Convênios

Câmara aprova pacote de segurança que eleva pena de homicídio contra policiais e pune ‘novo cangaço’

Propostas elevam punições para crimes contra agentes públicos e criam tipo penal específico para o ‘novo cangaço’

Agência o Globo

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira um pacote de três projetos de segurança pública que amplia o rigor da legislação penal e reforça o combate ao crime organizado. As propostas tratam do endurecimento das penas para homicídios de policiais, da criação do crime de “domínio de cidades” – prática conhecida como “novo cangaço” – e do aumento da repressão a facções e organizações criminosas.

A votação faz parte da pauta positiva conduzida pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que busca priorizar temas de consenso entre base e oposição. As medidas foram aprovadas por unanimidade e seguem agora para o Senado Federal.

Entre os textos, está o projeto que cria o crime de “domínio de cidades”, de autoria do deputado Coronel Assis (União-MT) e relatado por Capitão Alberto Neto (PL-AM). O novo tipo penal prevê pena de até 30 anos de prisão e define como crime a ação de quadrilhas armadas que bloqueiam vias, cercam municípios, usam explosivos e armas de grosso calibre e atacam agências bancárias, prédios públicos ou forças de segurança.

Hoje, esses ataques são enquadrados em roubo qualificado e porte ilegal de armas, com penas que raramente ultrapassam 12 anos. Com a mudança, o crime passa a ser considerado hediondo, o que impede anistia, graça, indulto e restringe a progressão de regime.

— Não se trata apenas de conter o crime, mas de restabelecer a capacidade constitucional do país. Nenhuma organização criminosa pode se sobrepor à lei — afirmou o relator, Capitão Alberto Neto.

O texto foi motivado por ataques como os registrados em Criciúma (SC), Araçatuba (SP) e Confresa (MT), em que grupos fortemente armados sitiaram cidades e atacaram bancos e forças policiais.


Na mesma sessão, os deputados aprovaram um projeto de autoria do deputado Coronel Ulsses (União-AC), que aumenta as penas para homicídios e agressões cometidos contra policiais, agentes penitenciários, magistrados e membros do Ministério Público. O texto inclui essas condutas na lista de hediondos e eleva a punição para homicídio contra agentes do Estado de 20 a 40 anos de reclusão.


A proposta também amplia as penas para lesão corporal contra esses servidores – que podem variar de 2 a 20 anos, conforme a gravidade -e abrange aposentados e familiares quando o crime estiver relacionado ao exercício da função pública.

Segundo o autor, a medida busca “reconhecer o risco inerente à atividade policial e reforçar a proteção aos profissionais que defendem a sociedade”. Ele citou dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que registraram 173 policiais assassinados em 2022, a maioria fora do horário de serviço.


O terceiro eixo do pacote é de autoria do deputado Alberto Fraga (PL-DF) e relatoria do Coronel Ulysses, que altera a legislação para aumentar a repressão aos crimes praticados por organizações criminosas. A proposta fortalece a Lei das Organizações Criminosas e busca atacar as estruturas de financiamento e comando das facções, ampliando a responsabilização penal de seus integrantes e apoiadores.

Com esses três projetos, o pacote de segurança aprovado pela Câmara forma um bloco articulado de endurecimento penal e valorização das forças de segurança, usado por Hugo Motta como vitrine de uma agenda de resultados e baixo custo político.

Caso as propostas sejam aprovadas pelo Senado Federal, seguirão para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Últimas

Saúde e segurança lideram lista de principais problemas do país, aponta Datafolha

Levantamento mostra preocupação maior com sistema de saúde e...

Com história em Passo Fundo, novo comandante do Corpo de Bombeiros do RS quer qualificar profissionais

Coronel Ricardo Mattei Santos, 49 anos, assume o comando...

Patrocinadores

spot_img
spot_img
spot_img
spot_img

Cláusula de barreira pode mudar e aumentar chamamento de aprovados em concurso da Polícia Civil? Veja a resposta

Governo nega e afirma que as regras do edital não permitem ampliar número de convocados Andressa Xavier GZH Dezenas de aprovados no concurso de inspetor e...

Saúde e segurança lideram lista de principais problemas do país, aponta Datafolha

Levantamento mostra preocupação maior com sistema de saúde e violência. Economia e corrupção aparecem em terceiro lugar entre as respostas espontâneas. Por Redação g1 Pesquisa Datafolha divulgada...

Sindicatos apontam falta de vagas como motivo da espera de presos em viaturas em Porto Alegre; SSPS nega superlotação

Preso fugiu após aguardar no pátio do Nugesp, na última sexta-feira Marcel Horowitz Correio do Povo Entidades de classe dizem que a falta de vagas faz...