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Governo e policiais civis dialogam sobre reajuste salarial, mas continua o silêncio sobre investigações

Delegados evitam divulgar operações, como pressão para melhorar ganhos e ter promoções; reunião aconteceu nesta semana e outras estão previstas

HUMBERTO TREZZI GZH

Nesta semana o governo estadual recebeu pela primeira vez todas as entidades representativas da Polícia Civil para discussão da pauta de reivindicações trabalhistas. Delegados e agentes, via sindicatos e associações, querem reajuste salarial, promoções na carreira e simetria com alguns cargos da Brigada Militar (de comissários com capitães, por exemplo).

A reunião foi conduzida pelo secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos, e pelo secretário da Segurança Pública, Sandro Caron, com participação de deputados ligados à categoria e representantes de classe. E houve avanços. O governo informou que as promoções devem ocorrer já em dezembro, embora não haja previsão se todas as vagas abertas serão preenchidas ou apenas parte – isso é condicionado à disponibilidade financeira do caixa. As entidades querem todas as promoções represadas. 

Quanto a reajustes, o governo diz que não ocorrerão neste ano, devido ao limite prudencial exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A previsão é que esse teto seja superado em 31 de janeiro de 2024 e aí pode ser discutida uma política de reposição salarial. Os policiais rebatem que é preciso negociação ainda neste ano, nem que o reajuste em si fique para o ano que vem.  

Em relação à simetria de comissários com capitães, o governo admite debate, mas diz temer efeito-cascata em relação a outros postos funcionais.

As entidades sindicais alertam que a falta de reajuste tem provocado evasão de quadros na Polícia Civil. Afirmam que o número de exonerações nos últimos dois anos (91) já ultrapassa a soma dos cinco anos anteriores. São policiais que pedem demissão do cargo e buscam outra carreira, antes de estarem aposentados. Parte da desistência se daria por excesso de trabalho, sobretudo em dias de operações contra o crime. O governo não se pronunciou a respeito desse número. 

Como forma de pressão, os policiais têm evitado divulgar à mídia detalhes de investigações. Mesmo as operações não são informadas com antecedência, como era costume. Acreditam que o governo deve assim valorizar os servidores da segurança pública, área em que o governador Eduardo Leite alcança sucesso inequívoco (na redução de crimes). Possivelmente, o setor de maior visibilidade. A própria Chefia de Polícia tem tentado divulgar as operações mais importantes, já que os delegados da Polícia Civil têm respeitado a decisão de silenciar sobre as ações.

As entidades conseguiram convencer o governo a realizar novas reuniões: a primeira é quinta-feira (16), com a Associação de Delegados de Polícia (Asdep). Encontros com representantes das categorias de base da Polícia Civil acontecerão depois. Os policiais adiantam, sem dar detalhes, que tentarão outras formas de pressão, caso as negociações não progridam.

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