Passagens interurbanas mais caras

Morar na Região Metropolitana e ter que deslocar, diariamente, para trabalhar em Porto Alegre é uma realidade da vida de milhares de pessoas. As cidades que circulam a capital não têm empregos suficientes para as suas populações, assim estes deslocamentos tornam-se obrigatórios. Da mesma forma, muitos portoalegrenses fazem o inverso.

Numa rotina de ir e vir, principalmente, usando ônibus para chegar ao local de trabalho e retornar para suas residências, seguem as populações menos favorecidas, que precisam utilizar, muitas vezes, mais de uma linha para fazer estes percursos.

As despesas com transporte vão aumentar a partir de 1º de junho, pois as tarifas dos ônibus intermunicipais terão um reajuste 6,66%, aprovado pelo Conselho Estadual de Transporte Metropolitano Coletivo de Passageiros (CETM), visando repor o valor da inflação nos principais itens da planilha de custos, como combustíveis e manutenção dos veículos.

Este reajuste soma-se a outros 4,76% que foram aprovados em dezembro de 2018, também para repor a inflação, ou seja, num período de seis meses o total do aumento das passagens chegou a 11,42%, enquanto que a maioria dos trabalhadores não teve reajustes salariais neste nível de reposição.

Num comparativo, a Assembleia Legislativa aprovou, no dia 28 de maio, o aumento de 3,4% no salário mínimo regional, retroativo a fevereiro de 2019, repondo a inflação do ano de 2018, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Cabe salientar que, este aumento, atinge as categorias profissionais que não possuem mínimo salarial definido em lei federal.

Os aumentos de tarifas estão descolados da realidade da maioria da população, que sobrevive equilibrando orçamentos, tentando dar conta de pagar despesas de alimentação, moradia, educação, saúde e transporte, que são reajustados seguidamente, sem a devida reposição nos salários recebidos.

Ministérios demais no Brasil

Brasília foi inaugurada no dia 21 de abril de 1960, pelo presidente Juscelino Kubitschek, sendo construídos 17 prédios para abrigarem os ministérios, sendo que o governo JK possuía 16 ministros, que se alojaram nos espaços destinados para cada pasta, juntamente com todos os funcionários e assessores.

No governo de Dilma Roussef teve o maior número de ministros, com 39 assessores diretos da presidente, numa explosão, havendo necessidade, na época, de aluguel de prédios para abrigar toda a estrutura ministerial daquele governo, que tinha por características abrigar aliados e ajustar apoios.

No início de 2019 havia 29 pastas ministeriais, as quais foram reduzidas para 22 pelo presidente Jair Bolsonaro, através da Medida Provisória nº. 870, que deve caducar no dia 03 de junho, sendo necessária a aprovação pelo Congresso Nacional para a sua manutenção, caso não haja a votação o governo terá um problema para resolver, pois retornam os 29 ministérios e a necessidade de nomear outros nomes para ocuparem os cargos que voltarão a existir.

Quando olhamos a nominata, dos ministros atuais, há uma infinidade de ocupantes que não tem habilidade política para conduzir importantes temáticas, as quais interessam à população brasileira, com muitas contradições, idas e vindas nas decisões governamentais.

Comparando o que tínhamos em 1960 e do que possuímos em 2019, pode-se imaginar que com 22 ministros haveria melhores ações governamentais, mas ao que parece temos ministros demais e efetividade nas ações de menos no governo atual.

Tomara que os deputados e senadores aprovem a Medida Provisória nº. 870, senão teremos mais ministérios e muita confusão após o dia 03 de junho, com novas discussões entre o Executivo e Legislativo brasileiro, talvez com a chamada do Judiciário para resolver a questão ministerial.

 

Poder de tirar a vida

Na legislação brasileira um dos direitos fundamentais é a vida, pois os demais começam a partir da existência do ser humano. Assim as prioridades de liberdade, igualdade e fraternidade entre as pessoas permitem o funcionamento da sociedade democrática.

No regramento legal a preservação da vida é uma prioridade, tanto que os crimes que atentam contra são os que têm as penas mais longas e, em muitos casos, são considerados hediondos.

O Estado é o único ente que, através da polícia, seu representante legal, pode tirar a vida em casos específicos: salvaguardar a integridade física do policial ou de um cidadão, em legítima defesa, quando acontecem ataques contra o policial ou pessoas indefesas.

Num resumo a vida de um criminoso só poderá ser tirada quando circunstâncias especiais acontecerem, não cabendo ao policial fazer justiça pela sua condição de representante da lei perante uma pessoa que tenha descumprido as normas legais.

