O que se sabe sobre as suspeitas de irregularidade na seletiva interna para promoção de sargentos da Brigada Militar

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Depois de ser suspensa, após aval da Justiça, seletiva foi retomada no final de semana

GZH

Em duas esferas, a seletiva interna para promoção de soldados a sargentos da Brigada Militar é alvo de investigação após denúncias de irregularidades. Uma delas ocorre na Justiça, com uma ação popular que questiona o certame. A outra é feita pela própria corporação, que instaurou um inquérito policial militar para averiguar os fatos – a apuração afastou quatro policiais até o momento.

A seletiva foi realizada em julho, quando cerca de 8,5 mil policiais fizeram a prova.

Confira o que se sabe sobre o caso

Candidatas teriam tido acesso a cartão resposta

Uma das irregularidades apontadas é que quatro policiais militares que realizaram a seletiva tiveram acesso ao cartão resposta da prova. De acordo com a Brigada Militar, o inquérito instaurado para apurar o caso tem “robusteza de provas” de que as candidatas usaram a vantagem em benefício próprio. As quatro policiais foram afastadas de suas funções no início do mês. O inquérito segue em andamento.

A BM afirma que os casos são pontuais e que não afetam demais candidatos. No entanto, a ação popular ajuizada sustenta que outros candidatos que fizeram a prova também receberam o cartão de resposta da prova já marcado com a opção correta.

Seletiva foi suspensa pela Justiça, mas voltou a valer no domingo

Além de questionar o certame, a ação popular na Justiça também pedia a suspensão imediata da seletiva. O advogado Thiago Carrão Sturmer, responsável pela petição, afirma que foi procurado por mais de 500 policiais que relataram irregularidades. Ele argumenta que a continuação do processo seletivo pode gerar prejuízos ao Estado.

Na sexta-feira (20), a Justiça havia aceitado o pedido de liminar para suspender a seletiva. Para a juíza Marilei Lacerda Menna, da 7ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central da comarca da Capital, não há como precisar quantas pessoas estão envolvidas na suposta fraude até o fim das investigações.

No entanto, no domingo (22), após recurso apresentado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), uma nova decisão, em regime de plantão, derrubou a liminar e a seletiva voltou a valer. O juiz responsável pela decisão entendeu que, apesar das irregularidades, a Brigada Militar “procedeu à apuração por meio de perícia técnica, afastou os envolvidos e procedeu à abertura de inquérito administrativo, o que demonstra preocupação e empenho em atender aos princípios que regem a administração pública”.

Advogado avalia se irá recorrer; BM sustenta que casos são pontuais

Após a derrubada da liminar, o advogado Thiago afirmou que avalia se irá recorrer da decisão.

A Brigada Militar sustenta que os casos são pontuais e foram resolvidos com o afastamentos das quatro policiais envolvidas na irregularidade. O comandante-geral da BM, coronel Vanius Cesar Santarosa, afirmou, na sexta, que a decisão de suspender a seletiva seria injusta com os demais candidatos.

Procurado, o Ministério Público afirmou que não é autor da ação e “foi intimado para ter ciência da decisão liminar”. A entidade preferiu não se manifestar.

O processo segue tramitando na Justiça.