Os piratas dos piratas

Nosso país deve ser o único que consegue falsificar os produtos falsificados, pois temos a criatividade de, a partir de produtos piratas, criar algo pior ainda. No caso dos cigarros produzidos no Paraguai, de baixíssima qualidade, acontece a produção, em fábricas clandestinas no Brasil, de produtos ainda piores, com matéria-prima de procedência duvidosa ou, até mesmo, conseguida através do roubo de cargas.

Para montar uma fábrica no Brasil é necessário adquirir, via contrabando, maquinário paraguaio, depois trazer, em ônibus fretados, os trabalhadores ilegais do país vizinho. Estes serão colocados em barracões, terão retirados seus celulares, ficando sem nenhum direito ou condições seguras de trabalho, numa situação análoga à escravidão.

A matéria-prima é fornecida por empresas beneficiadoras de tabaco, sem nenhum controle sanitário, paga em dinheiro vivo e sem a emissão de notas fiscais. Após serem produzidos os cigarros clandestinos, devidamente embalados, serão entregues aos comerciantes, através de um sistema de distribuição, para diversas regiões do Rio Grande do Sul, com enorme número de interessados em adquirir o produto mais barato.

O preço final, da carteira de cigarros, custa a metade do preço de uma produzida legalmente no Paraguai, gerando enormes lucros para os comerciantes e fabricantes. Para comparação a carteira produzida no Brasil custa R$ 7,50 para o comerciante, com altas taxas de impostos embutidas no preço, enquanto que a carteira paraguaia ilegal tem custo de R$ 2,10, sem nenhuma tributação.

Assim temos produtos ruins, com enormes riscos à saúde, com perdas de receita fiscal e um público consumidor, onde não existem inocentes, com lucros ilegais para todos envolvidos. ncia, formando uma rede de clandestinidade e prqorme pcomerciante, com altas taxas de impostos embutidas no preço, en

Passagens interurbanas mais caras

Morar na Região Metropolitana e ter que deslocar, diariamente, para trabalhar em Porto Alegre é uma realidade da vida de milhares de pessoas. As cidades que circulam a capital não têm empregos suficientes para as suas populações, assim estes deslocamentos tornam-se obrigatórios. Da mesma forma, muitos portoalegrenses fazem o inverso.

Numa rotina de ir e vir, principalmente, usando ônibus para chegar ao local de trabalho e retornar para suas residências, seguem as populações menos favorecidas, que precisam utilizar, muitas vezes, mais de uma linha para fazer estes percursos.

As despesas com transporte vão aumentar a partir de 1º de junho, pois as tarifas dos ônibus intermunicipais terão um reajuste 6,66%, aprovado pelo Conselho Estadual de Transporte Metropolitano Coletivo de Passageiros (CETM), visando repor o valor da inflação nos principais itens da planilha de custos, como combustíveis e manutenção dos veículos.

Este reajuste soma-se a outros 4,76% que foram aprovados em dezembro de 2018, também para repor a inflação, ou seja, num período de seis meses o total do aumento das passagens chegou a 11,42%, enquanto que a maioria dos trabalhadores não teve reajustes salariais neste nível de reposição.

Num comparativo, a Assembleia Legislativa aprovou, no dia 28 de maio, o aumento de 3,4% no salário mínimo regional, retroativo a fevereiro de 2019, repondo a inflação do ano de 2018, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Cabe salientar que, este aumento, atinge as categorias profissionais que não possuem mínimo salarial definido em lei federal.

Os aumentos de tarifas estão descolados da realidade da maioria da população, que sobrevive equilibrando orçamentos, tentando dar conta de pagar despesas de alimentação, moradia, educação, saúde e transporte, que são reajustados seguidamente, sem a devida reposição nos salários recebidos.

Ministérios demais no Brasil

Brasília foi inaugurada no dia 21 de abril de 1960, pelo presidente Juscelino Kubitschek, sendo construídos 17 prédios para abrigarem os ministérios, sendo que o governo JK possuía 16 ministros, que se alojaram nos espaços destinados para cada pasta, juntamente com todos os funcionários e assessores.

No governo de Dilma Roussef teve o maior número de ministros, com 39 assessores diretos da presidente, numa explosão, havendo necessidade, na época, de aluguel de prédios para abrigar toda a estrutura ministerial daquele governo, que tinha por características abrigar aliados e ajustar apoios.

