinho, assim fui até San Ignacio, onde também existem ruínas, mas em melhores condições do que as de São Miguel, pois a destruição causada pelos espanhóis foi em menor escala.

Sabemos tão pouco sobre a importância do trabalho dos jesuítas, que conseguiram erguer 30 missões, no Paraguai, Argentina e Brasil, reorganizando sociedades indígenas, aproveitando o conhecimento dos índios na lida com a agricultura e as suas habilidades no trabalho com madeira e outros materiais do seu habitat.

Observar as ruínas de uma missão é algo impressionante, podendo ter ideia da estrutura social e econômica que funcionava naqueles espaços, com uma área destinada às moradias, outra para a realização de trabalhos diversos, além do espaço das atividades culturais e religiosas.

Tudo foi planejado para que a missão fosse autossuficiente, sendo possível verificar o cultivo de diversos alimentos, criação de gado e também a confecção de materiais necessários para a subsistência, construção e manutenção de todo o complexo de edificações.

Assim pude aproveitar para conhecer a história das missões, juntamente com meus familiares, aprendendo que um sistema comunitário, onde todos participavam com seu trabalho e tinham seu espaço naquelas sociedades, funcionava muito bem.

Pena que os reinos europeus tenham decidido acabar com tudo, de forma violenta, expulsando os índios de suas terras e retirando os jesuítas da América, acabando com todo um trabalho de valorização do ser humano, que funcionou muito bem por mais de três séculos.

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