Bolsonaro e Trump

O encontro, ocorrido em 19 de março, entre os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump foi um momento histórico, numa reaproximação de dois países que estavam afastados pelas diferenças das propostas políticas que estavam no poder, de cunho mais socialista, colaborando com países como Cuba e Venezuela, onde o poder estatal é mais forte e centralizado.

O atual governo do país prega a valorização da propriedade privada e do sistema econômico centrado na livre iniciativa, com interferência mínima do Estado e a privatização de tudo que não seja, no entendimento dos governantes, prioridade do governo federal.

Donald Trump é um defensor de seu país, inclusive com a proposta de erguer um muro, ao longo da fronteira com o México, para que estrangeiros não entrem em solo americano, além de pregar a valorização dos produtos dos Estados Unidos, em detrimento dos que venham de outros países.

Jair Bolsonaro elegeu-se pregando a valorização da pátria brasileira, a defesa dos símbolos nacionais e valores tradicionais, numa semelhança com o ideário de Trump, com ambos defendendo políticas armamentistas.

O encontro foi no Salão Oval da Casa Branca, onde os presidentes foram acompanhados de intérpretes, o filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o conselheiro de Segurança Nacional americano, John Bolton e a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, com portas fechadas, sem acesso à imprensa.

Alguns assuntos tratados foram: a utilização da Base de Alcântara pelos Estados Unidos; a entrada do Brasil, como país desenvolvido, na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE); o fim da exigência de visto para que americanos entrem no Brasil e, ainda, a crise na Venezuela.

Não podemos saber se resultados do encontro serão bons para o Brasil, já que Bolsonaro portou-se como um fã de Trump, como se não estivesse em igualdade de condições para tratar com o mandatário americano.

Boneca virtual substitui os pais

A boneca Momo, uma febre momentânea, está sendo a responsável por crianças tomarem atitudes violentas, através de sua aparição em vídeos na internet, solicitando que os pequenos venham a se mutilar e, até mesmo, praticarem suicídio, causando uma onde de preocupação nas famílias.

O aparecimento da imagem começou em 2018, quando falsos perfis do whatsapp usavam a figura da Momo e lançaram ameaças para quem acessasse as mensagens, o que viralizou, numa propagação de boatos, levando pessoas a criarem mais e mais vídeos vinculados à Momo.

A foto de Momo é, na realidade, parte de uma escultura japonesa criada, em 2016, pelo artista plástico Keisuke Aisawa, exposta no museu Vanilla Galery, em Tóquio, sendo utilizada por usuários das mídias sociais, de diversas formas, inclusive para lançar desafios para crianças e adolescentes.

Na realidade a Momo é mais uma das tantas lendas urbanas surgidas na internet, como aconteceu com a Baleia Azul, em 2017, que se alimenta de pessoas desesperadas, que acreditam em tudo que recebem em suas mídias sociais, passando adiante, sem conferir o conteúdo.

Os pais atuais, em sua maioria, estão constantemente em suas mídias sociais, assim não conseguem acompanhar os filhos no mundo real, estão sem tempo para conversar, olhar e orientar as crianças e adolescentes, que também ficam em tablets e celulares, sem nenhuma supervisão.

Acompanhar os filhos em brincadeiras, jogos e incentivar a leitura são algumas formas dos pais participarem da infância dos filhos e conversar com os adolescentes sobre os mais diversos assuntos, orientando como proceder nas mais diversas situações.

O desespero toma conta de pais que, ausentes, não explicam aos filhos sobre como devem se comportar e agir, sentindo-se ameaçados por uma boneca virtual, ou 55outra lenda que possa surgir, assim pela falta do convívio com os filhos, passam a culpar os meios digitais por divulgar algo que eles deveriam fiscalizar.

Quando um amor mata

A morte do menino Bernardo Boldrini, assassinado em 04 de abril de 2014, mostra que o pai, Leandro Boldrini e a madrasta, Graciele Ugoline, apaixonados, resolveram se livrar do menino para poderem viver um grande amor, sem as interrupções de uma criança que só queria atenção e carinho.

