Pandemia avança na BM e faz número de contaminados triplicar em 10 dias

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O avanço do coronavírus  atingiu em cheio a Brigada Militar só nas últimas duas semanas o numero de infectados triplicou em comparação ao período anterior, chegando a marca de quase 250 contaminados simultâneos, numero que anteriormente não passava de 50 policiais antes de fevereiro.

Coronel Mohr ressaltou que a exemplo do Estado, a BM está no pior momento da pandemia, com maior número de afastados e hospitalizados. com os hospitais da BM quase lotados. Segundo o Comandante em entrevista a imprensa (Zero Hora), o momento é muito complicado. Em todo o ano passado, não tivemos nenhum momento semelhante ao que estamos vivendo hoje. Em dois dias mais do que dobramos o número de PMs hospitalizados. A contaminação foi geral, entre praças e oficiais. O vírus não escolheu posto e graduação. Tem muitos tenentes, até comandantes e o pessoal do serviço interno — afirma Cel Mohr.

— Dá para ver claramente que onde tem o maior número de ocorrências envolvendo aglomerações, tem mais contaminados. O policial está no contato diário com as pessoas, atendendo toda e qualquer ocorrência, está sempre tentando fazer uma mediação, conversa e pode estar tendo contato com pessoas com o vírus — afirma.

Na capital o HBM está com lotação máxima e não tem como receber pacientes do interior, os quais tem que procurar a rede pública normal

Com o agravamento dos números, o comando-geral reforçou a adoção de protocolos, como uso de máscara, álcool gel, distribuição de face shield e limpeza das viaturas na trocas de turnos. Coronel Mohr afirma que a importância do uso de máscara em serviço foi reforçada junto à tropa:

O que disse o Cel Mohr

— Assim como a população, os policiais também acabaram relaxando com o passar do tempo e o começo da vacinação. Agora voltamos a bater nessa tecla e reforçamos todas aquelas orientações do começo da pandemia.

O que é preocupante e que fiz questão de trazer a público é o aumento da contaminação em poucos dias. Quando a população aglomera e deixa de usar máscara, põe em risco também aquele que tem a missão de protegê-la. Muitos ainda não se convenceram da gravidade do momento.

CORONEL RODRIGO MOHR

Comandante-geral da BM

O que disse a ABAMF

Por ter exposição diária e contínua, o presidente estadual da Associação dos Servidores de Nível Médio da Brigada Militar (Abamf), José Clemente Silva Corrêa, acredita que o número de policiais contaminados tende a se agravar nos próximos dias. O dirigente defende que o governo agilize a vacinação dos profissionais da segurança pública:

— Nossa maior preocupação é que isso vire uma epidemia dentro dos quartéis da BM e, com isso, a segurança da população vai estar em risco. Não queremos exclusividade ou furar a fila da vacinação, mas o Estado não nos dá toda atenção que deveria. A BM é um setor muito vulnerável. Há várias situações que o policial se expõe por mais que use máscara, lave a mão e tenha álcool gel.

Nossa maior preocupação é que isso vire uma epidemia dentro dos quartéis da BM e, com isso, a segurança da população vai estar em risco. Não queremos exclusividade ou furar a fila da vacinação, mas o Estado não nos dá toda atenção que deveria.

JOSÉ CLEMENTE SILVA CORRÊA

Presidente estadual da Associação dos Servidores de Nível Médio da Brigada Militar (Abamf)

O que disse a ASOFBM

À frente da Associação dos Oficiais da Brigada Militar, coronel Marcos Paulo Beck afirma que a BM está pagando um preço alto pela pandemia. Reforça que é da natureza do trabalho do policial atuar em conjunto – entre dois ou mais – o que expõe o servidor e facilita o contágio. Por isso, ele lamenta que a BM não está na lista dos setores prioritários para vacinação.

— Somos um dos setores mais expostos, não existe policiamento por home office. A BM não se omitiu na pandemia. Gostaria que o governo nos olhasse com a dignidade que merecemos. As medidas de higiene precisam ser realmente obedecidas pois a polícia trabalha em grupo, somos uma entidade coletiva. O trabalho é raramente em isolamento.