Blefe eleitoral

A notícia de que o governo federal tem interesse em privatizar o Banrisul não é nenhuma novidade, já existe desde a extinção da Caixa Econômica Estadual e diversos  outros bancos públicos estaduais na década de 90, assim durante os últimos 30 anos vem se discutindo pela extinção do Banrisul.

Existem grupos que defendem a manutenção do banco, visto ser lucrativo e importante para a economia gaúcha e outros que dizem não ser necessário uma instituição financeira ligada ao governo estadual, alegando que bancos privados podem tomar o lugar do Banrisul.

Na eleição para governador uma das bandeiras de Sartori era o plano de recuperação junto ao governo federal, tendo como garantia algumas estatais, sendo divulgado que já havia um pré-acordo assinado e que o Banrisul estava fora da negociação.

No entanto agora, depois de encerrado o pleito surge a notícia de que não há nenhum documento assinado e que a principal exigência era a privatização do Banrisul, como garantia para a suspensão por três anos do pagamento da dívida com a União.

Desta forma descobrimos que o governo que sai não teve a capacidade de negociar, nem a coragem de divulgar aos gaúchos a inexistência de um pré-acordo, apenas inúmeras reuniões em Brasília que resultaram em nada de concreto nesse assunto.

Bolha Salarial

O acordo fechado entre os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e da República, Michel Temer, permitiu que o aumento de 16,38% nos salários dos ministros do STF fosse sancionado por Temer, sendo revogado o auxilio-moradia para o membros do Judiciário, numa clara demonstração de que a crise das contas públicas não preocupa os que recebem grandes salários dentro do serviço público.

As projeções dos custos deste aumento para as contas públicas chegam a 4 bilhões por ano, devido ao efeito cascata, já que o salário dos ministros do STF é o teto da remuneração dos integrantes do Judiciário e Legislativo, além de alguns cargos do Executivo, portanto ao conceder o aumento o presidente Temer beneficia diversas castas do funcionalismo público.

Altos salários valorizam os integrantes do Judiciário, mas reajustes devem ser concedidos quando as contas públicas permitirem, o que segundo vemos divulgado na mídia não é realidade, há déficit no orçamento, faltando dinheiro nas áreas essenciais para a população, mas no centro do poder, em Brasília, parece que esta realidade não existe.

Por aqui os integrantes do Judiciário e Legislativo também não são afetados pela enorme crise divulgada na mídia, pois durante todos os anos do governo Sartori, enquanto os funcionários públicos do Executivo tiveram seus salários parcelados e atrasados, estes receberam sem atraso e terão reajustes baseados nas concessões de aumentos dos salários dos ministros do STF.

Assim teremos, no próximo ano, aumentos em cascata para quem tem os salários vinculados ao teto do STF, o que deve gerar um gasto de 225 milhões a mais nas contas do orçamento gaúcho, agravando o cenário da crise econômica que levou o governo estadual a buscar um acordo com a União para renegociação das dívidas.

2019 virá com aumentos em cascata, que não atingirão os que recebem os menores salários, sem melhoria dos serviços públicos, devido à falta de recursos para as áreas de saúde, educação e outras essenciais para a população.

Perdas em nossas vidas

Vemos as notícias de mortes naturalmente, pois a morte é uma coisa corriqueira, acontece diariamente em cada canto de nosso mundo, numa rotina de pessoas perdendo a vida pelos mais diversos motivos, mas quando envolve pessoas que nos são próximas, a dor e a tristeza chegam fortes.

Quando perdemos amigos e familiares nossos sentimentos são de revolta pelo que acontece com aqueles com quem convivemos, não aceitando perder em nossas vidas pessoas que representaram papéis importantes, mesmo sabendo que a morte é algo natural e uma etapa de nossa vida.

Recentemente perdi um amigo, daqueles que tu chamas de irmão, por tantas afinidades e com quem vivi muitos momentos importantes de minha vida, com o qual dividi muitas angústias e alegrias, após ter um acidente vascular cerebral (AVC), permaneceu em coma por 45 dias, vindo a falecer, após seu coração não mais resistir.

Poucos dias depois, um acidente de trânsito levou os pais de um amigo, com os quais convivi por mais de 30 anos, tendo privado da companhia deles em diversas oportunidades, inclusive nas Bodas de Ouro do casal, completados em dezembro do ano passado, assim posso dizer que nem a morte os separou.

São perdas assim que nos fazem repensar atitudes, valorizar ainda mais os amigos, reaproximar dos familiares e consolar os que perderam seus entes queridos, numa tentativa de consolar a tristeza que abala as famílias enlutadas.

