Delegados pretendem esvaziar delegacias situadas em prédios precários

Medida faz parte da pressão por reajuste salarial e um dos locais visados para interdição é o Palácio da Polícia, sede da Polícia Civil

HUMBERTO TREZZI GZH

Estragos no teto da sede da Polícia Civil gaúcha Associação de Delegados de Polícia-RS (Asdep) / Divulgação

Na luta por reajuste salarial, a Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep-RS) decidiu ampliar o leque de pressões. Promete esvaziar agora os prédios de delegacias em situação precária. É mais uma medida que se soma ao silêncio adotado desde o final de 2023 em relação a detalhes de operações contra o crimes.

– Tem prédios caindo aos pedaços, que oferecem risco aos policiais e ao cidadão que vai lá registrar ocorrência. A categoria decidiu que isso não será mais tolerado, agentes e delegados não trabalharão mais nesses locais – informa o presidente da Asdep, delegado Guilherme Wondracek.

A decisão foi tomada em assembleia-geral da Asdep na última quinta-feira (25), por 132 votos. A ideia é uma operação-padrão em relação às condições de trabalho. A começar pelas edificações. Na semana passada, o prédio da delegacia de Antônio Prado, na Serra, foi interditado por risco de desabamento. As paredes da DP apresentam rachaduras. Os policiais estão dando expediente numa cidade próxima, Ipê.

Um dos alvos da nova tática dos policiais é o Palácio da Polícia, sede da Polícia Civil gaúcha, situado na esquina das Avenidas João Pessoa com Ipiranga, em Porto Alegre. O vendaval de 17 de janeiro destelhou grande parte do prédio. Janelas se partiram em decorrência das rajadas de vento, que penetraram no espaço entre o forro e a cobertura,  provocando o efeito de sucção. Placas do forro foram sugadas. O temporal causou desplacamento, goteiras, infiltrações, queda de luminárias e alagamentos. O destelhamento também evidenciou que parte da madeira da cobertura está danificada e a fiação elétrica, precária, conforme laudo elaborado pela assessoria de engenharia do Departamento de Administração Policial. Trecho do laudo:

“A assessoria de engenharia não pode garantir a segurança nem a integridade física dos servidores e usuários do imóvel ou dos equipamentos ali localizados e recomenda a interdição total do terceiro pavimento do Palácio da Polícia. Se a medida não for viável por funções operacionais, recomenda-se minimamente a interdição da área mais afetada pelo temporal”.

O Palácio da Polícia é o local onde o Chefe de Polícia e seus principais assessores dão expediente.

A Chefia de Polícia informa que a reforma do telhado do Palácio da Polícia foi aprovada e deve começar em breve. Já existia um procedimento aberto desde o ano passado, mas a situação piorou com o temporal. O delegado Heraldo Guerreiro, vice-chefe de Polícia, informa que o terceiro andar do prédio poderá ser desocupado, para realização das reformas necessárias.

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