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Comandante da BM defende ações na Cidade Baixa: “ato contra policiamento beira o ridículo”

Instituição foi alvo de protestos após abordagem resultar em policial e manifestantes feridos em bairro boêmio de Porto Alegre

Marcel Horowitz Correio do Povo

Não terá fim o policiamento ostensivo na Cidade Baixa. A previsão é, além de manter a visibilidade das ações, também reforçar a segurança no bairro boêmio de Porto Alegre. O comando da Brigada Militar confirmou a informação nesta terça-feira.

A resolução ocorre duas semanas após a corporação ter sido alvo de um protesto. O ato foi composto, em grande parte, por integrantes de partidos e movimentos políticos, todos contrários à presença do efetivo ali.

O estopim se deu na madrugada do dia 1° de março, na rua General Lima e Silva, durante a Operação Carnaval. Na data, uma manifestante cuspiu no chão após xingar um grupo de policiais.

Enquadrada como desacato, a afronta foi sucedida por uma abordagem que virou tumulto. Os brigadianos utilizaram spray de gás lacrimogêneo, munições de borracha e força de contenção.

Ao menos três militantes ficaram feridos. Além deles, um PM sofreu mordidas na perna e precisou receber doses de vacina antitetânica.

Segundo o comandante-geral da BM, coronel Cláudio Feoli, um Inquérito Policial Militar (IPM) apura os fatos. Apesar do episódio, o oficial considera que a Operação Carnaval atingiu o objetivo proposto, ou seja, a queda no número de ocorrências.

“No Rio Grande do Sul, ao longo do Carnaval, quase todos os indicadores criminais registraram uma redução superior a 60%. É injusto recortar uma situação específica, em Porto Alegre, e tornar isso o fato principal”, avalia Cláudio Feoli.

O comandante-geral também garante que o IPM avaliará com rigor a conduta dos policiais que atuaram na Cidade Baixa. Ele não exime, porém, a responsabilidade dos abordados.

“As pessoas estavam claramente embriagadas e ofereceram resistência à abordagem. Se isso não tivesse ocorrido, não haveria uma escalada contrária dos policiais. As abordagens são feitas na medida da resistência que é oferecida”, pondera.

“Evidente que todos queremos uma polícia evoluída, mas, para isso, a sociedade também precisa evoluir. As pessoas deveriam entender que, quando um policial em serviço orienta alguém a sair da rua, isso não é uma sugestão. Em que país sério é aceitável desacatar policiais?”, questiona o oficial.

Feoli ainda deixa claro que os protestos não afetaram a instituição. Em outras palavras, os opositores não têm influência sobre as diretrizes do policiamento.

“Uma mobilização que pede o fim do policiamento ostensivo é algo que beira o ridículo. Isso não encontra guarida em nenhum tipo de seguimento na sociedade. Creio que, no fundo, nem os próprios manifestantes acreditam no que pedem. É uma reivindicação utópica”, finaliza.

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