No início de 2019 havia 29 pastas ministeriais, as quais foram reduzidas para 22 pelo presidente Jair Bolsonaro, através da Medida Provisória nº. 870, que deve caducar no dia 03 de junho, sendo necessária a aprovação pelo Congresso Nacional para a sua manutenção, caso não haja a votação o governo terá um problema para resolver, pois retornam os 29 ministérios e a necessidade de nomear outros nomes para ocuparem os cargos que voltarão a existir.

Quando olhamos a nominata, dos ministros atuais, há uma infinidade de ocupantes que não tem habilidade política para conduzir importantes temáticas, as quais interessam à população brasileira, com muitas contradições, idas e vindas nas decisões governamentais.

Comparando o que tínhamos em 1960 e do que possuímos em 2019, pode-se imaginar que com 22 ministros haveria melhores ações governamentais, mas ao que parece temos ministros demais e efetividade nas ações de menos no governo atual.

Tomara que os deputados e senadores aprovem a Medida Provisória nº. 870, senão teremos mais ministérios e muita confusão após o dia 03 de junho, com novas discussões entre o Executivo e Legislativo brasileiro, talvez com a chamada do Judiciário para resolver a questão ministerial.

 

Poder de tirar a vida

Na legislação brasileira um dos direitos fundamentais é a vida, pois os demais começam a partir da existência do ser humano. Assim as prioridades de liberdade, igualdade e fraternidade entre as pessoas permitem o funcionamento da sociedade democrática.

No regramento legal a preservação da vida é uma prioridade, tanto que os crimes que atentam contra são os que têm as penas mais longas e, em muitos casos, são considerados hediondos.

O Estado é o único ente que, através da polícia, seu representante legal, pode tirar a vida em casos específicos: salvaguardar a integridade física do policial ou de um cidadão, em legítima defesa, quando acontecem ataques contra o policial ou pessoas indefesas.

Num resumo a vida de um criminoso só poderá ser tirada quando circunstâncias especiais acontecerem, não cabendo ao policial fazer justiça pela sua condição de representante da lei perante uma pessoa que tenha descumprido as normas legais.

O novo texto referente ao armamento vai colocar, nas mãos de pessoas ordeiras, armas que poderão ser usadas para o enfrentamento de criminosos, nos casos de ataques ou prática de crimes, na ausência dos policiais nas ruas.

Não têm, os portadores de armas, o poder de tirar vidas, visto que não representam o Estado, assim responderão pela prática de homicídio, perdendo a autorização para portar as armas envolvidas nos crimes, mesmo alegando legítima defesa, suas ou de terceiros.

A imagem de justiceiros armados, defendendo a sociedade, não se enquadra na legislação brasileira, no entanto, os criminosos, descumpridores das leis, vêm tirando vidas e ameaçando a paz social, sem, muitas vezes, responderem penalmente por seus atos.

A pena capital não está prevista nas leis brasileiras, cabendo à polícia defender a vida e garantir a segurança de toda a comunidade, colocando a própria vida em risco para cumprir suas obrigações.

Dia das Mães

A base de toda família é a figura da mãe, aquela que em seu corpo carrega durante nove meses um novo ser, ao qual vai amar de forma incondicional por toda a vida, cuidando para que seus filhos tenham o melhor possível, sejam felizes e valorizem a figura materna.

O segundo domingo de maio foi oficializado como sendo Dia das Mães, através de decreto presidencial de Getúlio Vargas, no ano de 1932, visando homenagear as mães brasileiras, sendo mantida até nossos dias, porém sem o caráter de amor e solidariedade inicial, com distorção para uma data comercial.

Infelizmente nossa sociedade, consumista, levou os filhos a pensarem que somente comprando presentes nesta data, estão cumprindo seu papel, deixando o restante do ano para dedicarem-se aos seus compromissos e atividades, com um afastamento das famílias de suas matriarcas.

Alguns filhos abandonam, muitos agridem, não tem paciência, enquanto outros até matam, enquanto muitos não têm mais suas mães, outros tantos ficam nos hospitais ao lado delas, muitos fazem viagens longas para um almoço na casa das mães, sendo que inúmeros vivem cuidando diariamente, retribuindo tudo que receberam na infância e adolescência.

Assim é a vida, hoje somos filhos, amanhã seremos pais e mães, com destino final de ser avôs e avós, numa nova chance de contribuir para que as famílias continuem a existir com novos integrantes, embora existam casos de mulheres que maltratam e abandonam os filhos, numa exceção que comprova o amor maternal.

Tomara que todos os filhos possam homenagear suas mães neste domingo de maio, num justo reconhecimento a toda a dedicação destas mulheres que vivem, diversas vezes deixando de lado seus desejos e sonhos, para cuidar de seus filhos.

