Lancha histórica da Brigada Militar adquirida na Alemanha em 1926 naufraga

1115

A falta de recursos e atenção mais uma vez provocaram uma perda importante para o patrimônio histórico do Rio Grande do Sul. Trata-se da lancha General Petrazzi, adquirida em 1926.

Maior embarcação que os bombeiros, quanto na Brigada, já tiveram, foi tirada do serviço na década de 90, e afundou na última semana de novembro, quando do temporal que atingiu Porto Alegre e a Região Metropolitana.

A histórica embarcação estava ancorada em um cais ao lado do Clube de Remo.

“Trata-se de uma perda inestimável.

A embarcação havia sido transferida como patrimônio histórico ao Museu da Brigada Militar, localizado no centro de Porto Alegre. A falta de recursos para sua manutenção, todavia, resultou no seu naufrágio na semana passada.

A Associação Amigos do Museu da Brigada Militar (AAMBM) e a própria Brigada Militar buscaram recursos em diversos órgãos, mas infelizmente o patrimônio histórico nunca é prioridade”, destaca o presidente da Associação dos Amigos do Museu da Brigada Militar (AAMBM), Coronel Jeronimo Carlos Santos Braga.

A lancha General Petrazzi foi adquirida na Alemanha, em 1926, pelo General que dá nome à embarcação, que na ocasião era o Diretor dos Serviços de Bombeiros da Prefeitura, mais tarde assumido pela Brigada Militar.

No tempo em que os hidrantes de Porto Alegre não tinham pressão suficiente para o uso em grandes incêndios, foi essa lancha, devido a enorme capacidade de seus motores, que forneceu o abastecimento de água, através de linhas de mangueiras esticadas desde o cais, durante combate ao incêndio causado pela explosão do depósito de fogos de artifício, no bairro Navegantes, em 1971, que destruiu 56 prédios.

Além disso, em dezembro de 1973, a mesma lancha auxiliou no fornecimento de água no incêndio da Lojas Americanas, na Rua dos Andradas. Já em abril de 1976, a embarcação atuou no incêndio das Lojas Renner.

Desativada nos anos 90, a lancha General Petrazzi foi incluída na Operação Entulhos Náuticos do Porto de Porto Alegre, programa da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) do Governo do Estado.

Ainda sob o controle da Brigada, foi colocada no cais ao lado do Clube de Remo, onde em razão das ventanias ocorridas na última semana de novembro, afundou, possivelmente pelo abandono de sua proteção.

Museu da Brigada Militar

O Museu da Brigada Militar, que fica no centro de Porto Alegre (Rua dos Andradas, 498), atualmente, trabalha na restauração de seu acervo bibliográfico. O investimento de R$ R$ 422.600,00 para restaurar e preservar o seu acervo bibliográfico é comandado pela Surya Projetos, empresa especializada em patrimônio histórico, e que foi contratada pela Associação Amigos do Museu da Brigada Militar (AABM). A iniciativa foi viabilizada via Lei Rouanet.

O projeto, que deve ser concluída em 2022, se dará em três etapas. Atualmente, ocorrera a restauração e preservação do acervo, com uma equipe integrada por museólogo, historiador e restaurador. Estão programadas quatro das chamadas “oficinas de formação de plateia”, para a comunidade escolar, membros da AAMBM e pessoas da área da historiografia entenderem e aprenderem como restaurar documentos. Depois o material será digitalização e publicado em plataforma acessível ao público.

O Museu da Brigada Militar possui 5,5 mil peças, como relatórios de batalhas e revoluções, almanaques e boletins da BM que descrevem o dia a dia da corporação, acontecimentos e as providências tomadas, além de coleções completas de revistas como a Pindorama (1924-1928) e a Revista do Globo (1929-1967), doação dos irmãos Bertaso, quando o museu funcionava no prédio da Linha de Tiro, no Partenon, fechado desde 2001 e também com projeto de restauração em andamento.

O acervo reúne ainda filmes em 16mm das décadas de 1940 e 1950, mostrando como era a formação dos soldados, os equipamentos, as operações. E podem ser enumeradas outras raridades, como oito ou nove tomos em francês sobre a Primeira Guerra Mundial, doados pelo presidente da missão francesa no RS ao patrono da BM, coronel Affonso Emílio Massot (1865-1925).

Existem, inclusive, caixas de documentos que sequer foram abertas e que contém material do Estado e do Exército e que precisa ser examinado. Tudo exigirá um trabalho minucioso de indexação, já que hoje existe apenas um inventário superficial dos itens. Além do acervo bibliográfico, o Museu da BM tem centenas de peças como uniformes dos séculos 19 e 20, móveis e utensílios, veículos e material bélico.