Policial salva bebê de 18 dias que estava engasgado

59

Criança se afogou ao tomar leite industrializado para recém nascido

Taís Teixeira Correio do Povo

O bebê Samuel, de 18 dias, estava com os avós maternos enquanto os pais foram ao hospital.  Neste meio tempo, eles foram dar para o neto uma mamadeira com leite industrial para recém nascidos deixada pela mãe. Como a criança era alimentada somente com leite materno, acabou se engasgando com a mistura. O menino começou a ficar imóvel e roxa. Desesperados, os avós saíram com o bebê no colo atrás de um hospital, mas mudaram de rota quando lembraram que no presídio Central de Porto Alegre, no bairro Vila João Pessoa, onde moram, havia policiais militares. Essa é a história que está por trás das cenas registradas pelas câmeras de segurança da Cadeia Pública de Porto Alegre, que mostram um casal de adultos, os avós, descendo do carro com o neto Samuel, de 18 dias, nos braços e entregando para o soldado Raffael Lorenzen Molina.

As  imagens evidenciam que o bebê estava inconsciente e precisava de ajuda.  O soldado contou que o menino estava desmaiado há, pelo menos, cinco minutos. O brigadiano nunca tinha atendido uma criança engasgada e  no momento em que recebeu o bebê desmaiado nos braços, achou que não conseguiria salvá-lo. “Ele estava com o corpo mole e roxo”, lembrou.  Molina acrescentou que na profissão de policial militar tudo acontece muito rápido e as decisões são tomadas às pressas. “As pessoas nos julgam, mas não entendem que não há tempo suficiente para pensar. Quando peguei o bebê, assumi o caso. Recebi uma criança inconsciente, porém  viva, e não queria entregá-la morta, senão, eu seria julgado”,salientou.

A primeira decisão

Molina ressaltou que o fator psicológico pesou na hora, mas que estava ciente de que precisava agir rápido, pois o tempo era o principal inimigo no momento. A primeira decisão foi aplicar a manobra de Heimlich, que consiste na compressão na região diafragmática do adulto ou da criança no intuito de desobstruir as vias aéreas. “Coloquei o corpo do bebê deitado de costas para mim no  meu antebraço mais forte, no caso o direito, o queixo  encaixado entre os dedos das mãos, e comecei a dar batidas leves e frequentes para ver se ele recuperava  impulsão e força”, descreveu. Um levantamento do Hospital da Brigada Militar (HBM) indica que, do início do ano até o momento, o método foi aplicado 29 vezes com sucesso, principalmente em  crianças. No entanto, para salvar Samuel, a técnica não foi suficiente. O bebê não reagiu. 

A segunda decisão 

Ao notar que a criança não apresentava reação, Molina decidiu partir para outra técnica: a ventilação. “Eu encaixei a minha boca na região da boca e no nariz da criança e assoprava e puxava o ar, tudo dentro do tempo certo e na medida certa”, ponderou. Um erro poderia ser crucial. “É preciso ter muito domínio da técnica. Ao puxar o ar, não se pode errar na força, pois o pulmão do bebê é muito pequeno, pode causar uma lesão grave ou  até mesmo ‘colar’ o pulmão”, alertou. Depois de um tempo, a criança expeliu pelo nariz o leite que estava trancando a respiração. “Ele começou a respirar mais rápido e logo adormeceu”, recordou.

Valeu a pena

Às 22 horas do dia 29 de maio, momento em que ocorreu o fato,  ficarão na memória do soldado, que é policial há três anos e meio,  está lotado no 9º Batalhão de Polícia Militar,  integra  a Força Tarefa da Brigada Militar, na Operação Canarinho, que existe há cerca de 25 anos para  frear as rebeliões, motins e tentativas de fugas em massa das penitenciárias do RS. “Quando a criança foi salva, senti que meu trabalho valeu a pena, o treinamento valeu a pena. A gente passa um treinamento muito pesado para se formar soldado. Abdica de muita coisa, principalmente do tempo com a família”, detalhou.