Líder do tráfico entra no radar da Segurança Pública após regressar ao RS

André da Silva Dutra, o ‘Gordo Dé, retorna um ano depois de ter sido enviado ao Presídio Federal de Campo Grande

Marcel Horowitz Correio do Povo

Gordo Dé está na galeria B da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) | Foto: Susepe / Facebook / CP

O retorno de um traficante à galeria B da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) tem sido monitorado pelas forças policiais. Desde setembro do ano passado, o detento estava no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para onde fora transferido durante a Operação Império da Lei.

Em outubro, porém, conforme apurou o Correio do Povo, ele voltou ao estado gaúcho para cumprir o restante dos seus mais de 40 anos de condenações.

André da Silva Dutra, o ‘Gordo Dé’, é apontado como líder de uma facção com base no Loteamento Timbaúva, no bairro Mario Quintana, mas que também criou ramificações em outras áreas da zona Norte, como na Cohab Rubem Berta. Ele responde por 15 homicídios, além de lavagem de dinheiro, ameaça, porte ilegal de armas e roubo.

Acumulando passagens em casas prisionais, o traficante foi capturado pela última vez em Bombinhas, no litoral de Santa Catarina, em novembro de 2020. Na ocasião, ele estava foragido há dois anos, quando rompeu uma tornozeleira eletrônica apenas 39 minutos após ter recebido o benefício. 

A permanência de Gordo Dé no sistema prisional, no entanto, não impediu que ele seguisse liderando o tráfico, motivo pelo qual foi enviado para outro estado.

O retorno do traficante é observado com atenção por agentes da Segurança Pública, que não descartam a participação dele em disputas do crime organizado. “Estamos atentos, acompanhando todos os movimentos”, afirmou o chefe de Polícia, delegado Fernando Sodré. 

Preso em galeria de facção do Vale do Sinos

Desde que voltou ao RS, Gordo Dé já participou de audiências online da Justiça e tem se comportado de maneira discreta dentro da Pasc. “Nem parece ele”, descreveu um servidor.

No entanto, apesar da aparente discrição, a Polícia Penal reforçou à reportagem que monitora o traficante.

Na galeria B, o criminoso está preso junto a outras lideranças, essas ligadas a uma facção que atua no Vale do Sinos. A interação dele com esses líderes também é alvo de monitoramento. 


André da Silva Dutra, o ‘Gordo Dé’ | Foto: Record TV

Cisão entre traficantes do Loteamento Timbaúva

A volta de Gordo André ocorre em meio a divergências na facção do Timbaúva. O rompimento teria sido causado por dois dos homens de confiança dele, sendo esses Daniel Araújo Antunes, o ‘Patinho’, e Luís Guilherme Dias da Silva, o ‘LG’.

A reportagem apurou que a rixa teve início quando Patinho foi transferido para o Sistema Penitenciário Federal, com LG assumindo o domínio dos pontos de tráfico. Inconformado com a perda das ‘biqueiras’, Patinho teria ordenado o assassinato de um irmão do antigo comparsa, que acabou acontecendo, solidificando assim a cisão do grupo. 

Mesmo após a briga, LG, que está foragido, permanece ocupando posição de destaque na organização criminosa. Para tanto, ele teria o apoio de Gordo Dé.

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