Edição Impressa

‘O serviço é caro quando é ruim’, diz presidente do IPE Saúde sobre reestruturação

Em entrevista exclusiva, Paulo Rogério Silva dos Santos detalha plano para melhorar o atendimento aos 829 mil segurados e estancar a saída de usuários após a reforma que aumentou alíquotas

Flávia Simões Correio do Povo

Enfrentando críticas pela falta de médicos e suporte, a administração do IPE Saúde corre para conseguir preencher os 10.460 postos de atendimento recém abertos. A contratação de novos prestadores faz parte do programa de reestruturação do Instituto, que começou ainda em 2023 e está na sua segunda fase, cujo objetivo é ampliar o quadro médico, composto hoje por pouco mais de 5 mil profissionais, conforme o balanço-geral de 2024.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Povo, o atual presidente, Paulo Rogério Silva dos Santos, empossado no início de novembro de 2025, reconhece as dificuldades, conta quais são os próximos passos da reestruturação e como ele pretende manter os segurados após a reforma que aumentou as alíquotas e fez com que 44 mil usuários deixassem o plano.

Entre as medidas, estão um novo programa para o credenciamento de hospitais e clínicas; e o investimento em informatização para melhora no suporte oferecido aos usuários. Atualmente, somente 150 pessoas atendem toda a rede no Estado.

Confira os principais trechos:

  • O edital aberto no início de janeiro anunciou cerca de 10 mil vagas. É um número alto e, agora, foi prorrogadas as inscrições. Está sendo difícil atingir essa meta?

Existe um estudo técnico para chegar nesse número (de vagas). Para definir isso em relação às regionais, existe um sistema integrado georreferenciado de necessidades. Essa necessidade foi mapeada e distribuída. Nós não temos capilaridade integral nos 497 municípios porque não haveria demanda, mas temos atendimento estruturado em 356 municípios. Esse estudo visa que uma pessoa, mesmo em um município pequeno que não comporta as 42 especialidades, tenha atendimento o mais próximo possível para não precisar se deslocar de Uruguaiana a Porto Alegre ou Itaqui para Porto Alegre.

  • E, até agora, como está o resultado obtido? Por que a prorrogação?

O programa está indo muito bem e os números são ótimos, embora provisórios. Nós dialogamos com as três entidades médicas (Simers, Amrigs e Cremers) e elas são parceiras hoje. A prorrogação ocorreu a pedido dessas entidades devido ao período de festas e férias a partir de 15 de dezembro, que dificultou a obtenção de documentação.

  • Parte das reclamações dos usuários do IPE é a dificuldade de conseguir um atendimento de média e alta complexidade, principalmente no Interior. Como resolver essa demanda?

Esse é um outro programa que será desenvolvido em breve. O primeiro pilar da reestruturação foi financeiro; o segundo é o “Mais Assistência”, que visa recompor a rede de consultas. Hoje temos 247 hospitais credenciados para média e alta complexidade, naturalmente concentrados em polos como Porto Alegre, Canoas e Caxias.

  • Outra demanda dos usuários é um suporte administrativo mais eficiente. Como melhorar essa questão?

O IPE Saúde opera com apenas 150 pessoas para atender 829 mil segurados, 5 mil médicos e 600 laboratórios. O que nos salva é a informatização. Futuramente, o próprio segurado poderá avaliar o prestador, como em sistemas tipo o Doctoralia (portal com informações e avaliações sobre médicos). Esse sistema está sendo desenvolvido pela Procergs. No Interior, onde tínhamos escritórios, hoje usamos a estrutura do estado com os “facilitadores”, que são pessoas treinadas em órgãos públicos para ajudar quem tem dificuldade com o meio virtual.

  • O uso da tecnologia deverá ser o foco, então, do processo de melhora na administração. Mas boa parte dos usuários são idosos e não têm facilidade com a tecnologia. Qual alternativa para esse caso?

Hoje já temos o cartão digital, mas manteremos recursos físicos para dialogar com esse segurado. Nossa média etária é alta: mais de 45 anos, sendo que 40% têm mais de 60 anos. Eu mesmo tenho 63 anos, sou segurado e acredito no IPE.

  • Quais impactos da reforma de 2023 são sentidos na prática?

Um passo gigante foi a contribuição dos dependentes. Nós temos mais dependentes do que segurados originários (servidores da ativa e aposentados). Antes não se cobrava nada deles, o que gerou um déficit importante em 2023. Hoje o IPE Saúde é superavitário, arrecada mais do que gasta, mas com uma margem estreita de gestão, pois a receita é inelástica (fixa).

  • As alterações acabaram pesando no bolso de alguns servidores, que decidiram deixar o plano. Como manter o segurado?

Melhorando os serviços. O serviço é “caro” quando é ruim. Nossa contribuição é uma das menores do país comparada a institutos similares, como o de Minas Gerais. O IPE não é regulado pela ANS, então tem um leque de serviços menor, mas nosso ticket médio é de R$ 380, enquanto um plano de saúde privado pode ser três ou quatro vezes mais caro. Temos limites.

  • No último ano, a queda de usuários foi de 44 mil. Quem foram essas pessoas que deixaram o IPE?

Basicamente dependentes que antes não pagavam nada e categorias de maiores salários (Judiciário, Ministério Público, Assembleia) que optaram por planos maiores. No entanto, para quem chega aos 70 ou 80 anos, um plano privado custa fortunas, enquanto no IPE o valor continua sendo uma porcentagem da folha (3,6%).

Últimas

Homem é preso por assustar moradores fantasiado de lobisomem

Por volta das 21 horas deste Domingo (25) um...

Por que em nome da democracia, se violaram os direitos humanos? Democracia não se defende com arbítrio!

Marco Antônio Moura dos Santos               Há uma distorção grave,...

Brigada Militar inicia curso de formação policial para 800 novos alunos-soldados

Convocados terão amplo ciclo de instruções em Porto Alegre...

Saidinhas: o cinismo do Estado, o oportunismo da política e a conta paga pela sociedade

Marco Antônio Moura dos Santos O debate sobre as “saidinhas”...

Patrocinadores

spot_img
spot_img
spot_img
spot_img

Homem é preso por assustar moradores fantasiado de lobisomem

Por volta das 21 horas deste Domingo (25) um homem foi preso no Bairro Santa Rita em Guaíba RS, após assustar moradores da região...

Por que em nome da democracia, se violaram os direitos humanos? Democracia não se defende com arbítrio!

Marco Antônio Moura dos Santos               Há uma distorção grave, e perigosa, em curso no debate público brasileiro: em nome da democracia, aceita-se o desmonte...

Brigada Militar inicia curso de formação policial para 800 novos alunos-soldados

Convocados terão amplo ciclo de instruções em Porto Alegre e Montenegro A Brigada Militar realizou, nesta terça-feira (20/01), a inclusão de 800 novos alunos-soldados que...