Também pude constatar que muitos amigos que não via há muito tempo estavam lá nos velórios, comentando que precisamos nos encontrar mais, em momentos alegres, pois a vida passa rápida e se não tentar reencontros, somente em momentos de perda é que vamos conviver.

Vamos valorizar a vida, aproximar das pessoas com as quais temos interesses comuns, procurar reunir para rir e repartir momentos alegres, saindo do mundo virtual das mídias sociais e passando a conversar mais, tendo felicidade real no abraço e no sorriso de alegria, ou senão só teremos o abraço e a lágrima da tristeza.

Stan Lee nos deixou

O criador de inúmeros super-heróis, Stan Lee, faleceu aos 95 anos, tendo influenciado, nos seus quadrinhos, o imaginário da geração dos anos 1940, depois nos desenhos animados, as gerações das décadas seguintes, chegando aos anos 2000 para mostrar nos cinemas toda a criatividade de um ícone da cultura, que participava de cada novo filme, com aparições relâmpago.

Um ser humano criativo que conseguiu a partir de suas ideias representar as diversas categorias da sociedade americana, com heróis humanos, com suas dificuldades e limitações, mas que apresentavam características mais alegres, com situações cômicas e divertidas, numa fórmula de sucesso que se manteve por décadas.

A Marvel estava alicerçada no que Stan Lee criou, numa clara disputa com a DC Comics, que tinha heróis mais sombrios e tristes, porém havia semelhanças, Batman e Homem de Ferro, só para citar um exemplo, são ricos  e tiveram os pais assassinados.

Mas Stan Lee conseguiu criar um Capitão América para mostrar os Estados Unidos vencendo o nazismo, enquanto no universo X-Men tratava da discriminação de uma forma poética, com as minorias mutantes tentando estabelecer-se junto aos humanos, com um grupo querendo exterminar os humanos e outro visando à integração entre todos.

Os Vingadores também apresentam este viés de seres diferentes que precisam ser controlados pelas autoridades, mesmo salvando o mundo de ameaças que poderiam causar a destruição do planeta.

Muitas das situações estão relacionadas com diversos momentos históricos, sendo possível identificar a preocupação de Stan Lee em mostrar heróis com problemas, como o Homem Aranha, que combate os vilões, mas tem que lidar com as provas da escola e com suas espinhas.

Stan Lee deixa um legado de personagens que demonstram sua preocupação com o racismo, quando apresenta o Pantera Negra, com a discriminação, ao mostrar o Wolverine e o Fera, com as guerras, quando o Homem de Ferro decide não mais produzir armas e deixa de vender aos países que estão em conflito.

Descanse em paz Stan Lee, o mundo ficou mais triste com sua morte.

 

Moro no Ministério da Justiça e Segurança

O presidente eleito Jair Bolsonaro já começou a montagem de sua equipe para assumir o controle do governo no dia 1º de janeiro de 2019, indicando alguns nomes para ocupar postos chaves da futura administração federal, com uma tendência a colocar técnicos nos ministérios.

O número de ministros deve diminuir com a fusão de diversas pastas num mesmo local, com extinção de outros órgãos julgados desnecessários pelo novo governo, visando melhorar o desempenho, segundo o presidente eleito, da máquina pública e diminuição dos gastos.

Dentre as pastas tomou destaque o Ministério da Justiça e da Segurança, que vai assumir o controle da questão da segurança pública, do combate à corrupção e ao crime organizado no país, com a indicação do juiz Sergio Moro para ser o futuro ministro da pasta.

Sergio Moro aceitou o desafio de chefiar um dos pontos mais importantes da campanha presidencial de Bolsonaro, ou seja, a segurança pública é a prioridade, além de redução da maioridade penal, flexibilização do uso de armas pelos cidadãos, criação de mecanismos mais eficientes para o controle do cumprimento das penas.

A experiência de Moro à frente da Operação Lava-Jato foi o principal motivo para sua indicação, pois nesta destacou-se pela condenação de diversos políticos corruptos, que antes ocupavam locais de destaque na politica nacional.

Se conseguir implantar no ministério a mesma eficiência demonstrada em Curitiba poderemos ter muitas mudanças na esfera da justiça brasileira, com investimentos pesados na segurança pública e alterações na legislação penal, modificando o cenário de impunidade a que estávamos acostumados a ver nas últimas décadas.

Na condição de celebridade e ídolo nacional, o juiz Moro tem a obrigação de acertar nas suas decisões e na condução do super ministério que será colocado sobre sua responsabilidade, com apoio massivo da população brasileira.

Tomara que ele acerte e tenhamos, a partir de 2019, uma segurança pública melhor e mais eficiente, com a aplicação da lei para todos, independente de condição social ou econômica.