O novo texto referente ao armamento vai colocar, nas mãos de pessoas ordeiras, armas que poderão ser usadas para o enfrentamento de criminosos, nos casos de ataques ou prática de crimes, na ausência dos policiais nas ruas.

Não têm, os portadores de armas, o poder de tirar vidas, visto que não representam o Estado, assim responderão pela prática de homicídio, perdendo a autorização para portar as armas envolvidas nos crimes, mesmo alegando legítima defesa, suas ou de terceiros.

A imagem de justiceiros armados, defendendo a sociedade, não se enquadra na legislação brasileira, no entanto, os criminosos, descumpridores das leis, vêm tirando vidas e ameaçando a paz social, sem, muitas vezes, responderem penalmente por seus atos.

A pena capital não está prevista nas leis brasileiras, cabendo à polícia defender a vida e garantir a segurança de toda a comunidade, colocando a própria vida em risco para cumprir suas obrigações.

Dia das Mães

A base de toda família é a figura da mãe, aquela que em seu corpo carrega durante nove meses um novo ser, ao qual vai amar de forma incondicional por toda a vida, cuidando para que seus filhos tenham o melhor possível, sejam felizes e valorizem a figura materna.

O segundo domingo de maio foi oficializado como sendo Dia das Mães, através de decreto presidencial de Getúlio Vargas, no ano de 1932, visando homenagear as mães brasileiras, sendo mantida até nossos dias, porém sem o caráter de amor e solidariedade inicial, com distorção para uma data comercial.

Infelizmente nossa sociedade, consumista, levou os filhos a pensarem que somente comprando presentes nesta data, estão cumprindo seu papel, deixando o restante do ano para dedicarem-se aos seus compromissos e atividades, com um afastamento das famílias de suas matriarcas.

Alguns filhos abandonam, muitos agridem, não tem paciência, enquanto outros até matam, enquanto muitos não têm mais suas mães, outros tantos ficam nos hospitais ao lado delas, muitos fazem viagens longas para um almoço na casa das mães, sendo que inúmeros vivem cuidando diariamente, retribuindo tudo que receberam na infância e adolescência.

Assim é a vida, hoje somos filhos, amanhã seremos pais e mães, com destino final de ser avôs e avós, numa nova chance de contribuir para que as famílias continuem a existir com novos integrantes, embora existam casos de mulheres que maltratam e abandonam os filhos, numa exceção que comprova o amor maternal.

Tomara que todos os filhos possam homenagear suas mães neste domingo de maio, num justo reconhecimento a toda a dedicação destas mulheres que vivem, diversas vezes deixando de lado seus desejos e sonhos, para cuidar de seus filhos.

A morte do Soldado Lunkes

Conheci a cidade de Porto Xavier em 1989, quando fui para lá fazer meu primeiro Inquérito Policial Militar, era um pequeno município, com poucas ruas e sem asfalto. Estive lá novamente neste ano durante as férias e continuava uma cidade típica do interior.

Surpreendeu a notícia de que um banco foi assaltado na pacata cidade, com uso de fuzis e metralhadoras, de escudo humano, confronto no local, fuga dos criminosos e resultando num cerco de policiais militares e civis.

Para este cerco foi chamado o soldado Fabiano Heck Lunkes, junto com outros que trabalhavam na cidade de Cerro Largo, sendo a guarnição posicionada próximo a um matagal, durante a madrugada, aguardando a chegada de mais efetivos para entrarem no mato, porém os criminosos saíram e entraram em confronto com os policiais militares.

Um tiro de fuzil, com calibre superior ao suportado pelo colete balístico do soldado Lunkes, causou um ferimento no peito, resultando em sua morte. Assim encerrou a vida do brigadiano, sendo carregado na viatura, por uma estrada de terra, morrendo junto aos seus colegas, que nada puderam fazer, pois seu corpo foi atravessado por um tiro de fuzil.

Ele inclui na Brigada Militar em 2009, deixando a esposa e um filho de quatro anos, além de diversos colegas e amigos em Cerro Largo, de onde saiu para morrer de forma tão violenta.

A vida de um policial militar tem como característica ser de extremo risco, pois nunca sabe se, durante a sua jornada de trabalho, haverá alguma situação de confronto, em qualquer horário, pode ser numa rua movimentada ou local isolado, pois não há um dia igual ao outro.

Morre mais um protetor da sociedade, que partiu para o confronto sem o equipamento adequado, mas que não recuou, foi em frente e cumpriu sua missão de bem servir à comunidade, que muitas vezes não reconhece a importância do serviço da Brigada Militar.

Descanse em paz soldado Lunkes!