Governador Eduardo Leite diz que privatização do Banrisul deve ser discutida nos próximos governos

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Governador entende que sua gestão já esgotou os debates sobre vendas

Desestatização da Corsan será a última pauta do tipo na administração do tucano. Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

O Governo do Rio Grande do Sul enfrenta, nas próximas semanas, o que deve ser o último embate da gestão no âmbito das privatizações: a venda da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), que tramita em regime de urgência na Assembleia Legislativa. A ideia foi anunciada em março, tendo como principal justificativa o novo marco regulatório do saneamento – que prevê a universalização dos serviços até 2033.

Em entrevista ao programa Agora, da Rádio Guaíba, nesta terça-feira (10), o governador Eduardo Leite (PSDB) disse que encara com naturalidade os protestos dos servidores, que estão mobilizados contra o projeto em diversas partes do Estado. O político reiterou que a administração atual já esgotou o potencial de debates sobre privatizações, mas que o tema deve ser uma prioridade dos próximos governos.

Dentre as estatais que podem se tornar alvo de projetos de desestatização, destaca-se o Banrisul. “Mesmo os bancos privados, tradicionais, estão tendo que revisar as suas linhas de trabalho por conta do que a tecnologia vai rompendo. O grande ativo do Banrisul sempre foi ter uma agência em cada cidade. Isso se torna menos relevante, nos dias atuais, diante do que a tecnologia proporciona”, opina Leite.

O último balanço do Banrisul, referente ao primeiro trimestre do ano, revelou que a instituição teve um aumento de lucro e patrimônio no período. A diferença entre a arrecadação e as despesas melhorou em 8,3%, entre janeiro e março, na comparação com o mesmo período do ano passado. Com isso, o lucro líquido chegou a R$ 278,9 milhões, enquanto o patrimônio líquido bateu a marca de R$ 8,6 bilhões.

Pandemia

O sucesso da campanha de vacinação permanece sendo a principal aposta do Governo para a superação da pandemia de Covid-19. Até o momento, 60% da população gaúcha recebeu uma dose, e 28,7% está totalmente imunizada contra a doença. A previsão é de que todos os adultos tenham acesso à primeira aplicação até o fim deste mês. Entretanto, Eduardo Leite admite que as variantes – como a Delta, de origem indiana, preocupam.

“A nossa preocupação é o quanto elas podem significar em termos de aumento nas internações e mortes. Por isso, é muito importante a vacinação. O que estamos observando no mundo é que casos graves e óbitos acontecem, principalmente, entre as pessoas que não se vacinaram. Boa parte das nossas cidades já estão avançando na população de 25, 24, 21 anos de idade. É muito importante a adesão à campanha”, afirma o governador.

Eleições

Eduardo Leite disputa as prévias do PSDB, em outubro. O pleito interno vai definir quem será o candidato do partido à presidência da República no ano que vem. O principal adversário do gaúcho é o governador de São Paulo, João Doria, que recebeu o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante um almoço realizado há duas semanas. No entanto, a avaliação do chefe do Palácio Piratini é de que tudo está em aberto.

“Eu não sou candidato contra ninguém. Estou dentro do partido, discutindo uma alternativa e apresentando o meu nome e trabalho. Se entenderem que sou capaz de liderar o projeto, sensibilizando a sociedade à uma política com mais sobriedade, sensatez e equilíbrio, me sinto preparado. Estou à disposição para isso. Concilio essa discussão com a minha principal atividade, com o contrato que tenho como governador”, garante.

Além de Leite e Doria, o senador Tasso Jereissati, do Ceará, também participa das prévias do partido. O PSDB pretende ser a “terceira via” das Eleições em 2020, fazendo oposição aos dois nomes que se apresentam como favoritos ao pleito: o atual presidente, Jair Bolsonaro (sem partido), e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

FONTEAristoteles Junior/Rádio Guaíba