Novos Governantes

Jair Bolsonaro é presidente do Brasil e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, a partir do resultado das urnas, depois de uma campanha presidencial polarizada, com duas propostas antagônicas, enquanto no Estado tivemos dois candidatos semelhantes, dentro do mesmo campo ideológico, porém mantendo a tradição de não reeleger os governadores gaúchos.

Os seguidores defendiam as ideias dos candidatos, mas a novidade de Bolsonaro venceu a proposta de retorno do modelo petista no governo federal, enquanto que por aqui tivemos duas candidaturas que, no final das contas, eram muito parecidas para governar nosso estado.

Agora resta esperar que, a partir de janeiro de 2019, os novos governos cumpram as promessas de campanha, alterando a situação caótica das áreas essenciais à população, principalmente na segurança pública, havendo mudanças na realidade de assaltos e mortes nas ruas.

Na educação espera-se que os profissionais sejam valorizados, a estrutura melhorada e as propostas de ensino privilegiem a educação básica, melhorando o ensino fundamental de nossas crianças. Já na saúde que as pessoas não morram por falta de atendimento e leitos nos hospitais, com ampliação do número de médicos para atender as populações mais distantes e carentes.

Outra área que precisa mudar é a infra-estrutura, com melhorias no transporte público, além da criação de modais ferroviário e hidroviário, alterando a exclusividade do sistema rodoviário como meio de locomoção de cargas e pessoas no país. Sem esquecer na mudança na política como um todo, acabando com a fórmula da troca de cargos por apoio para a aprovação das leis de interesse da sociedade.

Se tivermos essas mudanças já terá valido a pena eleger os novos governantes, senão acontecer, ficaremos mais quatro anos vivendo num pais que não progredirá e num Rio Grande do Sul, onde os governos sejam incapazes de atender as demandas da população.

Crimes contra crianças

Nos últimos dias tivemos a noticia de que uma menina de nove anos foi encontrada morta na beira da RS 118, em Alvorada, depois de ter sumido no dia 21, quando foi levada por um homem, que a seduziu oferecendo um passeio para comprar roupas, segundo relatado por testemunhas.

Ainda não se sabe o que motivou a morte da menina Eduarda, nem quem realizou o sequestro, apenas que após um dia desaparecida a menina apareceu morta, com sinais de afogamento, com um retrato falado do criminoso que estava no carro, estampado nos jornais. O fato do pai da menina estar cumprindo pena por diversos crimes levanta a hipótese de vingança, um suposto ritual realizado no rio e até mesmo a ação de um estuprador. Infelizmente mais uma criança perdeu a vida, sem a prisão, até o momento, do autor deste crime bárbaro.

Ainda nesta semana, a suposta prisão de um homem que teria tentado seqüestrar uma criança, resultou numa delegacia de polícia cercada por moradores da vila Mario Quintana. Mesmo com a negativa dos policiais de que fosse verdade, os vidros do prédio foram quebrados e uma viatura foi danificada por chutes e pauladas.

Na sequência, as ruas foram bloqueadas por móveis incendiados, além de um ônibus ser usado como barreira, sendo necessária a intervenção de policiais civis e militares, surgindo um confronto entre os moradores usando pedras e os policiais atirando balas de borracha.

Desta forma, a comoção, quando crimes envolvem crianças, é um estopim para a revolta popular, porque os moradores queriam retirar o suposto preso da delegacia e fazer justiça na rua, diante do prédio.

A falta de segurança nas ruas faz surgir a vontade das pessoas de resolverem as situações com uso de violência, desrespeitando as leis, que, no entendimento da maioria, são muito brandas para os criminosos e que não evitam tantos crimes contra as crianças.

Dia do Professor

O surgimento de uma data para que os professores fossem homenageados no Brasil aconteceu no ano de 1827, quando o imperador Dom Pedro I instituiu o sistema de ensino em nosso país, sendo implantado toda uma estrutura voltada para que a maioria da população tivesse acesso à escola.

Mas somente no ano de 1963 foi instituída a data de 15 de outubro como o Dia do Professor no Brasil, como um reconhecimento ao trabalho dos profissionais da educação que se dedicam a ensinar as pessoas dentro de salas de aula, devido à vocação de tirarem da ignorância aqueles que não reconhecem as letras e não conseguem realizar a leitura.

Professores são seres especiais que conseguem, através do afeto e da paciência, mostrar cada nova letra, os movimentos para que os alunos desenhem a caligrafia, numa busca para o aperfeiçoamento do ser humano, onde possam decifrar os sinais gráficos no papel e transformem em compreensão do mundo.

Pena que nosso país tenha desvalorizado os mestres ao longo de sua história, num processo de sucateamento das escolas pelos diferentes governos, além de estrutura deficitária para atrair os alunos, resultando na desmotivação dos professores e queda na procura pela formação específica para o magistério.