A morte do Soldado Lunkes

Conheci a cidade de Porto Xavier em 1989, quando fui para lá fazer meu primeiro Inquérito Policial Militar, era um pequeno município, com poucas ruas e sem asfalto. Estive lá novamente neste ano durante as férias e continuava uma cidade típica do interior.

Surpreendeu a notícia de que um banco foi assaltado na pacata cidade, com uso de fuzis e metralhadoras, de escudo humano, confronto no local, fuga dos criminosos e resultando num cerco de policiais militares e civis.

Para este cerco foi chamado o soldado Fabiano Heck Lunkes, junto com outros que trabalhavam na cidade de Cerro Largo, sendo a guarnição posicionada próximo a um matagal, durante a madrugada, aguardando a chegada de mais efetivos para entrarem no mato, porém os criminosos saíram e entraram em confronto com os policiais militares.

Um tiro de fuzil, com calibre superior ao suportado pelo colete balístico do soldado Lunkes, causou um ferimento no peito, resultando em sua morte. Assim encerrou a vida do brigadiano, sendo carregado na viatura, por uma estrada de terra, morrendo junto aos seus colegas, que nada puderam fazer, pois seu corpo foi atravessado por um tiro de fuzil.

Ele inclui na Brigada Militar em 2009, deixando a esposa e um filho de quatro anos, além de diversos colegas e amigos em Cerro Largo, de onde saiu para morrer de forma tão violenta.

A vida de um policial militar tem como característica ser de extremo risco, pois nunca sabe se, durante a sua jornada de trabalho, haverá alguma situação de confronto, em qualquer horário, pode ser numa rua movimentada ou local isolado, pois não há um dia igual ao outro.

Morre mais um protetor da sociedade, que partiu para o confronto sem o equipamento adequado, mas que não recuou, foi em frente e cumpriu sua missão de bem servir à comunidade, que muitas vezes não reconhece a importância do serviço da Brigada Militar.

Descanse em paz soldado Lunkes!

Faltam celas no RS

As imagens de criminosos algemados em viaturas da Brigada Militar mostram a falência do sistema prisional gaúcho, pois o ideal seria, depois de presos, aguardar, no máximo, três dias numa cela provisória para serem conduzidos até uma casa prisional.

Os governos estaduais não investiram em cadeias novas, sendo muitas prisões fechadas por estarem com problemas estruturais e falta de manutenção, além de decisões equivocadas por disputas políticas, havendo algumas cadeias prontas sem ocupação e outras em obras sem previsão de término.

Assistimos as viaturas paradas com diversos policiais militares em frente às delegacias, tendo que ficar vigiando os presos, fornecendo alimentação e conduzindo para banheiros, providenciando em cobertas para esses dormirem dentro dos carros, mesmo depois de apresentados às autoridades da polícia judiciária.

Faltam servidores da Polícia Civil para fazerem a custódia após os flagrantes, além de celas insuficientes para os diversos presos, todos os dias, nas cidades gaúchas, assim sobra para a Brigada Militar esta função, com diminuição das viaturas e policias nas ruas.

A superlotação das cadeias é uma realidade, com aumento das fugas durante este ano, além de mais apenados cumprindo penas no regime semi-aberto, muitos vindo a praticar crimes e sendo presos, acabam esperando algemados em viaturas pelas vagas que não existem.

O cenário não tende a mudar, pois a construção de novos espaços depende de vencer tanta burocracia, a qual impede que o problema da falta de celas seja amenizado, pois a solução plena não acontecerá no curto prazo, tendendo a aumentar o número de viaturas paradas com mais presos algemados.

Infelizmente as autoridades responsáveis pelo sistema prisional não parecem preocupadas, nem a população que perde segurança, observando as cenas que se tornam rotineiras e passam a ser normais, apesar de serem um absurdo, tanto do ponto de vista técnico, como humano.

Incêndios em prédios públicos

A catedral de Notre Dame está parcialmente destruída devido a um incêndio que iniciou nos espaços que estavam sendo restaurados, pois suas estruturas apresentavam problemas em diversos pontos.

Depois de 850 anos, foi palco da posse de Napoleão Bonaparte, passando pela Revolução Francesa e por duas Guerras Mundiais, mas não resistiu a um incêndio, o qual resultou na queda de sua agulha imponente, que indicava o coração da cidade de Paris.

Os bombeiros tiveram o cuidado de evitar o uso excessivo de água para combater o fogo, pois seria mais um elemento a destruir o prédio histórico, sendo possível assim resgatar relíquias do interior do prédio, numa operação arriscada.

A previsão das autoridades francesas é que em cinco anos tudo estará reconstruído, num trabalho de restauração para manter a originalidade da histórica catedral de Paris.