O planejamento passou por convidar Bernardo para um passeio, a fim de comprar presentes, já com a injeção letal devidamente pronta para acabar com o problema que não permitia o amor dos assassinos ser tranqüilo.

A ajuda dos irmãos Edelvânia e Evandro Wirganowicz, primeiro para aplicar a injeção e, após a morte, a cavar um buraco, colocar soda cáustica, depois enterrar e ali deixar apodrecer o corpo inocente do menino que não teve nenhuma chance de defesa.

Os erros cometidos na execução do plano levaram a polícia aos assassinos, pois câmeras filmaram Bernardo com a madrasta antes do assassinato, além da localização do carro e as ferramentas usadas para a ocultação do cadáver do menino, num mato no interior de Frederico Westphalen.

Os valores pagos à Edelvânia também foram localizados, levando a cúmplice a contar detalhes do crime, inclusive a mentira de que a injeção seria para aliviar a dor do menino, que dormiu no banco do carro e depois morreu por envenenamento com Midazolam, prescrito em receita pelo pai do menino.

Após quase cinco anos, período em que os criminosos estão presos, agora vem o julgamento, que deve durar uma semana, com depoimentos de testemunhas, interrogatórios dos réus, alegações da defesa e da acusação, numa tentativa de reconstruir o que ocorreu, desde o abandono da criança, culminando com a morte e a tentativa de ocultar o crime.

A mãe de Bernardo morreu em circunstâncias estranhas, cometendo suicídio no consultório de Leandro Boldrini, segundo apurado pelas autoridades, o que originou o abandono de Bernardo, vivendo em constante conflito com a madrasta, com o descaso do pai, culminando com o crime que abalou a cidade de Três Passos.

Esperemos que a justiça seja feita e Bernardo possa descansar em paz.

Carnaval ou bagunça

As notícias de que várias pessoas entraram em confronto com as polícias militares em diversos locais do Brasil, inclusive com imagens de violência contra os policiais, que tentavam acabar com atos de vandalismo e depredações, além de inúmeros casos de brigas e assaltos contra os verdadeiros foliões.

Os problemas acumulam-se, iniciam pela omissão das autoridades, por autorizar alguns eventos sem condições de segurança, pela pressão de algumas entidades que desejam as festas nas ruas, mediante alguns editais que não esclarecem as responsabilidades dos organizadores.

Mesmo com o alerta dos organismos de segurança, os eventos acontecem, não há preocupação com a segurança daqueles que querem se divertir, não havendo revistas nos que chegam, nem limites para a venda de bebidas para adolescentes, num crescente de irresponsabilidades que culminam nas cenas de confronto.

Nossa cultura carnavalesca, antigamente, estava ligada aos eventos nas ruas, porém com o tempo, as prefeituras organizaram espaços para a realização dos desfiles, com dinheiro público sendo investido para as festas carnavalescas, porém nos últimos anos, devido à crise econômica, as verbas escassearam, fazendo retornar às ruas.

Este retorno aconteceu de forma desorganizada, com eventos espontâneos em muitos lugares, dispersos e sem estrutura adequada, com as prefeituras isentando-se de investir e deixando que empresas privadas assumissem o controle destas festas.

O maior espetáculo da Terra acontece no Rio de Janeiro, uma cidade que trabalha o carnaval durante todo o ano, com estrutura adequada, com um Sambódromo, o qual serve de modelo a outros que surgiram depois. No Nordeste os eventos acontecem nas ruas, com multidões seguindo os blocos, bonecos gigantes e outras manifestações culturais, com uma estrutura de segurança adequada.

Por aqui nossos sambódromos são arremedos, enquanto eventos como os carnavais fora de época deixaram de existir, com as entidades carnavalescas perdendo espaço e verbas públicas, enquanto os desfiles desorganizados pelos bairros acabam gerando muita confusão e bagunça, com pouca alegria.