Enquanto no Japão os professores são os únicos que não precisam se curvar perante o imperador, por aqui nossos educadores são agredidos nas salas pelos alunos, desrespeitados pelos pais e penam com salários insuficientes para conseguirem se sustentar.

Espero que os próximos governantes tenham um olhar diferenciado para a Educação em nosso país, mudando todo o cenário que está posto, com políticas voltadas para que as pessoas tenham a chance de compreender um texto, realizar pequenas contas e aprender a escrever minimamente, através da ação efetiva de professores bem preparados e com estrutura escolar voltada para o ensino.

Que nos próximos anos o 15 de outubro tenha professores felizes, comemorando seu dia, com alunos conseguindo aprender mais, dentro de escolas com excelentes condições de funcionamento, além de salários dignos para esta importante profissão da sociedade brasileira.

Direita ou esquerda

Passado o primeiro turno das eleições presidenciais restou ao povo brasileiro escolher entre duas propostas muito diferentes para governar o Brasil nos próximos quatro anos. De um lado um candidato ligado às ideias de Estado menor e com visão ligada à iniciativa privada para administrar vários setores da economia, enquanto o outro tem por base um Estado voltado a defender os programas sociais e patrimônio público.

No fundo destas visões temos dois sistemas econômicos que surgiram no início do século 20, resultando em duas potências mundiais após a Segunda Guerra, quando Estados Unidos, representando o capitalismo pregava a propriedade privada e economia de mercado, enquanto que a União Soviética defendia a divisão do capital entre os trabalhadores e o Estado controlando a economia.

Mas tudo mudou a partir de 1989, com a queda do Muro de Berlim, unificando as duas Alemanhas, extinguindo  a União Soviética. Desta forma o mundo entrou em confusão, surgindo modelos híbridos com características tanto comunistas, como capitalistas e o maior exemplo disto é a economia chinesa, num país comunista na política e produção industrial explorando o trabalho, ou seja, capitalista.

Assim todas as propostas apresentadas para o nosso país, vindo da direita ou da esquerda, querem convencer o povo que o melhor são as ideias que defendem, com programas de governo  limitados e que não trazem soluções, apontando dois caminhos, direita ou esquerda,  a partir de janeiro de 2019.

Resta agora escolher, no dia 28 de outubro, um dos dois pretendentes ao cargo presidencial, sabendo que são dois candidatos totalmente antagônicos e seus seguidores são integrantes de duas seitas a defender seus líderes.

Tomara que os eleitores escolham o projeto que melhor servirá para que tenhamos melhores dias, resolvendo os três principais problemas da sociedade: saúde, educação e segurança, presentes nos discursos de todos os que se candidatam, independente de serem de esquerda ou direita.

Três de outubro de 1930

A política do Café com Leite, instituída para alternar na presidência do Brasil políticos paulistas e mineiros foi quebrada por Washington Luis, que indicou outro paulista, rompendo o acordo. Assim os mineiros lançaram Getúlio Vargas como candidato da oposição.

O processo eleitoral iniciou em 1929, encerrando com a votação em março de 1930, com a derrota de Getúlio Vargas no pleito, porém alegando fraudes na contagem dos votos, começou a articulação para que o futuro presidente não assumisse o cargo em 15 de novembro de 1930.

No dia 03 de outubro de 1930, com a tomada da sede do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, iniciou a Revolução que levaria Getúlio Vargas a assumir como chefe do Governo Provisório em 01 de novembro, depois de quase um mês de enfrentamentos entre os revolucionários e as forças que apoiavam o presidente Washington Luis.

Assim a partir deste fato histórico, nas eleições passamos a ter duas datas para a votação, o primeiro turno em 03 de outubro e o segundo turno em 15 de novembro, porém com a passagem dos anos isto foi sendo modificado.

No domingo, 07 de outubro teremos o primeiro turno das eleições e em 28 de outubro, o segundo turno, para eleger os representantes nos níveis federal e estadual, sendo que a origem das datas dos turnos foram duas revoluções, uma em 15 de novembro de 1889, que derrubou a Monarquia e a outra em 03 de outubro de 1930, quando Getúlio Vargas iniciou seus 15 anos de poder absoluto.

Desta forma temos no Brasil eleições democráticas que são realizadas em momentos que comemoram ações que derrubaram os regimes políticos vigentes, com voto obrigatório dos brasileiros, ou seja, querendo ou não os eleitores precisam comparecer e votar.

Assim aproveitem e elejam os melhores representantes para permanecerem nos cargos pelos próximos quatro anos, pois os políticos só estarão lá porque alguém votará neles ou se novamente ocorrer o que aconteceu em 1930, quando revolucionários não aceitaram o resultado das eleições e tomaram o poder à força.