Por aqui tivemos um incêndio num prédio histórico, o Mercado Público de Porto Alegre, com uma pequena parte do telhado e de seu andar superior atingidas pelas chamas e depois pela água em excesso, porém já se passaram quase seis anos e ainda não conseguiram reconstruir.

Em Paris a destruição foi bem maior, mas já está sendo providenciada a reconstrução imediata, mas em Porto Alegre tudo demorou, com atraso no início das obras devido a muita burocracia e problemas na liberação de acesso da população à sua história.

Nem falo do Museu Nacional, pois como o estrago foi bem maior do que no Mercado Público, assim, possivelmente, ficará como um monte de ruínas do prédio que abrigou um dos maiores acervos históricos do Brasil.

Os incêndios foram semelhantes, mas as providências para recuperar o que foi destruído acontecem de forma bem diferente em nosso país, mostrando que não nos preocupamos em recuperar espaços de cultura e história.

Conchadas de alegria

Alvorada está na mídia por um motivo diferente, pois, na maioria das vezes, a cidade é exposta por sua violência e números de assassinatos, porém desta vez é a estrutura da Escola Municipal Frederico Dihl, localizada no bairro Americana, que é destaque, porque nas últimas semanas um áudio trocado numa conversa entre dois alunos, Pierre e Igor, comentando sobre a qualidade do almoço da escola, viralizou.

O áudio no seu início alerta sobre Igor ter perdido algo muito importante, mas no decorrer da sua fala, Pierre vai descrevendo o excelente cardápio, a qualidade da comida e, no momento mais engraçado, como consegue pegar três conchadas de iscas de frango, quando a cozinheira não estava olhando.

O modo como as coisas aconteceram mostram a força das redes sociais, levando o áudio para muitas pessoas, numa corrente de transmissão da felicidade de um menino com uma comida de boa qualidade, preparada por funcionárias da escola onde estuda, num ato simples, que transmite o afeto delas pelas crianças.

Ver a foto de Pierre e Igor estampada nos jornais, as reportagens na televisão e os comentários nas rádios, alegra os moradores de Alvorada, pois sempre é bom ser notícia positiva. Saber dos elogios para as funcionárias, dos alunos uniformizados e toda a qualidade de uma escola do município, tanto no ensino, como nos detalhes para o apoio aos alunos, com uma estrutura física bem conservada.

Pena que a realidade da maioria de nossas escolas seja diferente, com muitos prédios sucateados, falta de condições ideais para professores, funcionários e alunos, além da inexistência de cardápios especiais como o desta escola. Mas quem sabe esta notícia motive os administradores públicos a atentarem para melhorar a educação.

Tomara que outros aspectos positivos de Alvorada passem a ser explorados pela mídia, a bela Praça Central, toda a estrutura do Movimento Tradicionalista e as diversas manifestações culturais existentes, como a Feira do Livro, além da população ordeira, que recebe com hospitalidade todos que chegam à cidade.

Ver para crer

A recente prisão do ex-presidente Michel Temer fez a população acreditar que algo está mudando no Brasil, porque o encarceramento de Luis Inácio Lula da Silva poderia ser visto como caso isolado, mas dois ex-presidentes presos por corrupção, mostra que ela está sendo combatida.

Os roubos do patrimônio público que Temer, na condição de líder de uma quadrilha distribuída em diversas instâncias do poder público, junto com os seus comparsas chegaram à marca de um bilhão de reais em 40 anos de corrupção e troca de favores entre os políticos com empresas públicas e privadas.

Os recursos jurídicos virão para tentar libertar os corruptos, já que nossa legislação é farta de instâncias recursais, o que vai arrastando os processos e adiando a prisão dos culpados, mesmo com farta quantidade de provas, permitindo que Temer agora responda em liberdade as acusações.

Exemplos de corruptos históricos que passaram a vida roubando, mas fazendo algo em prol da população são inúmeros em nosso país, porém as prisões de Lula e Temer podem significar que isso deixe de acontecer com tanta freqüência e impunidade no Brasil.

Estas prisões poderão fazer com que algo venha a mudar no cenário político brasileiro e os detentores do poder tenham mais zelo pelo dinheiro público e não usem para o favorecimento e enriquecimento pessoal, deixando do misturar a coisa pública com a vida privada.

No entanto, somente se houver a mudança de atitude na hora de escolher os futuros governos é que o povo vai mostrar sua inconformidade com a corrupção, pois se os ladrões continuarem no poder, com expressivas votações a cada eleição, nada mudará no sistema político brasileiro.