Marco Antônio Moura dos Santos[1]
O BRICS foi criado em 2009, compreendendo inicialmente o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Com a busca de sua consolidação como um importante ator geopolítico, em 2025 sob a presidência do Brasil, foram incorporadas seis novas nações: Arábia Saudita, Irã, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.
A participação do Brasil no BRICS tem interesses que vão além do seu fortalecimento entre as nações emergentes, para aumentar não apenas a cooperação Sul-Sul, mas também para contribuir para a defesa da ordem mundial multipolar e, portanto, mitigar os desequilíbrios internacionais e econômicos.[2]
O Brasil, assim como os outros membros do BRICS, não concorda que os poderes originados do Ocidente ditem as regras nos países em desenvolvimento. Os países do BRICS alavancam isso para exigir uma reestruturação básica do sistema de governança internacional, onde o Sul Global[3] seja ouvido e tenha mais peso na tomada de decisões internacionais; como a ONU (Organizações da Nações Unidas), o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional).
Mas vejamos a “incoerência”, pois no bloco encontramos a China e a Rússia que tem proeminência no cenário mundial, como no caso do Conselho de Segurança da ONU, em que possuem inclusive o direito a veto em decisões relevantes para a PAZ MUNDIAL.
A decisão de expandir o BRICS para 11 membros demonstra o compromisso com a inclusão de países africanos, do Oriente Médio e do Sudeste Asiático como parte das tentativas de reduzir a divisão entre o mundo desenvolvido e os países em desenvolvimento, conforme indicado pelo 10º Diálogo de Planejamento de Política Externa[4] do BRICS realizado em Brasília, em 24 e 25 de março de 2025. Com os novos membros, o bloco agora representa 36 % em termos territoriais e, aproximadamente, 47,5 % da população mundial[5]
A importância do BRICS na economia mundial é significativa, pois representa 39% do PIB global. Sendo um parceiro comercial relevante para o Brasil, conforme pode-se avaliar a partir dos dados de 2024[6], os quais apontam que 36% das exportações brasileiras foram para o BRICS e 34% das suas importações vieram de lá.
Durante sua presidência do BRICS o Brasil procurou aumentar seu poder e influência diplomática. Segundo o CEBRI[7], o destaque da “Atividade de Não-Alinhamento” é uma expressão do interesse do Brasil em equilibrar o relacionamento com as potências ocidentais e os países do BRICS. O BRICS deve ser visto como um espaço de diálogo, não de confronto, dizem os especialistas do CEBRI[8]. E não devemos esquecer que a diplomacia brasileira considera o universalismo, a provisão de mediação imparcial, a resolução pacífica de disputas e a busca por soluções justas e não coercitivas para o trato das questões internacionais.
Integrar o BRICS trouxe ao Brasil aumento no comércio e investimento. O NDB (Novo Banco de Desenvolvimento, ou Banco de Desenvolvimento do BRICS), presidido atualmente pela ex-presidente Dilma Roussef, tem financiado projetos de infraestrutura e desenvolvimento nos cinco países. Um dos 34 projetos financiados pelo Banco é direcionado ao Brasil.
Embora China e Índia brilhem como gigantes econômicos, o restante dos membros, incluindo o Brasil, experimenta crescimento mais lento e problemas econômicos estruturais. Esse desequilíbrio econômico também pode restringir econômica e geopoliticamente o papel do Brasil no bloco.
Por um lado, pertencer ao bloco eleva o prestígio do Brasil como líder do Sul Global, bem como eleva a posição de negociação do país em relação aos países ocidentais dominantes; por outro, busca manter um equilíbrio com os países ocidentais centrais para evitar ser tomado como um inimigo ocidental. É uma realidade difícil de enfrentar, especialmente quando se consideram as implicações sentidas em todo o mundo hoje.
Na sequência vamos avaliar alguns pontos relevantes na política, economia e relações internacionais, envolvendo o Brasil, o BRICS e os Estados Unidos da América.
[1] CORONEL QOEM Res Brigada Militar/RS e Especialista INTEGRAÇÃO E MERCOSUL/UFRGS
[2] https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202503/boletim-brics-brasil-18-brics-nao-e-anti-ocidente-mas-busca-equilibrio-geopolitico-afirma-embaixador-brasileiro
[3] De acordo com Maria Luísa Almeida, nos últimos anos, o conceito de “Sul Global” tem ganhado relevância no debate internacional, representando um grupo heterogêneo de países que compartilham legados históricos de exploração e dominação, além de desafios econômicos e políticos distintos. Ao mesmo tempo, o Sul Global surge como uma força de resistência ao poder consolidado do Norte Global, buscando novas dinâmicas de cooperação e defendendo uma governança multilateral que, na prática, possa oferecer alternativas à ordem mundial ainda centrada nas potências ocidentais. In: https://laibl.com.br/sul-global-a-ascensao-de-uma-nova-perspectiva-de-poder/ acesso em 10/07/2025
[4] https://brics.br/pt-br/noticias/boletim-brics-de-radio/18-brics-nao-e-anti-ocidente-mas-busca-equilibrio-geopolitico-afirma-embaixador-brasileiro. Acesso em 10/07/2025
[5] https://brics.br/pt-br/sobre-o-brics/dados-sobre-o-brics acesso em13/07/2025
[6] https://brics.br/pt-br/sobre-o-brics/dados-sobre-o-brics. Acesso em 10/07/2025
[7] O Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) é um think tank independente e plural que há 26 anos lidera debates sobre soluções inovadoras para os grandes temas globais, na perspectiva dos interesses do Brasil. Contribuímos com a construção de uma agenda para a política externa do país. Com uma rede de especialistas, oferecemos aos tomadores de decisão propostas de políticas públicas consistentes para a promoção do desenvolvimento e a inserção do país na economia mundial. Estamos particularmente dedicados à construção de projetos em setores essenciais para a sociedade do século XXI, como a transição energética e a transformação digital, motores de crescimento econômico e prosperidade social. Com sedes no Rio de Janeiro e em São Paulo, o CEBRI tem reconhecimento internacional. Reunimos mais de cem empresas dos principais setores da economia, além de instituições, representações diplomáticas e sócios individuais que representam um amplo arco de interesses. Nosso Conselho Curador é formado por renomados diplomatas, intelectuais e empresários, com papel fundamental na definição de estratégias da instituição, assegurando a excelência de nossas iniciativas.
[8] https://cebri.org/br/doc/367/por-que-o-brics-e-estrategico-para-o-brasil. Acesso em 10/07/2025