Evento na sede do MPRS contou com palestras sobre saúde mental, inteligência artificial, prova penal e atuação policial
Guilherme Sperafico Correio do Povo
Centenas de policiais militares, de diferentes regiões do Estado, se reuniram para o congresso da Brigada Militar, realizado na quarta-feira, em Porto Alegre. O evento, que ocorreu na sede do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), contou com uma programação que teve como eixo a valorização dos profissionais e incluiu debates sobre temas relacionados à atuação policial.
Na abertura, o comandante-geral da Brigada Militar, o coronel Luigi Gustavo Soares Pereira, ressaltou a presença dos policiais militares e a importância do congresso para a corporação, ao abrir oficialmente o evento.
O secretário estadual da Segurança Pública, coronel Mário Ikeda, destacou a evolução das estratégias de segurança adotadas pelo Estado e os resultados registrados nos indicadores criminais. Segundo ele, a integração entre as instituições e o uso de ferramentas de análise criminal contribuíram para a redução dos crimes violentos.
Ikeda citou a evolução do programa Avante, implantado a partir de 2014, e sua posterior incorporação à estratégia do RS Seguro, a partir de 2019. Conforme o secretário, a política passou a concentrar esforços nos municípios com maior impacto sobre os índices de criminalidade. “Essas reduções são extremamente expressivas e aumentam a sensação de segurança na população”, afirmou.
Outro tema abordado pelo secretário foi o combate à violência contra a mulher. Ikeda afirmou que o Estado mantém mais de 1,5 mil agressores e mais de 1,5 mil vítimas sob monitoramento por tornozeleiras eletrônicas. Segundo ele, o sistema gera mais de uma prisão por dia, em média, relacionada ao descumprimento de medidas protetivas.
Ainda durante a abertura, o procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Alexandre Saltz, destacou a relação entre o MPRS e a BM. Ele afirmou que a parceria entre as instituições é necessária para a atuação na segurança pública e para a responsabilização de eventuais irregularidades. “Tenham o Ministério Público uma instituição parceira. Nós confiamos na Brigada Militar e espero que os senhores continuem confiando no Ministério Público para que juntos possamos construir um Estado melhor para todos”, declarou.
Entre os assuntos discutidos durante o congresso estava o projeto Fundadas Razões, apresentado pela subprocuradora-geral de Justiça do MPRS, Alessandra Moura Bastian da Cunha. A iniciativa buscou qualificar a prova penal e fortalecer a atuação conjunta entre as polícias e o sistema de Justiça.
Ainda pela manhã, o novo protocolo de atendimento a ocorrências envolvendo pessoas em crise de saúde mental foi apresentado pela diretora do Departamento de Gestão de Hospitais Estaduais da Secretaria da Saúde, Maria Letícia Ikeda, e pelo comandante do 11º BPM, tenente-coronel Pedro Alexander Beron da Cunha.
O protocolo prevê integração entre Brigada Militar e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), com compartilhamento das informações coletadas no atendimento inicial e planejamento conjunto da resposta conforme a gravidade e o risco de cada ocorrência.
A programação também contou com painel sobre o uso da inteligência artificial na administração pública, ministrado pelo diretor técnico do Detran, Fábio Pinheiro dos Santos. A saúde mental dos policiais militares foi abordada pelo psiquiatra Luís Carlos Prado, pela psicóloga Adriana Selene Zamonato e pela tenente-coronel psiquiatra Cláudia Ferrão.
Instrutores do Curso de Atirador Designado Policial da Brigada Militar discutiram a necessidade e a implementação da função de atirador designado na corporação.
Comandante-geral da Brigada Militar, coronel Luigi Gustavo Soares Pereira | Foto: Guilherme Sperafico / Especial / CP

