Faltam celas no RS

As imagens de criminosos algemados em viaturas da Brigada Militar mostram a falência do sistema prisional gaúcho, pois o ideal seria, depois de presos, aguardar, no máximo, três dias numa cela provisória para serem conduzidos até uma casa prisional.

Os governos estaduais não investiram em cadeias novas, sendo muitas prisões fechadas por estarem com problemas estruturais e falta de manutenção, além de decisões equivocadas por disputas políticas, havendo algumas cadeias prontas sem ocupação e outras em obras sem previsão de término.

Assistimos as viaturas paradas com diversos policiais militares em frente às delegacias, tendo que ficar vigiando os presos, fornecendo alimentação e conduzindo para banheiros, providenciando em cobertas para esses dormirem dentro dos carros, mesmo depois de apresentados às autoridades da polícia judiciária.

Faltam servidores da Polícia Civil para fazerem a custódia após os flagrantes, além de celas insuficientes para os diversos presos, todos os dias, nas cidades gaúchas, assim sobra para a Brigada Militar esta função, com diminuição das viaturas e policias nas ruas.

A superlotação das cadeias é uma realidade, com aumento das fugas durante este ano, além de mais apenados cumprindo penas no regime semi-aberto, muitos vindo a praticar crimes e sendo presos, acabam esperando algemados em viaturas pelas vagas que não existem.

O cenário não tende a mudar, pois a construção de novos espaços depende de vencer tanta burocracia, a qual impede que o problema da falta de celas seja amenizado, pois a solução plena não acontecerá no curto prazo, tendendo a aumentar o número de viaturas paradas com mais presos algemados.

Infelizmente as autoridades responsáveis pelo sistema prisional não parecem preocupadas, nem a população que perde segurança, observando as cenas que se tornam rotineiras e passam a ser normais, apesar de serem um absurdo, tanto do ponto de vista técnico, como humano.

Incêndios em prédios públicos

A catedral de Notre Dame está parcialmente destruída devido a um incêndio que iniciou nos espaços que estavam sendo restaurados, pois suas estruturas apresentavam problemas em diversos pontos.

Depois de 850 anos, foi palco da posse de Napoleão Bonaparte, passando pela Revolução Francesa e por duas Guerras Mundiais, mas não resistiu a um incêndio, o qual resultou na queda de sua agulha imponente, que indicava o coração da cidade de Paris.

Os bombeiros tiveram o cuidado de evitar o uso excessivo de água para combater o fogo, pois seria mais um elemento a destruir o prédio histórico, sendo possível assim resgatar relíquias do interior do prédio, numa operação arriscada.

A previsão das autoridades francesas é que em cinco anos tudo estará reconstruído, num trabalho de restauração para manter a originalidade da histórica catedral de Paris.

Por aqui tivemos um incêndio num prédio histórico, o Mercado Público de Porto Alegre, com uma pequena parte do telhado e de seu andar superior atingidas pelas chamas e depois pela água em excesso, porém já se passaram quase seis anos e ainda não conseguiram reconstruir.

Em Paris a destruição foi bem maior, mas já está sendo providenciada a reconstrução imediata, mas em Porto Alegre tudo demorou, com atraso no início das obras devido a muita burocracia e problemas na liberação de acesso da população à sua história.

Nem falo do Museu Nacional, pois como o estrago foi bem maior do que no Mercado Público, assim, possivelmente, ficará como um monte de ruínas do prédio que abrigou um dos maiores acervos históricos do Brasil.

Os incêndios foram semelhantes, mas as providências para recuperar o que foi destruído acontecem de forma bem diferente em nosso país, mostrando que não nos preocupamos em recuperar espaços de cultura e história.

Conchadas de alegria

Alvorada está na mídia por um motivo diferente, pois, na maioria das vezes, a cidade é exposta por sua violência e números de assassinatos, porém desta vez é a estrutura da Escola Municipal Frederico Dihl, localizada no bairro Americana, que é destaque, porque nas últimas semanas um áudio trocado numa conversa entre dois alunos, Pierre e Igor, comentando sobre a qualidade do almoço da escola, viralizou.

O áudio no seu início alerta sobre Igor ter perdido algo muito importante, mas no decorrer da sua fala, Pierre vai descrevendo o excelente cardápio, a qualidade da comida e, no momento mais engraçado, como consegue pegar três conchadas de iscas de frango, quando a cozinheira não estava olhando.

O modo como as coisas aconteceram mostram a força das redes sociais, levando o áudio para muitas pessoas, numa corrente de transmissão da felicidade de um menino com uma comida de boa qualidade, preparada por funcionárias da escola onde estuda, num ato simples, que transmite o afeto delas pelas crianças.

Ver a foto de Pierre e Igor estampada nos jornais, as reportagens na televisão e os comentários nas rádios, alegra os moradores de Alvorada, pois sempre é bom ser notícia positiva. Saber dos elogios para as funcionárias, dos alunos uniformizados e toda a qualidade de uma escola do município, tanto no ensino, como nos detalhes para o apoio aos alunos, com uma estrutura física bem conservada.

Pena que a realidade da maioria de nossas escolas seja diferente, com muitos prédios sucateados, falta de condições ideais para professores, funcionários e alunos, além da inexistência de cardápios especiais como o desta escola. Mas quem sabe esta notícia motive os administradores públicos a atentarem para melhorar a educação.

Tomara que outros aspectos positivos de Alvorada passem a ser explorados pela mídia, a bela Praça Central, toda a estrutura do Movimento Tradicionalista e as diversas manifestações culturais existentes, como a Feira do Livro, além da população ordeira, que recebe com hospitalidade todos que chegam à cidade.

Ver para crer

A recente prisão do ex-presidente Michel Temer fez a população acreditar que algo está mudando no Brasil, porque o encarceramento de Luis Inácio Lula da Silva poderia ser visto como caso isolado, mas dois ex-presidentes presos por corrupção, mostra que ela está sendo combatida.

Os roubos do patrimônio público que Temer, na condição de líder de uma quadrilha distribuída em diversas instâncias do poder público, junto com os seus comparsas chegaram à marca de um bilhão de reais em 40 anos de corrupção e troca de favores entre os políticos com empresas públicas e privadas.

Os recursos jurídicos virão para tentar libertar os corruptos, já que nossa legislação é farta de instâncias recursais, o que vai arrastando os processos e adiando a prisão dos culpados, mesmo com farta quantidade de provas, permitindo que Temer agora responda em liberdade as acusações.

Exemplos de corruptos históricos que passaram a vida roubando, mas fazendo algo em prol da população são inúmeros em nosso país, porém as prisões de Lula e Temer podem significar que isso deixe de acontecer com tanta freqüência e impunidade no Brasil.

Estas prisões poderão fazer com que algo venha a mudar no cenário político brasileiro e os detentores do poder tenham mais zelo pelo dinheiro público e não usem para o favorecimento e enriquecimento pessoal, deixando do misturar a coisa pública com a vida privada.

No entanto, somente se houver a mudança de atitude na hora de escolher os futuros governos é que o povo vai mostrar sua inconformidade com a corrupção, pois se os ladrões continuarem no poder, com expressivas votações a cada eleição, nada mudará no sistema político brasileiro.