RS reduz todos os índices de criminalidade em 2021, com exceção aos feminicídios

140

Balanço foi divulgado em Alvorada, município que teve a maior diminuição de vítimas de homicídio no ano passado

CORREIO DO POVO

Segundo Ranolfo, o RS bateu o recorde na redução de crimes violentos pelo 3° ano consecutivo | Foto: Guilherme Almeida

O Governo do Rio Grande do Sul apresentou, nesta quinta-feira, os índices de criminalidade em 2021. Segundo dados apresentados pelo vice-governador, também secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, o Estado bateu o recorde na redução de crimes violentos pelo terceiro ano consecutivo. Com exceção dos feminicídios, os indicadores foram positivos em relação a 2020. O balanço foi divulgado em Alvorada, na região metropolitana, município que teve a maior diminuição de vítimas de homicídio no ano passado.

Somando os principais crimes – homicídios, latrocínios e feminicídios -, as quedas em sequência nas ocorrências desde 2018 alcançam a marca de 2.056 vidas preservadas no período. “Ou seja, se fossem mantidos os números anteriores, seriam mais 2.056 mortes. Este número é maior que a população de 52 municípios gaúchos. É uma vitória que temos a comemorar com o resultado do programa RS Seguro, lançado há três anos”, afirma o vice-governador.

Segundo Ranolfo, 2021 foi o melhor ano da década em relação a assassinatos. Foram 1.511 no ano passado, uma queda de 13,8% em relação ao ano anterior. A taxa de homicídios registrada foi de 13,6 a cada 100 mil habitantes. “Em 2020, foi 15,8, mas imaginem que, em 2017, chegou a 26,4. A nossa meta é não ultrapassar 10, marca estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU)”, reiterou, acrescentando que em 265 municípios gaúchos (53,3%), não ocorreram homicídios em 2021.

Com cerca de 80% dos homicídios do Estado relacionados a disputas entre organizações criminosas, em especial às ligadas ao tráfico de drogas. Em 2021, apenas na Grande Porto Alegre, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil realizou a prisão de mais de 1,5 mil suspeitos de envolvimento em mortes. O índice de resolução das investigações, com apontamento de autoria, é de 76% dos inquéritos de homicídio remetidos ao Ministério Público.

Os latrocínios tiveram queda de 34,1% nos últimos três anos e diminuíram de 69 para 60 (13,1%) entre 2021 e 2020. Da mesma forma, houve redução desde 2018 nos roubos de carros (69,4%) e ataques a bancos (79,2%) e, também, na comparação dos últimos dois anos (37,4% e 16,7%, respectivamente). Os abigeatos atingiram um novo recorde com o menor total desde o início da contabilização, em 2012: foram 5.199 registros em 2021, 2% menos que os 5.306 do ano anterior.

Feminicídio 

O destaque negativo ficou por conta dos feminicídios, que cresceram 21% (80 para 97), de 2020 para 2021. “Estávamos baixando estes números, mas infelizmente, foi o único delito que contrariou a tendência de redução”, lamentou Ranolfo. De fato, segundo os indicadores monitorados pela SSP, o número é inferior aos 118 crimes contra mulheres registrados em 2018. 

Mas, depois de baixar a 97 em 2019 e 80 em 2020, o dado voltou a subir no ano passado. Para ampliar os mecanismos de proteção, o governo anunciou, dentro do Avançar na Segurança, a aplicação de R$ 4,2 milhões para um piloto do projeto de monitoramento eletrônico com uso de tornozeleira para agressores de mulheres.

Marca histórica em Alvorada

Realizada pela primeira vez fora da Capital, a apresentação dos índices de criminalidade escolheu Alvorada por outra marca histórica. O município, que já foi considerado o sexto município mais violento do Brasil em 2017, teve a maior redução de vítimas de homicídio em 2021 entre as 497 cidades gaúchas. Foram 69 mortes por assassinato, 47 a menos que as 116 ocorridas em 2020, uma queda de 40,5%. Com isso, a taxa de homicídios da cidade, que no pico de quatro anos atrás, com 210 vítimas, era de 100,9 mortes para cada 100 mil habitantes, caiu para 32,5, no menor patamar desde 2012.

“Em dezembro, tivemos apenas um assassinato no dia 5 e passamos os 29 dias subsequentes sem um novo registro, o que ocorreu em 4 de janeiro. Dois dias depois, o crime já estava elucidado, com suspeito preso, arma e munições apreendidas. O trabalho de investigação e a integração com as demais forças de segurança é fator essencial para essa virada de página que alcançamos”, afirmou o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Alvorada, delegado Edimar Machado de Souza.

Para Ranolfo, na outra ponta, estão Santa Maria e Caxias do Sul, cidades que mais preocupam a SSP pelos números elevados e que merecerão atenção especial durante 2022.