“Não conheci pessoa melhor no mundo”, diz irmã de PM que morreu afogado após salvar crianças em SC

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Equipe de resgate chegou a localizar o soldado e a iniciar as manobras de ressuscitação, mas ele não resistiu

Luis Fernando de Abreu Fagundes tinha 41 anos e morava em CanoasArquivo pessoal / Arquivo pessoal

GZH

O policial militar que morreu afogado após salvar duas crianças na Praia do Rosa, em Santa Catarina, é descrito por familiares e colegas da Brigada Militar como alguém educado, gentil e generoso. Luis Fernando de Abreu Fagundes, 41 anos, morava em Canoas e passava férias com familiares no Estado vizinho, quando entrou no mar para salvar o filho e a sobrinha, de oito e sete anos, no último sábado (6).

— Ele estava sempre ajudando alguém. Na pandemia, ele e a esposa encheram o carro com cestas básicas, que compraram do salário deles, e saíram para distribuir. Eu brincava que ele devia se eleger, porque sempre tinha alguém batendo na porta dele, e ele atendia. Qualquer pessoa que precisasse de ajuda, ele estava lá. Não conheci pessoa melhor no mundo que meu irmão — conta Gisele de Abreu Fagundes, 38.

Conforme informou o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina no sábado, o acidente aconteceu perto do encontro do mar com a Lagoa do Meio. Segundo a família, não há posto de guarda-vidas na lagoa, apenas no mar. A equipe de resgate chegou a localizar o soldado e a iniciar as manobras de ressuscitação, de acordo com os bombeiros, mas Fagundes não resistiu.

Antes da corporação, Fagundes trabalhava como vigilante. Apaixonado pela área da segurança pública, foi aprovado em concurso e ingressou na Brigada Militar em 2006. Enquanto atuava como PM, concluiu o curso de Direito. Atualmente, o soldado estava lotado na 3° Companhia do 15° BPM, em Canoas. Conforme a irmã, Fagundes seguia estudando para crescer na área que gostava.

Além de reservar tempo para os estudos, os momentos livres de Fagundes serviam para reunir amigos e familiares. Nas quartas-feiras, o futebol com o irmão e os vizinhos era sagrado.

Gisele conta que a família havia chegado em SC na quinta-feira (4) e retornaria no sábado. O grupo estava voltando para o RS quando decidiu parar por uns minutos na Lagoa do Meio.

Arquivo pessoal / Arquivo pessoal
Fagundes, a frente, e familiares em dezembroArquivo pessoal / Arquivo pessoal

— Eles estavam voltando. Aí decidiram fazer uma parada. Como o mar estava muito gelado naqueles dias, as crianças não conseguiram entrar na água. Então, na volta, eles passaram pela lagoa e pararam uns minutos para as crianças brincarem. E aí ele se afogou. Foi um detalhe, era só ele ter voltado — lamenta a irmã.

Natural de Canoas, o policial foi sepultado na tarde de domingo (7) no município. Fagundes deixa dois filhos, de oito e 19 anos, a esposa, a mãe e quatro irmãos.

“Comportamento exemplar”, diz tenente

Comandante da 3ª Companhia da região onde Fagundes atuava, o tenente Marcio Panta é o militar que há mais tempo conhecia o soldado. Foi o tenente quem recebeu Fagundes na 2ª Companhia, onde ele trabalhou no início da carreira.

Segundo o tenente, Fagundes era calmo e tranquilo, e estava sempre disposto a ajudar colegas e as pessoas que atendia.

— Tinha um comportamento exemplar, sempre pronto para ajudar a aconselhar, tanto os colegas quanto as pessoas durante o atendimento de ocorrências. É difícil apontar algo negativo ou um defeito, pois era alguém sempre disposto a ajudar mesmo. Ele partiu, mas deixou bons exemplos aos colegas, que vamos levar adiante — afirma o tenente.